A humanização da liderança

Data 04/08/2015

*Por Renato Lopes

Ser líder não é fácil. Depois que você se torna um, o maior desafio é manter sua equipe sempre produtiva e apoiá-la para que cada membro possa desenvolver o melhor trabalho. 

Quando você é líder, precisa ter colaboradores e não funcionários, fãs e não empregados. E isso só se consegue a partir de exemplos do dia a dia, de conversas e ações que muitas vezes transcendem o ambiente corporativo. E é nesse momento que se entende a importância da função educadora de um líder.

Essa função educadora faz com que você obtenha a confiança e o respeito do seu liderado, ao invés da obrigação de obedecer. Mas isso só ocorre a partir do momento em que você, líder, enxerga o seu liderado como um ser inserido na corporação por inteiro, com seus hábitos, atitudes, problemas e qualidades. Afinal, não há como ter uma pessoa no âmbito corporativo e outra no pessoal. Os problemas, as dores e dúvidas são carregados de um local a outro. E, é nesse cenário, que vale a percepção do líder para enxergar cada momento do liderado, respeitá-lo e, dependendo de que como for até aproveitá-lo para a evolução do liderado e do relacionamento entre vocês.

Todo bom líder tem um feeling sobre sua equipe. Isso é inevitável. Porém, para ser levado em conta, esse feeling deve ser construído aos poucos, observando as pequenas minúcias e sempre indagando com o objetivo de ajudá-los. Tive experiências de, a partir de um pedido de aumento, entender a real necessidade do meu colaborador e poder apoiá-lo apenas com dicas de educação financeira. Consegui abrir os olhos dele que o que estava errado era a forma como estava investindo o valor recebido e não a quantidade em si. Para quem investe errado, o valor sempre faltará e os pedidos de aumentos serão recorrentes.

Obviamente, esse tipo de oportunidade só ocorre quando o líder tem uma boa relação com o liderado e encontra espaço dentro de uma conversa para chegar a esse ponto.

Outro fator importante é a vida pessoal do liderado. Quem acha que o problema de casa não vai ao trabalho está muito enganado. Muitas vezes se camufla isso, mas é fato que os problemas de ordem pessoal podem fazer o seu liderado perder a concentração, motivação e produzir menos. E os líderes, por terem uma visão sistêmica, sempre olhando do lado de fora, podem ajudar com uma dica, uma observação e até mesmo uma simples conversa. Algo que ajude, ou pelo menos alivie os problemas. 

Transcender o corporativo na preocupação com o ser humano, em sua vida por completo, faz com que você humanize suas relações e crie vínculos que darão resultados em todos os aspectos. E isso não isenta a cobrança e a busca por superação, que também faz parte do líder. Mas, com a relação entre vocês mais próxima, muitas coisas serão intrínsecas e tudo acontecerá com a fluidez que se deseja.

Com essas ações, é possível ter uma equipe fiel a você mais do que à empresa em si, e isso é muito comum acontecer. Pense em criar vínculo com seus colaboradores, como fazer para que eles se tornem fãs de sua gestão e, assim, vistam realmente a camisa da empresa. E eu só percebo um caminho para isso nas instituições que se chama transparência.

Transparência em tudo. Desde as contas, faturamento, plano de carreira, visão, missão. Tudo deve ser compartilhado com os colaboradores. Eles precisam se sentir parte da empresa, inclusive nos momentos de crise. Nos meus quase 20 anos na área de tecnologia, vi muitas empresas engajarem equipes com a transparência, mostrando o quão eles são importantes no processo e que fazem parte do sucesso.

Esse processo começa da empresa para os líderes e deles para seus liderados. É preciso ficar claro quais os valores praticados pela empresa e fazer com que a missão seja partilhada por todos. Se a empresa confia e se preocupa com o colaborador, a reciprocidade ocorre de maneira natural e é isso que faz da empresa um sucesso.

*Renato Lopes é Gestor da área de TI e acredita que a humanização dessa área é a chave para conquistar equipes de alta performance e auto gerenciáveis. Palestrante e Professor Universitário, Renato busca compartilhar técnicas e soluções para formar times vencedores e entusiastas, buscando a qualidade de vida junto à satisfação do trabalho. 

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