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As pessoas no caminho do jovem gestor

Data 02/09/2013

Aos 26 anos de idade, Mateus Passos assumiu seu primeiro cargo de gestão: tornou-se gerente comercial da Tour House, empresa onde já estava havia oito anos. Ele, no entanto, admite que era imaturo para lidar com pessoas e não sabia delegar. "No começo foi bem complicado, precisava domar a ansiedade e mostrar resultados", conta. Logo, a situação pesou e, tempos depois, ele foi "colocado na geladeira" para refletir e aprender. Continuou gerente, entregando projetos, mas sem a gestão de pessoas.

Mateus Passos certamente poderia ser parte da amostra da pesquisa "Desafios e Competências de Jovens Gestores 2013", feita pela Fundação Dom Cabral, que ouviu 568 pessoas, sendo 287 profissionais de recursos humanos e 281 gestores com até 10 anos em cargos gerenciais. Justamente lidar com pessoas e enfrentar diferenças geracionais foram os grandes desafios apontados no estudo por novatos e gestores de RH.

Segundo a coordenadora do Programa Liderando Amanhã, da FDC, Marta Campello, normalmente, a maioria das pessoas não tem habilidade de liderança desenvolvida, e os jovens menos ainda, pois estão amadurecendo e têm dificuldade de compreender tudo que está no seu entorno. "É preciso ter autoconhecimento, conhecer suas características e saber administrá-las", diz. Passos, por exemplo, conta que agia "a ferro e fogo", sem muita paciência com os componentes do seu time.

Hoje, já com mais experiência, Passos acredita que a falta de autoconhecimento travou seu desenvolvimento durante sua primeira gestão. "O maior desafio foi ter segurança e conquistar respeito daqueles que eram meus pares e que passaram a ser subordinados, além de trabalhar com pessoas de idades distintas", conta.

No período em que esteve na "geladeira", constatou que precisava amadurecer profissionalmente e aprender a lidar com as pessoas nesse contexto de chefia. "Procurei, com a ajuda da empresa, um coach para entender onde tinha falhado." Para Passos, o trabalho de coaching foi importante e agregador. "Desenvolvi competências comportamentais." Dois anos depois, ele conseguiu se reposicionar na empresa e, quando estava com quase 30 anos, voltou para a função de gerência, pronto para liderar também pessoas.

"O resultado foi diferente, meu comportamento como gestor era outro. Havia entrega de resultados e liderança. Com o bom trabalhado, apresentado fui promovido a diretor."

Hoje, aos 37 anos, ele lembra que, aos 26 anos, tinha energia, vontade de fazer, mas faltava habilidade para realizar algumas atividades, como aquelas que envolviam lidar com o outro, construir e administrar os relacionamentos exercendo o papel de líder.

Somente depois dessa experiência, ele acredita que atingiu a maturidade. E, depois de 16 anos na empresa, saiu em busca de novos desafios, ficou dois anos em outra empresa e recentemente retornou à casa.

Hoje, o feedback é o mais importante para ele. "Ouvi de um funcionário que, além de competente, eu estava mais leve no cargo. Para mim, isso é resultado de inteligência emocional, de uma política clara dos processos e de me importar com as pessoas. Com o amadurecimento e com essa nova postura, conquistei, em quatro anos, 100% de aumento. Isso é relevante."

Os desafios fazem parte da carreira, segundo a coordenadora da FDC. "E, quanto mais cedo temos desafios profissionais, mais chances de aprender e se desenvolver", acredita.

Com apenas 23 anos, Camila Santos Silva gerencia o departamento administrativo financeira da Dinâmica Telecom, em Vila Velha (ES). Responsável por uma equipe de oito pessoas, está no cargo há seis meses. Assumiu o posto depois da saída da gestora da área. Ela se considera uma jovem com atitude e conta que a chefe sempre permitiu que ela participasse e opinasse a respeito de melhorias nos processos e procedimentos. Isso, diz, ajudou no seu crescimento e a se tornar líder.

"Eu senti medo quando assumi o posto, sou nova, sem muita experiência. Mas tinha como aliados o conhecimento da área e a vontade de crescer. É um desafio. A empresa apostou em mim, e eu quero devolver com uma boa gestão", diz.

Camila é a mais jovem da equipe. Conta que foi alertada para possíveis problemas, devido às diferenças de idade, mas garante que não teve aborrecimentos. "Eu converso bastante com a equipe, sou transparente para que eles confiem em mim."

Reconhecendo que precisa aperfeiçoar as competências ligadas a inteligência emocional, Camila decidiu participar de um curso voltado para jovens gestores. "Eu faço o curso da Fundação Dom Cabral porque a proposta está alinhada com o que busco para minha carreira: aprimorar a maneira de fazer e de como ser gestor, saber analisar e delegar."

A jovem considera que já tem o básico, que é a formação técnica. "Agora, preciso desenvolver as habilidades comportamentais. O curso vai me ajudar a lidar com as emoções do dia a dia e trabalhar melhor com a minha equipe", espera Camila.
 


*Essa notícia foi publicada no site Estado de São Paulo, em 01/09/2013

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