Apesar das resistências, um plano de cargos e salários só traz vantagens, garantem especialistas

Data 25/10/2010

Plano de cargos e salários não é coisa do passado. É o que garantem especialistas que consideram o mecanismo de definição de atividades e remuneração essencial para o bom funcionamento de uma empresa. O segredo do sucesso, no entanto, é apostar em um plano muito bem concebido e nunca deixar de analisar a participação de cada funcionário no negócio com base nas características próprias de cada um. Uma comunicação clara e eficiente também contribui decisivamente para o êxito do projeto.

“Só é possível enxergar cada funcionário individualmente quando o RH tem ferramentas de gestão implantadas e, entre elas, incluímos o plano de cargos e salários. A ferramenta é imprescindível em uma organização que precisa se manter organizada, produtiva, competitiva e lucrativa”, explica Sônia Carminhato, diretora comercial do Grupo Soma.

A organização é um dos principais atributos desse mecanismo, principalmente na hora em que novos colaboradores precisam ser integrados ao quadro. “São muitas e constantes as mudanças que ocorrem nas empresas e que necessitam de efetivação de novos profissionais com as mais variadas funções. Por isso, estabelecer um plano de cargos e salários é interessante tanto para os empregadores quanto para os empregados”, diz Hegel Botinha, diretor do Grupo Selpe Recursos Humanos.

Um bom plano de cargos e salários, segundo Botinha, ajuda, e muito, a manter os funcionários motivados. “O plano permite, em uma de suas etapas, que se conheçam as funções de cada funcionário de maneira detalhada, seu esforço e sua capacidade intelectual e técnica por meio de formulários e entrevistas”, diz. O mecanismo possibilita analisar melhor a estrutura organizacional e dos processos, promove pesquisas salariais e planos de carreira.

“A única desvantagem que vejo é a resistência dos colaboradores”, explica o especialista. Ele ensina que as empresas devem explicar aos funcionários a importância do plano, todas as etapas que o compreendem, as vantagens e os motivos da iniciativa para que essa barreira seja ultrapassada.

Sob medida

Para o plano de cargos e salários funcionar, não basta apostar em um modelo pré-estabelecido. Ele não é uma ciência exata e é sempre necessário ficar de olho às necessidades e às características de cada organização. “Não conheço duas empresas que tenham as mesmas necessidades, elas são organismos vivos e dinâmicos. Sendo assim, cada projeto de política cargos e salários deve ser desenvolvido levando em consideração as particularidades e o momento da empresa”, explica Sônia.

Também, é preciso que os funcionários estejam abertos para recebê-lo e conscientes da vantagem que ele traz, motivo pelo qual uma comunicação eficiente é fundamental. O enquadramento do funcionário em uma categoria do organograma da empresa deve ser feito em uma reunião de feedback com a chefia imediata. “O líder deve explicar os motivos do enquadramento e dar a oportunidade de o funcionário expor a sua opinião e seus argumentos. Caso o funcionário não concorde, pode ser feita uma reavaliação”, diz Sônia.

O resultado dessa segunda análise deve ser comunicado em uma nova reunião, mais uma vez explicando o porquê da conclusão final.

Hora de planejar

  • Para fazer um plano eficiente, é necessário um trabalho intenso de avaliação da empresa e dos funcionários. Hegel Botinha ensina o que não pode faltar em um bom plano de cargos e salário.
  • Esclarecer a situação aos funcionários antes de iniciar o processo de elaboração do plano.
  • Mãos à obra: deve ser feita uma avaliação do organograma atual e dos processos da empresa. As áreas funcionais devem ser separadas em operacional, administrativo/ técnicos e executivos. Assim, dá par avaliar os diversos cargos.
  • Os profissionais devem preencher questionários – desde os que têm cargos mais baixos até os executivos responsáveis pela gestão da empresa.
  • Depois, é hora de elaborar minutas, nas quais devem vir descritas as funções, responsabilidades e habilidades de cada cargo. Junto com um organograma de processos formalizados, elas devem ter o objetivo de otimizar as relações de trabalho, já que explicitam o papel que cada funcionário ocupa dentro da empresa.
  • A pesquisa salarial é outra etapa importante, pois verifica se os funcionários estão sendo remunerados de acordo com os salários praticados no mercado.
  • O processo deve compreender, também, um plano de carreiras. A partir dele os funcionários criam perspectivas em relação à carreira na empresa e buscam se aprimorar a fim de buscar a ascensão profissional.

Plano infalível

Já Sônia Carminhato dá 12 razões para explicar por que um plano de cargos e salários é essencial para empresas de todos os portes.

  1. Permite administrar e desenvolver cargos e salários que atendas às necessidades da empresa com o padrão de qualidade esperado.
  2. Estrutura e organiza os cargos e salários dos funcionários.
  3. Ajusta a empresa às necessidades atuais do mercado no que diz respeito aos cargos e aos salários.
  4. Alinha os objetivos organizacionais com os pessoais entre a empresa e seus colaboradores.
  5. Organiza a estrutura da empresa de moda a possibilitar a racionalização das tarefas.
  6. Define os papéis de cada cargo.
  7. Dá subsídio à definição de metas por cargo e função e ao estabelecimento de indicadores de desempenho.
  8. Permite a elaboração dos processos de recrutamento e seleção por competências e habilidades, a avaliação de desempenho e potencial e o plano de sucessão.
  9. Diminui o contencioso trabalhista.
  10. Gera sentimento de evolução salarial e carreira entre os funcionários.
  11. Estimula o autodesenvolvimento dos colaboradores para que se encaixem nos requisitos da função.
  12. Cria um sistema permanente de incentivo para aperfeiçoamento dos colaboradores para fins de promoção e carreira.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 21/10/10.