Além dos horizontes corporativos

Data 06/03/2012

Oferecer cursos de aperfeiçoamento técnico ou aprimoramento gerencial é ação corriqueira no dia a dia das empresas preocupadas com o desenvolvimento de seus profissionais. A busca pela motivação dos funcionários, no entanto, tem levado muitas delas além dos horizontes corporativos. Pelo menos essa é a primeira impressão quando se olha o cardápio de cursos escolhidos por algumas organizações, como exposição de arte, degustação de vinho ou oficina de gastronomia. Embora as atividades, à primeira vista, pareçam desconectadas do mundo dos negócios, elas também contribuem para o aprimoramento profissional, além de favorecerem a integração e a motivação dos colaboradores. Acima de tudo, são atividades que acrescentam conhecimento ao ser humano, enriquecendo-o tanto no aspecto pessoal quanto profissional.

“Um grande número de empresas tem buscado oferecer aos seus funcionários atividades que saiam da rotina do trabalho”, atesta Philippe Racy Takla, diretor do Projeto Cultura, um espaço criado em 2008 com a proposta de ser um “centro cultural de aperfeiçoamento de pessoas”. A programação inclui cursos e oficinas ministrados por especialistas das mais variadas áreas, como literatura, arte, escrita, filosofia, música, história, psicologia, arqueologia, religião, política e gastronomia. Oferecidos em vários formatos, os cursos podem durar de quatro a oito encontros, normalmente com duas horas de duração cada.

As empresas estão mais conscientes dos benefícios de ter funcionários que, além de muito bons em suas funções, também possuem aptidões em outras áreas do conhecimento. “A iniciativa visa atrair públicos de todas as idades, com diferentes formações acadêmicas. Todos têm em comum a vontade aprender, pensar e compartilhar o saber”, afirma Takla. Ele acredita que esse tipo de iniciativa se reflete em funcionários mais criativos, antenados com novas tendências e com uma cultura geral mais ampla, o que ajuda a gerar valor para a empresa. “Na maior parte dos casos, a empresa nos procura já com um tema em mente, discutimos em conjunto para chegar a um ou mais cursos”, explica.

A Casa do Saber, espaço que promove cursos livres, oficinas, palestras e debates, também atende a esse tipo de demanda e já levou professores para falar de filosofia em diversas instituições financeiras, empresas multinacionais e grandes escritórios de advocacia, como Mattos Filho, Pinheiro Neto e Machado Meyer, segundo Mario Vitor Santos, diretor-executivo da instituição.

Alicerce cultural

"As empresas não fazem isso por ser uma tendência passageira, mas por uma necessidade premente. A situação atual exige profissionais com produção intelectual muito mais ampla, que lhes estimule a entender situações complexas de forma inovadora e revolucionária”, explica Santos. “Estamos falando de algo que não se limita, e vai bem além de um treinamento, mas do reforço de alicerces fundamentais no plano histórico, filosófico e científico”, completa.

Para atender às solicitações de cada empresa, a Casa do Saber oferece a opção de escolha entre os cursos que já integram a programação da casa – que podem ser adaptados na forma de palestras ou reproduzidos com um determinado número de aulas – e a possibilidade da elaboração de um tema específico, que não necessariamente esteja na programação.

Segundo Takla e Santos, a busca por esse tipo de serviço tem sido mais frequente nas grandes empresas, que possuem políticas de investimento profissional mais abrangentes e estruturadas, e que têm na gestão de pessoas um de seus pilares estratégicos para o sucesso.

Resultados aparentes

A KPMG, multinacional de auditoria, aposta nesse tipo de projeto para motivar a equipe, oferecendo aulas sobre os mais variados temas, como vinhos, churrasco, arte contemporânea e fotografia. “As empresas têm dado sinais muito fortes de que o conhecimento é um recurso econômico extremamente importante para a competitividade no mercado. Isso está levando à identificação de novas oportunidades de negócio e a formas inovadoras de utilizar estrategicamente os ativos intelectuais. Por isso, temos investido fortemente em cursos que agregam às competências técnicas com o intuito de ter profissionais mais preparados, não somente tecnicamente como também culturalmente”, justifica Cristina Bonini, diretora da KPMG Business School, área da companhia responsável pelos treinamentos oferecidos aos funcionários.

Segundo a diretora, cursos não relacionados com a atuação profissional oferecem maiores possibilidades de interação e influência com os clientes e executivos, gerando bons resultados nas relações de negócios. Por isso, são oferecidos para os gerentes, diretores e sócios como uma forma de desenvolvimento. “Começamos a oferecer esses cursos há cerca de um ano, quando percebemos a necessidade de que os profissionais adquirissem novos conteúdos que colaborassem com os relacionamentos empresariais, além de ser um motivador pessoal, por serem de interesse geral”, explica Cristina. “A idéia é prosseguir e apresentar novos temas, para que os profissionais possam optar pelos assuntos pelos quais mais se interessam e se identificam, promovendo a disseminação da cultura geral dentro da KPMG”, finaliza.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 29/02/2012.