Caça-talentos na mira dos caça-talentos

Data 12/03/2013

"Estamos contratando consultores em todas as nossas áreas de especialização". A frase, publicada há poucas semanas no Twitter por Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half no Brasil, não deixa dúvidas: a consultoria de recrutamento voltada para média gerência está aumentando seu quadro de headhunters. "Mesmo com a economia não respondendo tão fortemente, há uma demanda das empresas por contratação de executivos", justifica Mantovani.

Presente no Brasil desde 2007, a multinacional Robert Half viu no ano passado seu menor crescimento ano a ano desde que chegou ao país. Ainda assim, cresceu 29%, segundo o diretor geral. Como consequência do desempenho, a consultoria pretende aumentar seu quadro de recrutadores em 16% neste ano. Para isso, está com vagas abertas em todas as suas áreas de atuação – de finanças a engenharia, passando por tecnologia e vendas e marketing. "O aumento do quadro é reativo. Reflexo, portanto, do crescimento de 2012. Mas esperamos um desempenho superior em 2013", afirma.

Para ingressar na Robert Half, não há necessidade de ter experiência no setor. Ao contrário. "Nossa preferência é por profissionais sem vícios, que não tenham passagens por outras consultorias", diz o diretor geral da multinacional. Segundo ele, apenas 2% do quadro hoje é formado por profissionais com experiência anterior em recrutamento.

A formação acadêmica ideal do profissional vai depender da divisão em que ele vai atuar. Quem contrata para a área de finanças, por exemplo, deve ter concluído a graduação em administração, contabilidade ou economia. Já quem recruta para marketing e vendas deve ter se formado em administração, marketing ou comunicação. O domínio da língua inglesa é mandatório. "Atendemos muitas multinacionais", explica Mantovani.

Também referência em recrutamento para cargos de média gerência, a Michael Page, assim como a concorrente Robert Half, aposta no aumento do quadro de recrutadores este ano. Paulo Pontes, presidente do Page Group, holding que abriga a Page Personnel, Michael Page e Page Executive, diz que 2012 foi um ano sem grandes aumentos no quadro executivo das companhias. "Já em 2013, estamos vendo um investimento das empresas na contratação de profissionais para o médio e alto escalão. Elas estão acreditando na retomada da economia", diz. Esse movimento, de acordo com ele, está acontecendo em todo o país, com exceção da região Sul, onde ainda não há um reaquecimento.

Juntas, Michael Page, focada em média gerência, e Page Personnel, especializada em profissionais de suporte à gestão, pretendem aumentar em 25% o número de consultores neste ano, segundo Pontes. Hoje, o grupo, que inclui a Page Executive, exclusiva para o alto escalão, conta com 250 recrutadores. Só na Michael Page são 170.

As vagas abertas estão espalhadas por todas as divisões da consultoria, mas Pontes cita três áreas com maior perspectiva de crescimento: vendas e marketing, finanças e engenharia.

Assim como acontece na Robert Half, ele afirma que a Michael Page dá preferência a recrutadores sem experiência no setor. "O ideal é que o profissional venha da área para a qual vai recrutar", explica.

O perfil do headhunter buscado pela multinacional inglesa inclui faixa etária entre 28 e 32 anos, fluência em inglês e experiência anterior na área para a qual vai recrutar. Além disso, é preciso ter sensibilidade para se relacionar com pessoas e habilidade para lidar com imprevistos.

Esse é o perfil de Sergio Bruni, headhunter na divisão financeira da Michael Page desde setembro. Formado em administração de empresas com ênfase em finanças pela ESPM e com um curso de mercado financeiro na Harvard Business School no currículo, o executivo, de 30 anos, atuou no setor financeiro por cerca de cinco anos.

Ainda na faculdade, ingressou na construtora Tecnisa, onde fez estágio na área de relações com investidores. Depois, seguiu para o Itaú Private Bank como assistente comercial e, posteriormente, para a Hera Investment, onde fez gestão de carteiras. Saindo da empresa que dá suporte a investidores, ajudou a fundar a firma de private equity Umbrella Participações, para depois virar headhunter na Michael Page. "Quis ingressar no mercado financeiro por se tratar de uma área complexa. Desse modo, teria uma visão ampla dos negócios e uma boa vivência profissional", diz Bruni.

Até pouco tempo atrás, ele não conhecia de perto a rotina de um headhunter. Após sair da Hera, em fase de transição de carreira, Bruni conversou com um amigo que trabalha na Michael Page e lhe apresentou mais detalhes da função. "Fui atraído pelo fato de ajudar as pessoas com suas carreiras de um lado, e as empresas a se desenvolver com os profissionais certos de outro. Além disso, é grande a possibilidade de crescimento dentro da consultoria."

Também especializada no recrutamento de média gerência, a Asap é outra empresa do setor com vagas abertas. O plano de expansão para este ano inclui a contratação de cerca de 10 headhunters, que vão se somar ao quadro atual de 120 pessoas.

Ricardo Haag, diretor da consultoria, diz que parte dessas vagas surgiram para atender uma nova unidade da Asap, direcionada a posições com salários entre R$ 3 mil e R$ 6 mil. Antes, a consultoria só trabalhava vagas com remuneração superior a R$ 6 mil. "A nova unidade é consequência de uma demanda dos nossos clientes, que precisavam de recrutamento nesse nível", explica Haag. Segundo ele, a Asap busca profissionais que venham de diferentes áreas para preencher as vagas. Já em relação às competências comportamentais, é necessário gostar de pessoas, ter iniciativa e saber lidar com frustração.

A remuneração nas três consultorias ouvidas, apesar de ser mantida em segredo, é composta por salário fixo mais um valor variável, que oscila de acordo com o desempenho individual do headhunter e da unidade na qual ele trabalha.

 


*Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 07/03/2013

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