BID apresenta estudo sobre produtividade na América latina e no Caribe

Data 30/01/2012

 

Edição mais recente da principal publicação do BID mostra que a redução do trabalho informal, o aumento do crédito e a melhora do transporte podem impulsionar a produtividade.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) afirmou hoje que os baixos ganhos de produtividade são a principal razão para que as taxas de crescimento da maioria dos países da América Latina e do Caribe sejam inferiores tanto às de países desenvolvidos como de países similares na Ásia Oriental.

Esses dados estão na edição mais recente da principal publicação do BID, Desenvolvimento nas Américas. O estudo The Age of Productivity: Transforming Economies from the Bottom Up (A era da produtividade: transformando economias pela base) analisou a eficiência com que as nações estão utilizando seus recursos produtivos.

O estudo examinou os ganhos e perdas de produtividade em relação aos Estados Unidos em uma amostra de 76 países, entre eles 17 da América Latina e Caribe. O Chile foi o único país da região a aumentar sua produtividade em comparação com os Estados Unidos desde 1960. A produtividade do Brasil, o terceiro país com melhor desempenho na América Latina, declinou 2,5% quando comparada aos Estados Unidos no mesmo período.

Afastando-se da noção comum de que o crescimento da região é prejudicado pela insuficiência de investimentos, o estudo mostra que a América Latina e o Caribe poderiam acelerar fortemente seu crescimento econômico e diminuir a defasagem na renda per capita em relação às nações industrializadas por meio de políticas que promovessem um melhor uso dos recursos já existentes na economia, particularmente no setor de serviços.

Um país latino-americano típico poderia ter tido um aumento de 54% na renda per capita desde 1960 se sua produtividade tivesse crescido na mesma proporção que a do resto do mundo durante o período. A renda per capita nesse país típico seria quase o dobro se sua produtividade estivesse próxima de seu potencial total.

"As descobertas desse estudo indicam uma oportunidade única para que os países da região invistam em reformas e políticas que possam estimular a produtividade", disse a economista do BID Carmen Pagés, que coordenou o estudo.

"A região tem um grande potencial para aumentar drasticamente o crescimento econômico e a renda per capita por meio de, por exemplo, aumento do crédito, regimes tributários mais simples e mais bem distribuídos, custos mais baixos de transporte e uma política social mais bem elaborada para reduzir o emprego informal", acrescentou.

A produtividade também se beneficiaria fortemente de políticas orientadas ao fornecimento de bens públicos essenciais, como melhor infraestrutura e ambiente regulatório, além de medidas para estimular a inovação no setor privado, observou Pagés.

Essa notícia foi publicada na Carta de RH, em 31/05/10.

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