Boas práticas: Anglo American tem programas e auxílios específicos para colaboradores soropositivos

Data 01/06/2013

1. Desde quando a Anglo American possui um programa que visa dar auxílio aos colaboradores portadores do vírus HIV? De que forma ele nasceu?

Silvia Almeida: A Anglo American é engajada na luta contra o HIV/AIDS desde os anos 90, inicialmente na África do Sul, e na sequência com políticas globais que visam conservar a saúde de nossos empregados e suas famílias. No Brasil, a Unidade de Negócio Níquel da Anglo American faz parte do Conselho Empresarial Nacional de Prevenção ao HIV/AIDS (CENAIDS), criado para desenvolver ações no setor privado voltadas à prevenção da doença. Desde 2007, possuímos parcerias com entidades que nos ajudam a promover a saúde sexual e reprodutiva, como a Reprolatina e o Instituto Barong. Nossos projetos concentram-se em:

•    Ampliar a conscientização.

•    Incentivar um maior uso de preservativos.

•    Promover o tratamento de todas as doenças sexualmente transmissíveis.

•    Diminuir o estigma e o preconceito em torno da doença.
 

2. Como esse programa funciona? Quais ações são contempladas por ele?

Silvia Almeida: Em nossa Unidade de Negócio Níquel, possuímos parcerias com as ONGs Reprolatina e Instituto Cultural Barong para promoção da saúde sexual e reprodutiva nos municípios de Barro Alto e Niquelândia (ambos em Goiás), respectivamente. Em Barro Alto realizamos o projeto “Vivendo a Adolescência com mais Saúde em Barro Alto”. Em seu quarto ano de funcionamento, contribui para que os adolescentes da cidade tenham informações e tomem decisões próprias, construindo seu projeto de vida com mais segurança nas questões sexuais e reprodutivas. Ao participarem de capacitações, os jovens tornam-se multiplicadores de informação e ensinam outros voluntários, ganhando o título de Adolescentes Agentes Voluntários de Saúde (AAVS). Já em Niquelândia, em ações específicas ao longo do ano, como o Dia do Caminhoneiro e o Dia do Homem, são distribuídos à população folhetos informativos, gibis em formato de cartilha (desenvolvidos pela Anglo American) e preservativos masculinos e femininos, com o objetivo de esclarecer dúvidas sobre o tema e desmistificar o tabu ainda existente em torno de DSTs/AIDS. Essas ações também são estendidas aos nossos funcionários. Nas usinas da Anglo American no interior de Goiás, realizamos palestras de conscientização para empregados, sessões cinema seguidas de debates sobre a temática e distribuição de cartilhas e preservativos. Em nossos banheiros do escritório corporativo de São Paulo, além dos ambulatórios e banheiros das operações, temos displays com camisinhas à disposição dos empregados.
 
3.Desde que esse programa foi criado, qual foi a evolução dele? Já houve novas ações?

Silvia Almeida: O “Vivendo a Adolescência com mais Saúde em Barro Alto” obteve 4.800 presenças nos primeiros dois anos de funcionamento. Pelo fato de os jovens auxiliarem nas capacitações e se tornarem multiplicadores das iniciativas, o projeto passa a ser propriedade da comunidade e não da empresa que apoia ou da instituição que o desenvolve. Ao todo, 140 multiplicadores já passaram pela capacitação direta, repassando seus conhecimentos para as escolas, postos de saúde e suas famílias. Foi criado um núcleo permanente de educação para os adolescentes na cidade; nos postos de saúde os jovens contam com horário de atendimento específico para suas demandas conforme manda o programa de saúde e o ECA. O projeto também capacita mulheres como agentes Voluntárias de Saúde Sexual e Reprodutiva na comunidade, o que facilita o diálogo sobre prevenção no núcleo familiar. Foi instituído o “minuto saúde” nas escolas e postos de atendimento, onde informações sobre saúde são transmitidas à população. Já em Niquelândia, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, o Instituto Barong e a Anglo American promovem diversos encontros de Reciclagem de Conhecimento entre os enfermeiros e agentes de saúde da cidade. Frequentemente, 150 profissionais se reúnem para trocar experiências sobre saúde sexual e reprodutiva.

Com relação às ações com empregados, temos apresentado há mais tempo programas de conscientização sobre essas questões, mas não temos como mensurar a evolução do quadro, visto que os nossos empregados podem escolher manter a sua soropositividade em sigilo. Entretanto, é notável a não discriminação e podemos até estimar o aumento do uso de preservativos pela quantidade de camisinhas que disponibilizamos nos displays.

4. Quais resultados a Anglo American tem conseguido com esse programa? Como os colaboradores se sentem tendo um benefício como esse?

Silvia Almeida: Há vários depoimentos de jovens envolvidos(as) sobre a importância que estas ações têm para a educação desta e das próximas gerações e também para o empoderamento das mulheres. Além disso, eles ressaltam a possibilidade de discutir neste programa outras fundamentais questões de saúde que não tinham muito espaço anteriormente, tais como abuso de drogas – entre as quais o álcool – a gravidez na adolescência e, de maneira geral, os direitos humanos da criança e do adolescente. Há depoimentos importantes de mães de participantes que no início tinham preconceito e evitaram que filhas entrassem no programa. Porém, depois de algum tempo, percebendo o crescimento do diálogo e da responsabilidade dos jovens participantes, recomendaram às suas filhas mais jovens que aproveitassem a oportunidade de participar. De 2010 a 2012, houve em Barro Alto uma redução da gravidez na adolescência de 40% para 16%, dados que demonstram a importância dessas ações junto aos jovens.

5. Há planos de expansão do programa? Se sim, quais seriam as ações previstas?

Silvia Almeida: Sim. O projeto foi renovado este ano e iremos mantê-lo até 2015 em Barro Alto. Embora o projeto tenha como objetivo transferir conhecimento, ser mantido e gerido pela comunidade, essa sustentabilidade leva algum tempo, pois demanda mudanças de hábitos. O fluxo dos empregados da gestão pública municipal também interfere no resultado do projeto. Por isso, a importância da Reprolatina continuar por mais tempo acompanhando essa transformação. Neste ano, também estamos levando o projeto “Vivendo a Adolescência com mais Saúde” para Niquelândia, ampliando os benefícios das ações para a comunidade niquelandense em parceria com o Instituto Cultural Barong.

6. Segundo um estudo realizado em 2012 pelo Conselho Empresarial Nacional para a Prevenção ao HIV/Aids (CEN Aids), em parceria com o Ministério da Saúde, oito em cada dez empresas não possuem ações de prevenção a AIDS. Em sua opinião, qual a importância das empresas investirem em programas de prevenção e também de auxílio aos colaboradores portadores do vírus HIV?

Silvia Almeida: É extremamente importante que as empresas invistam em iniciativas de prevenção e conscientização, para evitar a proliferação da doença e o sofrimento das famílias. É preciso discutir os temas transversais que a AIDS traz e voltar o nosso olhar não só para os empregados da empresa, mas também para as famílias dos colaboradores e as comunidades onde a empresa atua. A falta de informação normalmente é a raiz do problema, não só com relação ao contágio, mas também contribui para o preconceito de muitas pessoas. As estatísticas apontam que o maior número de casos de HIV/AIDS está entre a faixa etária de 29 a 49 anos, fase de maior produtividade profissional. Os empregados passam a maior parte do seu tempo nos escritórios, fábricas e locais de trabalho; os homens em particular não têm o hábito de fazer exames de saúde preventivos. O maior número de óbitos por AIDS tem sido nesta população por diagnósticos tardios, o que reforça nossa proposta de contribuir com as respostas para conter a epidemia nesta categoria. Sendo assim, estamos no CEAIDS (Conselho Empresarial de Prevenção ao HIV/AIDS) desde 2007 e, atualmente, estamos inseridos nas discussões sobre prevenção junto às empresas e serviços de saúde do polo industrial da baixada Santista e região. Lá formamos recentemente um Fórum Permanente de Discussão para desenvolver e incentivar ações de prevenção nas empresas portuárias.

7.  Existem dados recentes sobre a quantidade de funcionários que usufruem dessa ação na empresa?

Silvia Almeida: Todos os empregados são beneficiados pelas ações advindas dos programas de prevenção. Qualquer um pode usufruir dos benefícios da política de AIDS da empresa. A partir do momento que o nosso profissional revela a sua condição, podemos oferecer a ele todo o suporte necessário, incluindo tratamento psicológico para o empregado e sua família. Atualmente, o governo brasileiro é responsável por fornecer toda a medicação necessária para o portador de HIV.

8. Fale um pouco sobre a sua história na Anglo American e como foi o apoio da empresa quando você informou que havia contraído a doença?

Silvia Almeida: Eu trabalho na Anglo American desde 1984. Fui operadora de telefonia por 25 anos. Porém, dois anos antes de meu marido falecer de AIDS, em 1996, eu descobri que era soropositiva. Esta descoberta fez com que meu desempenho na empresa ficasse bastante prejudicado e foi quando revelei à empresa a minha soropositividade. A Anglo American me deu todo o suporte à época, e ainda me oferece esse auxílio. Foi quando fiz uma escolha que mudou minha vida: em vez de me recolher e agir como vítima, me senti encorajada pelos programas da Anglo American de prevenção, combate e tratamento. Assim, depois de um tempo, tornei-me ativista na luta contra a AIDS e, consequentemente, pela minha história de vida e conhecimento da questão, fui promovida para a área de Responsabilidade Social da Anglo American em São Paulo. Atualmente lidero os programas de combate a AIDS da empresa. Eu utilizo documentários, podcasts, histórias em quadrinhos e palestras para espalhar minha mensagem para jovens e adultos, tanto para conscientizar como para afastar o preconceito.

 

Boas práticas: Anglo American tem programas e auxílios específicos para colaboradores soropositivos

*Silvia Almeida é assistente social da Anglo American, uma das maiores mineradoras do mundo.
 

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