Avaliação psicológica como ferramenta de retenção de talentos

Data 17/03/2014

LG: De que forma a avaliação psicológica pode se tornar uma ferramenta de retenção de talentos?

Flávia Garbo: A avaliação psicológica pode auxiliar em dois momentos. Primeiro, pode ser utilizada como uma valiosa ferramenta de apoio ao processo seletivo, fazendo com que as contratações sejam mais eficazes. E, em um segundo momento, o aproveitamento dos talentos internos pode ser mais eficaz, já que é possível mapear o perfil do profissional e ter mais clareza da compatibilidade do mesmo ao cargo proposto.

LG: Durante a avaliação psicológica quais são as principais características analisadas e quais técnicas são utilizadas para se alcançar os resultados esperados?

Flávia Garbo:
As características variam muito em virtude das competências necessárias ao cargo proposto. Mas, invariavelmente, são avaliados tanto traços comportamentais quanto habilidades específicas. Normalmente as avaliações são compostas por testes psicológicos, cuidadosamente selecionados para atender às necessidades de cada situação, além de uma entrevista com um psicólogo especializado.

LG: Como as empresas podem aproveitar os dados colhidos durante a avaliação psicológica para criar um plano de desenvolvimento mais adaptável a cada funcionário?

Flávia Garbo: Através da avaliação psicológica é possível ter clareza das competências e habilidades que o profissional tem mais facilidade para apresentar no âmbito profissional, bem como, aquelas que ele provavelmente terá que dispender maiores esforços para manifestar, ou seja, os pontos que lhe são destaque e os que ele poderia aprimorar.

LG: Ao adotar a avaliação psicológica como estratégia para retenção dos melhores talentos, quais os cuidados que as empresas devem ter para não criarem situações desconfortáveis e até mesmo passíveis de punição por danos morais?

Flávia Garbo: As empresas devem utilizar a avaliação psicológica como uma importante ferramenta de auxílio no processo decisório, porém, não decisivo. Ou seja, não é recomendável que alguém deixe de ser contratado ou promovido exclusivamente por causa da avaliação psicológica e, muito menos, que ela seja uma justificativa para negar uma oportunidade para um candidato, seja ele interno ou externo. Também é importante que o laudo seja tratado como documento confidencial e, caso o profissional queira um feedback da avaliação, a própria psicóloga que realizou o processo tem a condição técnica de oferecer este retorno de forma que o feedback seja construtivo para quem o recebe.

LG: Da mesma forma como pode ser utilizada na retenção de talentos, a avaliação psicológica pode ser usada para demitir um funcionário? Explique-nos.

Flávia Garbo: Não é comumente utilizado, pois a avaliação é mais utilizada nos momentos em que o gestor desconhece o perfil e/ou o potencial de um profissional. Neste caso, entende-se que já exista um acompanhamento do comportamento e das habilidades do profissional, bem como seus resultados, que, provavelmente, justificariam ou não um desligamento.

LG: É possível mensurar os resultados alcançados com o processo de avaliação psicológica? Se sim, explique-nos como isso é feito.

Flávia Garbo: É possível identificar os resultados pelo índice de rotatividade da organização, pois, na medida em que as contratações são realizadas com mais clareza de acordo com o perfil do profissional contratado, suas qualidades e suas dificuldades, as chances de desligamento em um curto espaço de tempo são menores. Além disto, o reaproveitamento dos profissionais em outras áreas da empresa permite que a mesma retenha seus talentos dentro da organização ao invés de perdê-los para o mercado, o que também contribui para uma manutenção do capital intelectual da empresa.

LG: Fique à vontade para acrescentar outras informações que julgar relevante.

Flávia Garbo: É cada vez mais comum no meio corporativo a ocorrência de demissões geradas por questões comportamentais. Por conta disto, é fato que cada vez mais as empresas buscam entender as habilidades e os traços psíquicos dos profissionais que pretendem contratar ou, até mesmo, promover, o que faz com que a avaliação psicológica seja uma ferramenta importantíssima – para alguns até indispensável – no processo de gestão de pessoas.


Avaliação psicológica como ferramenta de retenção de talentosFlávia Garbo é psicóloga com MBA em Desenvolvimento e Gestão de Pessoas pela Fundação Getúlio Vagas (FGV). Possui experiência de mais de 20 anos na área de Recursos Humanos, em vários segmentos, dentre eles, prestadoras de serviços e instituições financeiras, atuando de forma generalista e abrangente. Atualmente, é Gerente de Desenvolvimento Organizacional da Luandre, uma consultoria especializada em gestão de pessoas. Também é especialista em treinamento, desenvolvimento, seleção, comunicação interna, avaliação de desempenho, gestão de clima organizacional e endomarketing.

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