As vantagens e os riscos do home office

Data 17/08/2011

Se todos os norte-americanos com potencial para trabalhar em casa adotassem o home office, o governo dos Estados Unidos economizaria algo em torno de US$ 14 bilhões e as empresas mais de US$ 260 bilhões. Os dados, levantados pela pesquisa Undress for Success – The Naked Truth about Working From Home, revelam que, embora 33 milhões de norte-americanos tenham interesse de trabalhar em casa, apenas seis milhões adotam essa modalidade de trabalho atualmente.

Assim como indicado em outras pesquisas, as empresas ganhariam, ainda, em produtividade. Pelo menos é o que afirma a enquete realizada com os visitantes do site da empresa Citrix Systems, na qual 77% das pessoas acreditam ser mais produtivas quando trabalham fora do escritório e 21% apostam que a produtividade é igual e os 2% restantes das pessoas se sentem mais produtivas dentro do escritório.

Quando o assunto é teletrabalho, a realidade brasileira não é muito diferente, conforme indicou pesquisa realizada em 2009 por alunos do último ano do curso de administração da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado). Para os 72 profissionais que haviam adotado o home office, em diversas cidades, a modalidade ainda não é estimulada pelas empresas e pelo governo.

A falta de amparo legal foi a principal evidência sinalizada pelos profissionais que, na maioria, não possuem o contrato formal de trabalho. Para Anderson Costa – jornalista que mantém o site Movebla, com conteúdo especializado em home office –, o principal entrave à ampla adoção desse formato é a própria legislação trabalhista e a resistência das empresas em adotar o modelo.

“Existe um projeto de lei em tramitação na Câmara para regular o teletrabalho, uma vez que nossa lei prevê o formato, mas não o detalha nem dá resguardos ao trabalhador”, afirma.

“A maioria das empresas ainda acredita ser melhor manter os funcionários concentrados em um lugar só, como em um grande pólo de trabalho no centro da cidade, esquecendo de avaliar que esta solução incha as grandes cidades e os meios de transporte”, lamenta.

Validando entregas

Muitas atividades podem ser beneficiadas com o home office, especialmente aquelas cuja a produtividade dependa diretamente da tecnologia ou profissionais que dispensam estrutura física de trabalho, como os de comunicação, engenheiros e consultores.

No entanto, o controle sobre a produtividade dos funcionários que não trabalham dentro da estrutura física da companhia deve ser feito a partir das entregas realizadas. “O teletrabalho exige monitoração maior da empresa e é justo que ela observe como estão sendo feitas as entregas e em quantas horas, adotando sistemas de controle online, por exemplo”, afirma Costa.

Uma estratégia, inúmeras possibilidades

Algumas empresas que já adotaram o home office como modalidade têm relatado ganhos decorrentes dessa estratégia. É o caso da IBM, que aplica um modelo de teletrabalho misto, em que o profissional escolhe os dias em que prefere ir ao escritório. A modalidade é usufruída por cerca de 10% dos funcionários da companhia.

Em outras organizações, como a DuPont, o profissional pode trabalhar em casa e fazer uso de licenças não remuneradas para fins de estudo ou para aumentar o período da licença maternidade. Eles têm, ainda, a flexibilidade de adaptar os horários de trabalho conforme as suas necessidades.

Na empresa de telefonia Ericsson, o projeto ainda é comedido no formato. Cerca de 500 profissionais podem trabalhar em casa pelo menos uma vez por semana e a empresa visa estimular a produção dos funcionários sem com isso aumentar a emissão de CO².

Dicas para criar e tornar produtivo o escritório em casa

Embora, na opinião de Costa, seja importante respeitar as preferências individuais ao organizar o espaço e a rotina de trabalho em casa, algumas dicas podem ajudar a dar os primeiros passos. Confira:

1 – Escolha do ambiente de trabalho

  • Reserve um espaço exclusivo para o trabalho, preferencialmente um cômodo separado do restante da casa.
  • Dessa forma, as demais pessoas conseguem entender que você está, efetivamente, trabalhando e não de folga.
  • Não deixe de pensar na melhor maneira de iluminar, ventilar, decorar e mobiliar o espaço.

2 – Móveis e equipamentos

  • Não improvise. O ideal é contar com móveis de escritório, com armários e gavetas que facilitem a organização.
  • Computador, telefone e impressora devem estar instalados adequadamente.
  • Recursos de comunicação, como messengers e redes sociais, também podem ser extremamente úteis para a produtividade.

3 – Horários

  • Não abuse da flexibilidade de horários e procure adequar a rotina para o horário comercial. “É mais comum a todos e não deixa você passar a noite trabalhando e esquecer da família e do lazer”, lembra Costa.
  • É essencial também respeitar os horários de alimentação, sem cair na tentação de assaltar a geladeira ou até mesmo pular as refeições.
  • Com a devida organização é possível, inclusive, pensar em formas mais saudáveis de se alimentar.

BENEFÍCIOS X RISCOS

Confira as vantagens e riscos do trabalho à distância tanto para a empresa quanto aos profissionais.

Para a empresa

Benefícios
– Economia de espaço físico e de infraestrutura para abrigar os funcionários
– Eliminação das despesas com locomoção e alimentação fora de casa
– Funcionários mais independentes e, consequentemente, criativos
– Possibilidade de reduzir custos com empregados e encargos sociais
– Redução nos custos dos serviços – com melhoria da qualidade
– Otimização das atividades realizadas

Riscos
– Perda do contato direto com o trabalhador e menor controle sobre sua produção
– Perda das relações humanas – especialmente quando há muitos empregados trabalhando no regime à distância.

Para o profissional

Benefícios
– Flexibilidade de horários de trabalho
– Mais conforto ao trabalhar e ao escapar do trânsito
– Maior proximidade com a família

Riscos
– Além dos citados acima com relação à empresa, maior tendência à dispersão provocada pelo fato de estar em casa. Exemplo: geladeira, TV, outras pessoas da família, cachorro latindo, tarefas domésticas etc.

Essa notícia foi publicada no Portal HSM, em 15/08/2011.