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Benefícios corporativos: como se adaptar às necessidades dos colaboradores?

Data 26/10/2021
Grupo de pessoas trabalhando felizes.

Todas as pessoas são únicas e cada uma tem preferências diferentes. Isso é comum, mas quando trazemos para a realidade das organizações, gerir as expectativas de cada colaborador pode ser desafiador. É nesse ponto que os benefícios corporativos ganham ainda mais importância. Como ter flexibilidade e personalização para atender as demandas pessoais, atrair e reter profissionais e mantê-los felizes na companhia?

Esse foi o assunto tratado no “Papo de Negócio: Gestão de Benefícios” promovido pela HSM, em parceria com a LG lugar de gente. Gabi Teco, Diretora Executiva da HSM Management, conduziu a conversa que contou com a participação de Beatriz Sairafi, Diretora Executiva de RH da Accenture; Jorge Feliciano, Executivo de Gente e Gestão do Grupo Martins S/A; Manoel Jardim, Diretor Executivo da BenTech; e João Carlos, Gerente Geral de RH do Grupo Itavema.

Eles falaram sobre a gestão de benefícios, que se tornou ainda mais urgente durante as mudanças trazidas pela covid-19. Isso porque o home office desvalorizou vantagens anteriores – que pararam de fazer sentido no novo contexto –, e abriu espaço para novos tipos de incentivos.

Separamos os principais pontos discutidos para que você descubra o que mudou, quais são as principais vantagens de benefícios que se adaptam às necessidades dos funcionários e como implementá-los no seu RH. Confira:

O que muda com o trabalho híbrido?

Com parte significativa da população brasileira vacinada e queda no número de casos de coronavírus, as empresas passam a questionar quando é o melhor momento de voltar ao espaço físico de trabalho e como esse processo deve ser feito.

Beatriz da Accenture, enxerga que fazer uma ponte entre o presencial e o home office tem sido o formato mais desejado pelos funcionários, já que atende a dois grupos. “O híbrido contempla aqueles que precisam estar em contato com outras pessoas, já que ficaram sozinhos na pandemia, mas também os profissionais no lado oposto, que querem permanecer em casa e ter essa flexibilidade. O modelo permite esse equilíbrio”, explica.

A Diretora defende que, apesar do modelo híbrido não ser considerado, por si só, um benefício – e sim um formato de trabalho –, na prática, os colaboradores fazem outra leitura. “De alguma forma, eles o percebem como um provento não tradicional. Cada vez mais as pessoas têm buscado flexibilidade e personificação de incentivos. É preciso pensar o que importa no meu momento de vida e carreira”, completa.

Nesse sentido, Jorge do Grupo Martins, argumenta que é necessário olhar para diferentes aspectos. “Cuidados com as condições de trabalho para quem está no híbrido, necessidade de investimento na saúde, ergonomia em casa, alimentação adequada, mesmo no home office, isso tudo é fundamental. Estamos indo além dos benefícios corporativos, é sobre bem-estar, algo mais amplo e que exige um olhar não mais opcional. É mandatório. A tecnologia vem para facilitar toda essa gestão”, afirma.

João do Grupo Itavema, lembra que, em vários setores, o presencial segue sendo uma realidade já que a interação face a face é critério para que o negócio aconteça. Já no back office, o cenário pode ser bem diferente.

“Se não adotar o sistema híbrido, você não vai mais conseguir contratar determinado perfil de profissional. A tendência é ter escritórios menores. Aqui, reduzimos o espaço para gerar outros benefícios de bem-estar. Nós já remodelamos aquele ambiente tradicional de mesa a mesa e colocamos as pessoas em um ambiente diferente e flexível”, conta.

Flexibilidade é um caminho sem volta

Hoje, o papel do RH é oferecer opções para as pessoas. Assim, elas poderão escolher quais benefícios corporativos fazem mais sentido, afirma Beatriz da Accenture. “Às vezes são coisas simples, por exemplo, permitir que o trabalhador divida o saldo no vale refeição e vale alimentação. Isso tem um valor agregado importante e ele sente que foi uma decisão personalizada”, avalia.

Para que essa adequação não seja trabalhosa, cara e burocrática, Jardim considera que a tecnologia deve dar a resposta. “Temos que construir uma oferta de benefícios que cubra diferentes cenários, requisitos e necessidades do colaborador. A tendência é que haja uma gama maior de vantagens, o que costumava ser extremamente custoso. Por isso, sempre precisamos pensar em fazer mais com menos e, por outro lado, não adianta criar uma solução que cause transtorno operacional. Então, o desafio é aumentar a oferta, sem trazer custos e sem aumentar o trabalho. Essa é a grande oportunidade”, pondera.

O gestor reforça que o desafio deu origem a uma solução que funciona como grande parceira dos RHs. “Foi pensando nisso que criamos a BenTech, para dar uma resposta muito mais estruturada e que ajude as empresas a elaborar esse elenco de oportunidades diante da distância geográfica, diferenças de expectativas, etc.”, conclui Jardim.

Já é realidade

Vale destacar que assumir essa postura na gestão de pessoas não é algo para o futuro. Iniciativas práticas foram compartilhadas pelos líderes no webinar, momento no qual Jorge do Grupo Martins, explicou sobre o aplicativo “Simplesfica”, criado pelo Grupo Martins e focado na saúde dos colaboradores.

Segundo o executivo, o aplicativo funciona da seguinte forma: “Ele oferece três grandes oportunidades: a primeira é o telemonitoramento da covid-19, no qual o funcionário pode fazer o teste em casa quando voltar de férias, por exemplo, com investimento da empresa. Temos também a telenutrição, para o colaborador receber em seu lar as instruções de uma nutróloga ou nutricionista, incentivando um cardápio adequado. E por último a telemedicina, com consultas sobre saúde mental e emocional. Nós vivemos esse tipo de solução graças à tecnologia”.

É importante observar que a flexibilização não tange apenas as demandas dos colaboradores, mas deve se adequar também ao ambiente de trabalho.

Sobre isso, Jorge compartilha justamente uma proposta positiva que não se adaptou à cultura de uma organização. “Tive uma experiência recente de quando trabalhava como consultor. Havia um desafio de metas para cumprir e oferecemos crédito de celular. Aqui em Uberlândia, alguém soube dessa história e me disse que queria implantar essa mesma medida na sua empresa. E eu disse que seria uma ótima iniciativa. Depois, a pessoa me disse que deu errado, já que naquela organização era proibido falar no celular durante o expediente”, explica.

Coerência com o que a empresa acredita

Um dos maiores desafios na estruturação de benefícios corporativos é alinhar interesses da organização com o dos colaboradores. “Se você contrata um jovem e oferece a ele duas opções de incentivos: créditos de celular ou assistência médica, ele pode preferir o primeiro, pois nunca vai ao médico. Mas a empresa sabe que é importantíssimo para o funcionário ter um convênio médico e odontológico”, adverte Jorge do Grupo Martins.

Ele acredita que essa concessão, deve passar por um processo de conscientização. “Disponibilizar benefício flexível pode parecer fácil, mas no dia em que esse colaborador precisar faltar, ele pode falar: vocês poderiam ter me alertado, pois agora precisei recorrer à rede pública de saúde”, exemplifica.

Olhar para as pessoas

A busca por versatilidade também traz resultados concretos para a organização, sobretudo quando o olhar do RH é cuidadoso em relação aos profissionais. Jardim da BenTech, relatou que uma tendência interessante é observar  os hábitos de saúde  desse colaborador e ver como isso pode refletir em um custo menor para ele.

“Eu fui Gestor de Assistência Médica no Santander e ficava olhando os números. Notava quando alguém não estava fazendo o preventivo e me perguntava: ‘o que posso fazer para ele fazer o preventivo? Posso dar no mês de aniversário todos os exames sem coparticipação? Posso fazer uma campanha de vacinação dos dependentes?’ Todas são medidas que o gestor pode realizar, que trazem retorno financeiro enorme e, mais do que isso, evita adoecimento. E não dá nem para calcular o ROI disso, é espetacular”, compartilha Jardim.

Sobre esse mesmo tema, João relata que alguns colaboradores, infelizmente, durante a pandemia, precisaram ir ao médico tantas vezes, que esse custo subiu. “Como Gerente de Recursos Humanos, você tem que olhar esse lado social. Se ele foi muito ao médico e a coparticipação dele aumentou razoavelmente, você deve atentar e propor para sua diretoria subsidiar isso. Eu acabei de fechar a folha de pagamento aqui, uma colaboradora minha trouxe essa questão e, de pronto, o presidente topou ajudar”, diz.

Engaje os gestores na causa

Por fim, é importante apontar que o profissional de RH não deve desempenhar esse trabalho sozinho. Será necessário engajar os gestores na causa. “O ouvido precisa estar muito atento e o embaixador dentro das áreas é a liderança, então envolva seus líderes para que eles tenham um mindset voltado para transformação e disrupção que vem por aí. Assim, você vai conseguir chegar perto das várias necessidades que o futuro nos traz em termos de benefícios corporativos”, finaliza João.

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