Boatos infundados alimentam preocupações de funcionários

Data 06/04/2015

Pesadelo da liderança das empresas, a chamada “rádio peão” ou “rádio corredor” é, na opinião de consultores e empresas, a principal vilã da comunicação interna. Ao propagar fofocas e notícias extraoficiais, os funcionários podem ajudar a desmotivar os colegas, complicando o já difícil cenário de crise.

Uma das primeiras atitudes da empresa em relação a essa prática, porém, deve ser aceitar sua existência, principalmente durante épocas turbulentas. “O ruído na comunicação sempre existe, mas em períodos adversos como o atual ele se propaga de forma intensa. É uma informação ágil e desburocratizada e que, ao contrário do discurso corporativo, não precisa passar por etapas de aprovação”, afirma José Luis Ovando, da Supera Comunicação. 

Na Dentsu Aegis Network, a solução tem sido combinar processos de comunicação interna informais, como a conversa direta com o gestor, às ferramentas tradicionais, como comunicados oficiais. “Antes que o funcionário ouça boatos ou alimente preocupação infundada, queremos que ele se informe com o gestor”, afirma o ‘chief talento officer’ da empresa, Claudio Neszlinger.

A inserção das redes sociais nesse processo de fofoca corporativa é um agravante para as organizações –  e um enorme desafio para as empresas. O consultor Oliver Schmidt, sócio da C4CS, multinacional especializada em gestão de crise, acredita que as companhias não devem subestimar o impacto das ferramentas on-line em momentos críticos. “É importante desenvolver e implementar uma política de redes sociais, por exemplo, para definir o que os colaboradores comentam sobre a empresa nessas plataformas”, diz. Essa estratégia evita, inclusive, que rumores até então internos se espalhem para outros públicos. 

Com o objetivo de proteger a empresa nesse sentido, a Avaya criou um manual de boas práticas do uso de redes sociais. Não há restrições de conteúdo a ser postado, mas o colaborador é estimulado a se ver como uma personificação da empresa, tomando cuidado para ser bem interpretado e não publicar mensagens que sejam contra os preceitos organizacionais. A empresa já enfrentou algumas situações em que funcionários fizeram reclamações no Twitter – que, segundo a Avaya, foram tratados caso a caso, sem retaliações.

No Shell, a política também é da conscientização. Ao abordar assuntos que digam respeito aos negócios da companhia, os funcionários devem sempre se identificar nas redes sociais como integrantes da organização, além de não postar nada em nome da empresa sem as devidas autorizações. 

Esta notícia foi publicada no site do Valor Econômico, em 01/04/2015

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