Amigos ou colegas de trabalho?

Data 05/06/2012

A resposta a estas perguntas não é fácil, afinal significa saber até onde se misturam as vidas pessoal e profissional. A mistura entre ambas pode contribuir para o estreitamento de laços de amizade e afeição, mas também implica risco de exposição desnecessária, que pode se refletir no ambiente de trabalho. A fórmula certa ninguém tem, mas o equilíbrio é a palavra-chave para evitar constrangimentos.

A informalidade das relações no ambiente de trabalho, bastante comum em alguns segmentos, contribui para aumentar a confusão. “O limite é o bom senso do profissional em ver até onde ele quer e pode abrir sua vida pessoal para os colegas de trabalho, sem que, no futuro, isso comprometa responsabilidades na empresa”, pondera Andreza Santana, gerente de Marketing da Monster Brasil. Ela exemplifica: você convida o vizinho mais próximo para a sua festa de aniversário, mas não convida o bairro inteiro. “O mesmo se aplica ao ambiente de trabalho, onde é indicado convidar alguns amigos com os quais se tem mais afinidade”, explica.

O importante é que o interesse em convidar o pessoal do escritório para eventos pessoais não seja profissional. É fundamental que a pessoa tenha afinidades e goste da companhia dos colegas de trabalho. Por isso, não chamar ninguém do seu trabalho não é nenhum problema. “Ninguém é obrigado a conviver com colegas de trabalho e chefes fora do ambiente profissional para causar boa impressão. É melhor manter distância do que chegar a uma situação constrangedora, só porque os convidou por obrigação”, afirma Andreza.

Há empresas que incentivam o relacionamento informal entre os membros da equipe. “A amizade entre os profissionais precisa realmente existir. Quando há respeito, o envolvimento acaba sendo um prazer”, acredita Vanessa Prado da Silva, gerente de Recursos Humanos da Leads Transportes. Na empresa, faz parte das atividades do RH criar um clima organizacional agradável e amistoso para que colegas de trabalho se relacionem da melhor maneira possível.

 

Na Leads Transportes, o RH procura orientar os profissionais em relação às vidas particular e profissional. “É nosso objetivo promover o bem-estar do colaborador e, com reuniões periódicas, os gestores trabalham esse assunto com os funcionários, mostrando a importância de ter uma vida além do trabalho”, diz Vanessa. Mas isso não quer dizer, necessariamente, que os colegas de trabalho devam se transformar em amigos. “A mudança não deve ser automática nem forçada. E é isso que tentamos deixar claro, sempre”, diz.

Compartilhamento tem limite

Outra saia justa são as redes sociais. Adiciono o chefe ou não? Adicionar pode fazer com que o profissional tenha que se policiar, sabendo que está sendo monitorado pelo superior. Não fazê-lo pode ser entendido como uma atitude grosseira. Neste caso, vai depender do uso que o profissional quer dar à sua rede social. Vanessa conta que na Leads Transportes é muito comum que colegas e chefes interajam virtualmente por meio das redes sociais. Mas alerta que os limites precisam existir. “Infelizmente algumas pessoas misturam e muitas vezes atrapalham o bom andamento do trabalho quando envolvem questões pessoais, mas cabe aos gestores estarem atentos e próximos para conversar e resolver os problemas”, afirma.

Se o profissional gosta de compartilhar com amigos mais próximos as fotos das férias, fins de semana e os momentos de lazer, ele deve analisar se essa é uma informação que ele habitualmente também divide com os chefes e colegas de trabalho. “Caso negativo, não faz muito sentido adicioná-los às redes sociais”, alerta Andreza. Por outro lado, a consultora explica que se o profissional entender – e cada vez é maior essa tendência – que via redes sociais é possível promover um networking saudável – com o compartilhamento de experiências profissionais, hobbies, visão de mercado e interesses comuns -, a convivência virtual com colegas e chefes passa ser interessante.

É importante lembrar que as redes sociais trazem também recursos e possibilidades distintas de compartilhamento de conteúdo. O Facebook, por exemplo, permite ao usuário criar listas com os contatos que podem acessar determinadas informações, enquanto outros amigos ficam sem “enxergar” essa atualização – assim, caso o usuário adicione colegas de trabalho, pode controlar melhor o que ali é visto. O Facebook também tem aplicativos voltados especificamente ao networking profissional, como o Beknown (go.beknown.com) por meio do qual o usuário filtra as informações profissionais e adiciona os contatos relevantes, como colegas de universidade, pós-graduação, colegas de trabalho e chefes, mantendo um ambiente mais controlado e direcionado para oportunidades profissionais, sem que as atualizações rotineiras da página sejam vistas por todos.

 

Esta notícia foi publicada no Canal RH, em 14/05/2012