A um propósito e avante!

Data 21/05/2013

*Por Renato Curi

 

Tendo viajado por três continentes, para países como Tailândia, Cambodia, Singapura, México, Nova Zelândia, Chile, Argentina, Peru, Bolívia, entre outros, fico fascinado ao encontrar pessoas que falam de suas nações com orgulho e sentem paixão pela sua terra. Pessoas que não cansam de enaltecer o positivo, que sentem-se honradas e saúdam seu país com uma bandeira na porta de sua casa.

Obviamente, isso me fez questionar o que faz a maioria de nós, brasileiros, um povo sem o mesmo orgulho. Analisando sistemas sociais menores, passei a refletir também nas equipes que nossos clientes, fornecedores, amigos e eu próprio fizemos parte. O quê fez com que em algumas equipes houvesse um sentimento de orgulho em dizer que trabalhavam nela, equipes nas quais os integrantes defendiam seus colegas e sua cultura com entusiasmo e outras, no entanto, onde as pessoas sentiam vergonha ou indiferença, escondiam que faziam parte daquela equipe ou, até mesmo, denegriam a imagem da própria equipe para as demais áreas?

Para responder essa pergunta vamos voltar a analisar as nações. Os chilenos, por exemplo, foram um povo cuja sobrevivência foi desafiada. Que se uniram e lutaram, apesar das diferenças, por uma causa, pela sua terra, pela independência, enfim, por um propósito. Por algo tão forte, compartilhado por milhares de pessoas, algo que valesse a pena a luta, o sangue, o suor. Pelo bem comum. Fato esse que tornou possível ascender um sentimento de identificação das pessoas, umas às outras e ao próprio espaço.

O Brasil, por outro lado, obteve sua independência sem a mesma mobilização social, sem tantas lutas. Imaginem as consequências disso quando se trata de um vínculo com “a terra”. Não experimentamos a sensação do esforço recompensado, nem tivemos a experiência de se unir por um motivo tão nobre. Certamente o valor dado à bandeira se torna inferior. A capacidade de agregar as pessoas também mostra-se reduzida.

E nas equipes? Talvez você faça parte de uma equipe sem um senso de propósito, em que as pessoas pisam “na terra” (na empresa) sem o devido respeito, que não valorizam o espaço conquistado na organização, atuam de forma isolada e sem um sonho compartilhado.

Claro que construir uma equipe onde as pessoas estão engajadas e unidas é um desafio que demanda esforços. Também é evidente que, se as equipes que você faz parte hoje podem evoluir nessa busca, o primeiro passo pode ser dado por qualquer um, inclusive você.

Quem sabe você pode ser aquele que levanta a bandeira e gera a mudança. Aquele que começa a questionar a identidade da área, a missão, o propósito. Pergunte-se e indague seu líder e colegas: Qual o motivo de existência da nossa área para companhia? Qual diferença queremos causar? O que queremos alcançar/construir enquanto equipe? Aonde queremos estar daqui 1 ano?

A ideia por trás disso é despertar um porque nos integrantes da equipe. De alguma forma, fazê-los com que reflitam, dialoguem e definam um propósito que os impulsionem a acordarem e trabalharem todo dia dispostos a oferecerem o seu melhor. Ter um porque que  direcione os esforços dos integrantes da equipe no mesmo sentido, que ajude a priorizar atividades e projetos de acordo com o que é mais importante, que influencie os comportamentos de todos em busca do bem comum e da cooperação.

A Disney tem como motivo de existir "fazer as pessoas felizes".

E a sua área? Qual o propósito dela existir?



*Renato Curi é consultor em treinamento e desenvolvimento, formado em Administração de Empresas pela PUC-SP. Liderou projetos nas áreas de Marketing e R.H. em indústrias como Unilever e Danone. É Trainer em Programação Neurolínguistica e possui Certificação Internacional de Coaching pela Lambent. Certificação em Teoria Comportamental DISC e Valores.

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