Apple e Facebook oferecem congelamento de óvulos como benefício

Data 20/10/2014

As maiores empresas do Vale do Silício sempre ofereceram benefícios confortáveis para atrair talentos e manter funcionários felizes enquanto eles dedicam longas horas ao trabalho. Mas além dos mimos diários, o Facebook e a Apple agora vão oferecer até US$ 20 mil em benefícios para ajudar funcionárias a pagarem por tratamentos de infertilidade, doação de esperma e até congelamento de óvulos.

A medida foi tomada em um momento de competição dura por engenheiros qualificados, ao mesmo tempo em que muitas das grandes empresas de tecnologia tentam diversificar sua mão de obra dominada por profissionais do sexo masculino. O Facebook começou, neste ano, a oferecer reembolso de até US$ 20 mil para custos relacionados a reprodução, ao longo do período de emprego. O benefício da Apple, similar, começa no ano que vem.

"Qualquer coisa que dá às mulheres mais controle do seu prazo de fertilidade vai beneficiar profissionais do sexo feminino", diz Shelley Correll, professora de sociologia e diretora do instituto de pesquisa de gêneros da Universidade de Stanford. "A medida potencialmente resolve conflitos entre o relógio biológico e a progressão de carreira das mulheres, pois o momento mais importante para solidificar sua carreira muitas vezes coincide com o período de maior fertilidade para a mulher."

A decisão da Apple e do Facebook também pode ajudar casais homossexuais que queiram usar doação de esperma ou processos de barriga de aluguel para ter filhos, ou casais heterossexuais que precisem usar fertilização in vitro mas não tenham esses custos cobertos pelo plano de saúde. A Apple também reembolsa os custos de processos de adoção.

De acordo com a consultoria de recursos humanos Mercer, benefícios relacionados a tratamentos de infertilidade estão se tornando mais comuns entre grandes empregadores. Entre empresas com mais de 500 funcionários, no ano passado 65% cobriram os custos do início de uma avaliação de um especialista em fertilidade. Em 2008, eram 54%. Menos de um terço das empresas não ofereciam cobertura de nenhum tipo tratamento contra fertilidade no ano passado, contra 41% em 2008. Mas cobrir os custos do processo de congelamento de óvulos é algo raro, segundo Corey Whelan, da Associação Americana de Fertilidade, que diz que nunca tinha ouvido falar de empresas ou planos de saúde que oferecem o procedimento para mulheres que querem adiar a gravidez por razões não-médicas.

No geral, a viabilidade de um óvulo pode diminuir após os 27 anos de idade da mulher e sofrer uma queda maior por volta dos 35 anos. Entretanto, o número de mulheres que tiveram seu primeiro filho entre os 40 e 44 anos mais do que dobrou nos últimos 20 anos, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças. A medida em que mais mulheres esperam mais tempo para ter seu primeiro filho, o número das que escolhem congelar seus óvulos cresce "exponencialmente", segundo Alan Copperman, um especialista em fertilidade no Mount Sinai Hospital. Mas o processo pode custar mais de US$ 10 mil, além dos custos de manutenção, de centenas de dólares por ano. O custo de fertilizar os óvulos e inserí-los no útero pode custar mais alguns milhares de dólares.

O número de pacientes com óvulos congelados no Centro de Fertilidade da Universidade de Nova York subiu para cerca de 400 neste ano, de apenas cinco em 2005, diz Nicole Noyes, especialista do centro. Ela diz que alguns grandes bancos já cobrem os custos do procedimento e que espera que escritórios de advocacia façam o mesmo, se eles quiserem manter boas funcionárias mulheres.
 


Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 15/10/2014

Compartilhe:

Comentários