Brasileiros são influenciáveis pelo ambiente antiético

Data 30/03/2015

O profissional brasileiro é facilmente influenciável pelo ambiente em que se encontra quando o assunto é ética nas organizações. De acordo com um estudo da consultoria de risco ICTS Protiviti com mais de 8.700 funcionários de empresas privadas, a maioria dos trabalhadores está suscetível a se envolver em irregularidades dependendo das circunstâncias em que se encontram.

Realizado pela segunda vez, o estudo coletou informações por meio de questionários e entrevistas respondidas por funcionários de diversos níveis e idades, entre 2012 e 2014. Embora tenha caído o número de profissionais que apresentam alto risco de se envolver em situações de irregularidade – de 11% para 8% – caiu também os que apresentam baixo risco, de 20% para 16%. Como resultado, a grande maioria (76%) hoje apresenta risco médio de se envolver ou se omitir em situações ilícitas ou antiéticas.

"Isso significa que a pessoa se adapta ao ambiente corporativo de acordo com a expectativa que a empresa tem em relação à ética", explica Monica Gonçalves, gerente de compliance individual da ICTS, e uma das responsáveis pelo estudo. Na pesquisa anterior, realizada entre 2010 e 2012, esse grupo era formado por 69%. "Ética se aprende. Isso tem que estar na cultura da empresa, e as áreas de compliance e RH têm a missão de fazer esse direcionamento", diz Monica.

Houve aumento também no número de pessoas que são suscetíveis a aceitar e a conviver com irregularidades – de 52% para 72% – ou que considerariam usar atalhos ilícitos ou antiéticos mesmo tendo conhecimento dos procedimentos oficiais da empresa, de 48% para 61%.

Funcionários com idade até 24 anos se mostraram mais abertos a participar ou aceitar situações de irregularidade – 82% dos mais jovens aceitam comportamentos irregulares com mais facilidade e 56% considerariam receber subornos, números que ficam acima da média nos dois casos.

Para os responsáveis pela pesquisa, esse é um reflexo da falta de maturidade profissional e de uma necessidade maior da nova geração de crescer rapidamente na carreira. "Absorver valores de ética faz parte do aprendizado corporativo. Muitas vezes, as pessoas aprendem práticas erradas em uma empresa e as levam para outra. É importante interromper esse processo", diz Maurício Reggio, sócio-diretor da ICTS.

Apesar de os números indicarem que os profissionais brasileiros estão mais propensos a adotar comportamentos antiéticos, a ICTS observa um número cada vez maior de empresas dispostas a investir em práticas de compliance. Em razão, especialmente, da Lei Anticorrupção, houve aumento de 30% na procura pelo serviço de desenvolvimento ou reformulação de canais de denúncia nos últimos dois anos.

Esta notícia foi publicada o site do Valor Econômico, em 25/03/2015

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