Cada vez mais empresas incentivam o trabalho voluntário dos funcionários

Data 09/12/2009

 

Uma das grandes preocupações das empresas do século 21 é com relação à responsabilidade social. Organizações, buscando a credibilidade e a valorização de suas marcas, desenvolvem programas que beneficiem tanto seus quadros de funcionários como a sociedade. Assim, o voluntariado, que antes dependia de iniciativas particulares e esparsas (tanto de pessoas físicas como de ONGs), ganhou um papel importante dentro destas corporações. E além de servir como instrumento para a prática da contrapartida social, é também uma importante ferramenta para o desenvolvimento profissional do funcionário.

“As organizações empresariais do mundo moderno precisam de determinadas capacidades diferentes das empresas da era industrial. Precisamos, hoje, de habilidades como ser pró-ativo, crítico em relação às coisas, saber lidar com a diversidade, saber lidar com as situações-limite. São habilidades requeridas pelo próprio negócio desse moderno mercado. E o cara que faz trabalho voluntário, descobre essas habilidades porque ele tem de lidar com situações-limite, tem de lidar com a adversidade, opiniões diferentes, tem de ser pró-ativo, que são habilidades que o mercado de RH está necessitando”, explica Wanda Engel, presidente do Conselho Brasileiro de Voluntariado Empresarial e superitendente do Instituto Unibanco. 

O voluntariado empresarial começou a ganhar espaço na sociedade no início desta década, distinguindo-se do voluntariado individual justamente por conta da estrutura empresarial que pode dar uma maior direção, organização e sinergia. No início, as corporações que incentivavam esta prática pouco se relacionavam. Eram ações esparsas e não-conjuntas que determinadas empresas incentivavam. Entre algumas delas podemos citar o Unibanco, a Vale, o Grupo Carrefour e o Banco Votorantim. 

O Instituto Unibanco é o braço social do banco. E dentro das ações sociais fomentadas, uma delas é justamente o voluntariado empresarial. Desde 2002, voluntários da empresa praticam e incentivam a doação de livros e agasalhos. Ao longo dos anos, outras ações mais pontuais também foram concebidas. “Um dos programas que foram desenvolvidos pelo voluntariado no Instituto é o ‘Mentoria Jovem’, em que um funcionário do banco é mentor de um ou dois jovens de escolas de ensino médio em que atuamos. São jovens pobres, sem referência, sem modelos. Esses funcionários apoiam esses meninos para que eles entendam o valor da escola, façam atividades esportivas e culturais”, explica Wanda. 

Cidadania

Essa busca pelo exercício da cidadania de jovens carentes é uma das bandeiras do Programa Voluntário Carrefour, que conta com voluntários da empresa e familiares para atuar no campo do consumo consciente, da inclusão digital e das práticas educativas. O incentivo da empresa ao voluntariado é tamanho que cada funcionário pode utilizar 4 horas de trabalho por mês para atuar como voluntário dentro do programa corporativo. 

“Esse comportamento está intimamente ligado à cultura da empresa, que, acima de tudo, tem como premissa fortalecer o compromisso com o público interno e externo, levando em consideração valores como a liberdade, a responsabilidade, o compartilhamento, o respeito, a integridade e a solidariedade”, diz Karina de Andrade Chaves, coordenadora de Responsabilidade Social da empresa. O projeto mobiliza 1.442 voluntários e beneficia 84 entidades e 9.137 pessoas, entre crianças, jovens e idosos. 

A Fundação Vale, que administra os projetos sociais da empresa, também abre grande espaço para o voluntariado. “No começo, os próprios funcionários de diversas regiões do Brasil, já faziam essa prática. Nós a institucionalizamos. Valorizamos e apoiamos essas ações para que eles conseguissem unir forças”, diz Liesel Filgueiras, gerente-geral da Fundação. Hoje existem 23 comitês organizados, com aproximadamente 4500 pessoas, que cuidam das ações que vão desde mobilização para ajuda às vítimas de enchentes a organização de frentes de qualificação profissional. Ações na área ambiental também são desenvolvidas.

”O voluntariado empresarial é estratégico para responsabilidade social. Contribui no desenvolvimento humano e profissional do funcionário, tem uma influência direta no desenvolvimento das pessoas e desenvolve a solidariedade, a cidadania, a liderança e o senso de organização para coordenar ações e mobilizar pessoas”, constata a gerente-geral da Fundação Vale. 

Atuar em regiões onde há escassez de saneamento básico, educação, cidadania e dignidade é uma das principais bandeiras do voluntariado, seja individual ou empresarial. No bairro de Jardim Colombo, São Paulo, foi uma ação dos voluntários do Banco Votorantim que pode modificar a realidade de seus 17 mil habitantes. “Organizamos uma Associação, compramos um terreno no bairro e construímos uma sede. Começamos montando uma creche, depois passamos a ampliar as ações”, explica Aline Ditta, gerente de Responsabilidade social do Banco Votorantim. 

Desde 2005, em torno de 25 mil atendimentos por ano foram oferecidos aos moradores locais. São ações como reforço escolar, aulas de informática e capacitação e qualificação profissional. Além disso, instalaram na comunidade uma brinquedoteca e uma biblioteca. 

Ao longo desta década, as ações de voluntariado empresarial se tornaram cada vez mais ativas e efetivas. Faltava uma integração entre as corporações. Em 2007, para preencher essa lacuna, surgiu o Conselho Brasileiro de Voluntariado Empresarial, para que houvesse trocas experiências e que fosse construído um conhecimento mais estruturado sobre este assunto “É a lógica da cooperação: as empresas vão competir num negócio, mas no campo social elas vão cooperar”, explica Wanda Engel, presidente do Conselho. 

Em 2007,o CBVE fez um levantamento sobre atual estágio do voluntariado empresarial no Brasil. Os números podem ser vistos no site do Rio Voluntário:

Essa matéria foi publicada no Canal RH, em 04/12/09.