Brasileiros se acham mais capazes que seus chefes

Data 29/07/2013

Os executivos brasileiros se consideram ótimos líderes – ao ponto de se acharem melhores ou pelo menos tão competentes quanto seus chefes imediatos. Mas isso nem sempre se reflete na opinião de seus subordinados. É o que revela uma pesquisa inédita feita pela consultoria de carreira LHH/DBM com 373 gerentes, diretores e presidentes de empresas.

Os resultados mostram que a maioria desses profissionais faz uma ótima autoavaliação do seu trabalho, dando nota 4 em uma escala de 1 a 5. Pouco mais de 70% consideram que se comportam como líderes "na maioria das vezes", enquanto 19% acham que o fazem "todo o tempo". No entanto, quando questionados sobre a atuação de seus chefes imediatos, apenas 47% afirmam que os gestores se comportam como líderes na maioria das vezes e 36% acham que o chefe imediato só apresenta capacidade de liderança eventualmente, poucas vezes ou nunca.

"A leitura que fazemos é a de que existe um descompasso de percepções, que é consequência de uma falta de diálogo entre as partes", explica José Augusto Figueiredo, presidente no Brasil da LHH/DBM. "Falta conversa entre o que é esperado do profissional e o que ele pode oferecer."

Boa parte deles, ao avaliar o chefe direto, se considerou melhor no trabalho do que o superior imediato (37%). A maior parte, 53%, se considera igual aos executivos de nível mais alto. Apenas 10% acham que o chefe é melhor do que eles próprios no que faz.

Para 67% dos entrevistados, essa diferença de avaliação entre executivos de diferentes níveis influencia o resultado totalmente ou na maioria das vezes. Figueiredo adiciona que a falta de comunicação entre chefes e subordinados acaba gerando um ambiente ruim na organização, o que vai de encontro a uma das características consideradas mais importantes em um líder, segundo 51% dos entrevistados: manter o clima positivo entre o grupo de funcionários. Ser orientado para resultados e ter forte influência pessoal também são aspectos valorizados por 61% e 50%, respectivamente.

"Existe uma certa arrogância de quem está em cima, que nem sempre dá abertura. O subordinado acaba se calando para o chefe, mas fala para os lados", ressalta o presidente da LHH/DBM. A consequência é a perda dos melhores profissionais, além da falta de perspectiva dos que ficam. O consultor diz que esses problemas vêm, em grande parte, de uma estrutura hierárquica forte que a maioria das empresas ainda possui – um modelo que funciona mais para produzir o que já está definido do que para gerar inovação. "As empresas mais inovadoras são as que proporcionam esse diálogo entre as partes", diz Figueiredo.


*Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 29/07/2013

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