Autonomia para as equipes estimula maturidade profissional

Data 23/12/2013

A conhecida Lei de Coulomb que serve de base para os estudos para a física elétrica, afirma que "Os opostos se atraem". Ou seja, uma carga elétrica positiva puxa para si uma negativa. Isso já foi comprovado cientificamente e o eletromagnetismo está aí, para reforçar, caso alguém queira contestar.

Contudo, quando se trata de pessoas nem sempre os opostos fazem questão de ficarem tão próximos um do outro, principalmente quando convivem diariamente no ambiente organizacional. Diferenças à parte, é preciso formar times com talentos que se completem, que estejam conectados e ao lidar dar com equipes de alta performance é possível constatar que geralmente são formadas por pessoas diferentes em suas caraterísticas físicas e até mesmo intelectuais, mas sempre existe um ponto comum entre seus membros. Caso contrário, os objetivos desejados não seriam alcançados.

Na Dextra, empresa que atua no desenvolvimento de softwares, a formação de equipes perenes tornou-se uma marca na Gestão de Pessoas. Oficialmente, essa ação começou no início de 2013, mas o conceito já vinha sendo trabalhado há cerca de dois anos. Para que a prática fosse adotada, a organização fez um teste com algumas equipes que responderam positivamente ao novo modelo de gestão. A partir desses resultados, a iniciativa foi estendida a todos os demais times, no início deste ano.

Segundo Luiza Coelho, analista de Recursos Humanos da Dextra, boa parte da formação das equipes tem ocorrido por iniciativa dos próprios colaboradores. Os grupos começaram a se unir naturalmente em torno de projetos e outros grupos reuniram-se a partir de afinidades e complementaridades das pessoas. Vale destacar que o acompanhamento das equipes é feito através de reuniões periódicas, onde o time apresenta seus resultados e discute ações para seus problemas com um conjunto de líderes da empresa. Existe também um painel de indicadores on-line, que mostra a situação de cada projeto da empresa em várias dimensões que permitem o acompanhamento do desempenho dos colaboradores de forma rápida e a situação dos trabalhos.

A analista de RH afirma que não existem critérios específicos para que os profissionais integrem as equipes perenes. "O mais importante é que haja diversidade e um equilíbrio de perfis nos seus membros. Possuímos um conjunto de competências e conhecimentos que busca em todos os colaboradores que fazem parte da empresa, mas. Além disto, não existe nenhum pré-requisito especial para uma pessoa integrar um desses times", reforça.

Sem líder

Como uma das características das equipes perenes é a ausência do líder, Luiza Coelho comenta que a empresa confia na capacidade de seus colaboradores, que cada vez mais demonstram maturidade e competência para operar sem microgerenciamento. Além disso, o empowerment ajuda as pessoas a terem autonomia e comprometimento no trabalho.

A ausência de um líder formal, por sua vez, abre espaço para o que a empresa considera como liderança emergente, na qual em diferentes momentos do projeto, diferentes pessoas têm a oportunidade de exercer a responsabilidade de líder, de acordo com as suas habilidades. Ou seja, a equipe se auto-organiza para executar e controlar suas próprias atividades. Já a mensuração do atingimento de metas é realizada através dos indicadores de desempenho do projeto, e da avaliação do próprio time sobre seus resultados e possibilidades de melhoria.

"A característica principal destes times é não terem uma duração definida. Acreditamos que o crescimento da empresa e das equipes vai naturalmente provocar os ajustes e as evoluções necessárias", enfatiza a analista de Recursos Humanos, ao sinalizar que o benefício principal desta experiência tem sido a formação de times mais efetivos, a partir do maior entrosamento criado entre as pessoas. A empresa, acredita, ainda, que este formato de gestão favorece o desenvolvimento individual das pessoas, ao criar um espaço de trabalho que proporciona mais autonomia e ao mesmo tempo mais feedback.

Fortes laços

Como os times perenes não são transitórios, os laços entre os profissionais tornam-se cada vez mais fortes. Assim que um projeto é concluído, por exemplo, a equipe permanece e logo recebe um novo desafio. "As equipes são células de identidade própria e passam por desenvolvimento contínuo. Esta prática subverte os conceitos tradicionais no modelo de gestão, mas é uma forma de tornar profissionais mais maduros, capazes de crescer e de gerar mais valor e qualidade para o negócio", conclui Luiza Coelho.

 

*Essa notícia foi publicada no site RH.com.br, em 16/12/2013

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