A “síndrome do empregado”

Data 14/07/2014

*Por Eduardo Zugaib


Será que você ou alguém que você conhece sofre desse mal? Em um mundo onde cada vez mais falta emprego e sobra trabalho, muita gente ainda busca o modelo “toma aqui minhas horas, dê cá o meu salário”. Brilho nos olhos, automotivação, resiliência, autossuperação, insatisfação positiva são fatores urgentes para quem hoje está atordoado por não ter percebido que o modelo de emprego em vigor nas últimas décadas está entrando em extinção.

Alguns sintomas revelam a síndrome do empregado. Um deles é a necessidade de se ter sempre alguém “marcando cerrado” para que a produtividade esteja assegurada. A supervisão, natural nos primeiros anos de qualquer atividade profissional, quando não substituída por autossuficiência conforme o tempo avança, denota a síndrome. Dominar apenas parte do processo, sem se preocupar em ao menos conhecer o todo, também. Para afastar a síndrome é preciso estar a par da dinâmica do mercado, do negócio em que se está envolvido, suas evoluções e involuções. É preciso saber ler e interpretar o ambiente externo, suas oportunidades e ameaças.

Ser “empregado”, no sentido patológico da palavra, é ser marcado não pela proatividade, mas pela reatividade. É falta de ação e excesso de reação, postura essa que mata a criatividade necessária para empreender mudanças, primeiro em nós mesmos e, consequentemente, no nosso trabalho. O portador da síndrome espera que o ambiente mude, para que decida mudar e é capaz de passar uma vida inteira apenas “fazendo”, sem aprender nada com isso. Mantém-se em movimento o tempo todo, porém nunca sai do lugar.

A falta de atenção a esses fatores faz a síndrome avançar para um estágio mais complicado, de difícil reversão: é quando o nível de comunicação torna-se limitado, tanto nas relações internas quanto externas à empresa, dificultando a formação de uma rede produtiva de relações, justamente aquela que costuma nos socorrer quando alguma força maior rompe nossa relação com a empresa.

A síndrome de empregado também tem, na sua origem, a existência de ambientes, sejam eles de ensino ou de trabalho, em que não se estimula o empreendedorismo. Porém, independentemente do ambiente, a decisão de se evitar contagiar por ela é igual a senha de seu cartão de crédito: pessoal e intransferível.
 

*Eduardo Zugaib é escritor, profissional de comunicação e marketing, professor de pós-graduação, palestrante motivacional e comportamental. Ministra treinamentos nas áreas de Desenvolvimento Humano e Performance Organizacional. www.eduardozugaib.com.br
 

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