78,6% das empresas adotam gestão ambiental para proteger imagem e reputação

Data 13/10/2010

 

O tema está em foco diante os consumidores, empresas e também na política

Questões sobre sustentabilidade e assuntos relacionados à gestão ambiental estão cada vez mais em pauta no dia a dia da população brasileira. No último dia 3 de outubro, por exemplo, vimos no Brasil uma verdadeira "onda verde" de brasileiros em apoio às propostas ambientais. Foram quase 20 milhões de brasileiros em apoio a candidata à presidência que levantava como principal bandeira a utilização de fontes renováveis de forma sustentável e econômica.

Nessa onda politicamente correto, muitas empresas vem adotando procedimentos em gestão ambiental, mas ainda, a prioridade e foco dessas organizações ao utilizarem esses recursos está longe de ser exclusivamente pelo crescimento econômico sustentável.

De acordo com a Sondagem Especial de Meio Ambiente, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a imagem e a reputação da empresa são o principal motivo para a adoção de procedimentos de gestão ambiental, executados por sete em cada dez indústrias brasileiras.

Ao todo, são 78,6% das empresas pesquisadas que apontaram esse como a principal motivação para investir em questões ambientais. O segundo maior motivo para as práticas de gestão ambiental, conforme 77,7% das empresas, são as exigências do licenciamento ambiental, seguidas de regulamentos ambientais, apontados por 66,6% delas.

O levantamento da CNI, feito com 1.227 empresas de todos os portes e setores, revela que as práticas adotadas variam de redução na geração de resíduos ao uso eficiente da energia e diminuição no gasto de água, entre outros procedimentos. De acordo com a pesquisa, o percentual de empresas que adotam procedimentos ambientais sobe para 95% entre as de grande porte.

A diretora de Relações Institucionais da CNI, Heloisa Meneze "É crescente o nível de exigências e de atribuições que são dadas as empresas, o que exige um nível de atenção muito alto, porque muitas dessas exigências se transformam em custos. Há um limite entre essas exigências e o que a empresa tem de benefícios com imagem e preço que pode incorporar aos produtos lançados no mercado", avalia s.

As empresas também demonstraram preocupação com a redução de desperdícios de matérias-primas (55,3%), com a melhoria da qualidade dos produtos (37,7%) e em atender a demanda de clientes e consumidores (27,9%).

Incentivos

Apenas 15,8% das indústrias consultadas disseram que nenhum incentivo seria efetivo para estimular a adoção de instrumentos de gestão ambiental, mostra a pesquisa da CNI.

Dos outros 84,2% das empresas, 67,1% responderam que o tratamento fiscal diferenciado seria o melhor incentivo, ao passo que 61,9% disseram ser importante um tratamento diferenciado no licenciamento ambiental (a soma das respostas ultrapassa os 100% por conta da possibilidade de múltipla escolha). A contratação de financiamento a juros mais baixos foi assinalada por metade das empresas.

"Praticar uma boa gestão ambiental tem custos para as empresas, que precisam investir em máquinas mais eficientes, em inovação, em desenvolvimento tecnológico, em melhoria de processos. Mesmo sabendo desses custos, elas têm investido nisso. Mas é preciso ter estímulos de várias ordens, como ampliação do mercado ou originários do poder público, como os tributários", explica a diretora de Relações Institucionais da CNI. Ela aponta reduções de IPI, ISS e de ICMS como exemplos de incentivo tributário.

Sobre a pesquisa

Das 1.227 empresas pesquisadas pelas CNI, 183 são de grande porte, 367 de médio porte e 677 pequenas empresas. A Sondagem Especial foi conduzida entre os dias 5 e 19 de abril e está disponível no endereço www.cni.org.br.

Essa notícia foi publicada no Administradores, em 08/10/10.