Alimentação e saúde dos trabalhadores também é assunto da empresa

Data 06/06/2016

*Por José Carlos Carneiro

Frequentemente, lemos matéria nos jornais de grande circulação ou nas revistas semanais abordando o tema obesidade e suas consequências. E não estamos falando apenas dos aspectos psicossociais. O sobrepeso e a obesidade são definidos principalmente pelo índice de massa corpórea (IMC). É claro que existem outros índices de avaliação de peso e não é nossa intenção discuti-los aqui. Nosso objetivo é apenas chamar a atenção do assunto na esfera das empresas e de seu conjunto de trabalhadores. Como as organizações podem influenciar na mudança dessa história, cujo desfecho já sabemos?

Estamos falando de problema de saúde pública, aqui e em todo o mundo. Para termos ideia, dados brasileiros obtidos pelo Ministério da Saúde em 2014 mostram que 52,5% de nossa população está acima do peso e 17,9 % está obesa. Nos Estados Unidos, cujo modelo de alimentação serve de inspiração a muitos jovens brasileiros, aproximadamente 35% dos adultos são obesos. Os dados são da pesquisa realizada pelo instituto National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES), com 9.120 participantes, entre 2011 e 2012.

A obesidade frequentemente está associada a hipertensão arterial, alterações no metabolismo das gorduras (aumento do colesterol), resistência do organismo à ação do hormônio insulina, que transforma o açúcar em energia, levando a diabetes. Algumas pessoas, por apresentarem discretas alterações em cada uma dessas acima citadas, acredita não apresentar risco de doença cardiovascular, mas na verdade o seu sobrepeso associado a essas “pequenas alterações” leva a síndrome metabólica, o que aumenta a chance de desenvolver doenças cardiovasculares em pelo menos três vezes. O aumento da quantidade de tecido gorduroso também aumenta a secreção de substâncias inflamatórias e hormônios indesejáveis, que podem favorecer a elevação da pressão arterial e o aumento das taxas de glicose. 

Como já sabemos, a obesidade é reconhecida como importante fator de risco para doenças cardiovasculares. Há, também, a associação da obesidade com a deterioração da função cardíaca, já que o coração é como uma bomba e seu papel é impulsionar o sangue na direção das artérias. Por isso, se faz tão necessário dar uma atenção especial aos trabalhadores obesos e àqueles que já apresentam doenças cardíacas.

Outro ponto que vem ganhando destaque nos últimos anos são as crianças e adolescentes com excesso de peso. Este assunto está relacionado aos aspectos sociais e culturais. Importante citar que um estudo realizado no Brasil, envolvendo 4.609 crianças de 6 e 11 anos, apontou que 24,5% deles estavam com peso superior ao esperado para a idade, conforme publicado em revista da Sociedade Brasileira de Cardiologia. 

Esses jovens, são os nossos trabalhadores de amanhã e candidatos a uma prevalência de hipertensão e alterações no colesterol. Isso em última análise representa aumento de risco cardiovascular, aumento do custo social e morte prematura. 

Nesse sentido, sabemos que a cultura de saúde difundida nas empresas tem poder para estimular os trabalhadores a levarem um novo comportamento para dentro de seus lares. Assim, ao incentivarmos hábitos saudáveis nas organizações, influenciaremos positivamente o padrão de alimentação, o combate ao sedentarismo e construiremos uma espiral positiva para a saúde de todos. 

*José Carlos Dias Carneiro é Médico do Trabalho e Cardiologista, Presidente da Associação Brasileira das Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho (ABRESST) e Diretor Médico da ESAME Medicina do Trabalho.

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