Como dar a volta por cima após uma demissão

Data 29/10/2013

Ser demitido não é uma experiência agradável. Os executivos que já passaram por isso conhecem bem o impacto negativo que o episódio pode ter, principalmente do ponto de vista emocional. Aspectos como idade avançada e muito tempo atuando na mesma companhia tornam a situação ainda mais delicada, uma vez que fazem o profissional colocar em dúvida sua capacidade de voltar ao mercado. “Depois de muito tempo no mesmo cargo, o executivo não sabe, por exemplo, como está o mercado de trabalho e se está apto a se recolocar e o desconhecido gera angústia”, diz Ordália Segalovich, especialista em Transição de Carreira da De Bernt Entschev.

Segundo Renata Wright, gerente de Rh da Michael Page, a primeira coisa a se fazer é perceber que ser demitido não é nenhuma catástrofe. “Seja por causa da performance ou por mudanças na empresa, o estigma de ser demitido não é tão forte quanto era alguns anos atrás.”

Ao invés de ficar remoendo o revés profissional, o executivo deve aproveitar o momento para rever suas metas de carreira e iniciar o planejamento de como alcançá-las. “Não estou dizendo que ser demitido é algo bom, mas é preciso tomar cuidado para não deixar que esse luto tire o foco do executivo do futuro. É preciso olhar para frente”, diz Renata.

Se a situação permitir, não ter pressa é recomendável. Ainda que o executivo opte por buscar uma colocação semelhante à ocupada anteriormente, trata-se de um momento de redefinição. “O processo de escolha do caminho precisa ser conduzido com tranquilidade para que o retorno ao mercado seja mais consistente”, afirma Leonardo Ribeiro, vice-presidente e sócio da Fesa, de recrutamento e seleção de executivos.

O próximo passo é definir que rumo seguir. Procurar uma vaga equivalente à anterior? Tentar uma colocação em outro segmento? Se dedicar à vida acadêmica? Abrir o próprio negócio? As possibilidades são quase infinitas. Cada uma delas tem aspectos positivos e negativos e exigirão níveis diferentes de sacrifício e investimento do profissional para serem bem sucedidas. “O executivo precisa analisar o mercado em que pretende entrar para entender qual o preço a pagar por essa escolha e até que ponto ele está disposto a fazê-lo”, diz Ordália, da De Bernt Entschev.

Uma vez tomada a decisão de onde se quer chegar, é hora de planejar a forma de alcançar esse objetivo. Um bom começo é se assegurar de que suas competências, habilidades e capacitação estão alinhadas com a posição que se pretende alcançar. “Conversar com pessoas que têm mais expertise ou que estão há mais tempo no mercado é um bom jeito de verificar se a qualificação condiz com o cargo que se pretende ocupar e para decidir o que fazer caso não esteja”, aconselha Renata, da Michael Page.

Depois de decidir onde quer chegar e se capacitar para que a jornada seja bem sucedida, chega a hora de ir em busca da oportunidades efetivamente. Essa é a hora de ativar o networking e dizer para o mercado que se está de volta ao jogo. Isso tudo de cabeça erguida, sem vergonha do revés profissional vivido há pouco. “O executivo precisa encarar a demissão de forma positiva, como algo que faz parte de sua trajetória profissional, e ter em mente que ainda tem muito a agregar”, completa Ribeiro, da Fesa.

Conhece-te a ti mesmo

Passado o período de luto que segue a demissão, o profissional precisa começar a pensar nos novos rumos que dará à sua carreira. Para auxiliar nessa tarefa, o Canal Rh separou algumas perguntas que o executivo deve se fazer para entender melhor o momento em que está, onde pretende chegar e de quais ferramentas ele precisa para percorrer essa jornada.

1. Gosto do que faço?

2. Quero seguir na mesma carreira?

3. Qual foi a minha postura que culminou no meu desligamento? Tive alternativas antes disso acontecer? Posso melhorar em quê?

4. Como está meu planejamento financeiro? Por quanto tempo posso ficar desempregado? Quais gastos preciso rever e ajustar?

5. Quero seguir no mesmo segmento em que atuo?

6. Quais outras alternativas tenho para a continuidade de minha carreira? Tenho um plano “B”? Exemplos: Consultor, Carreira Acadêmica, Empreendedor, Carreira Pública, Profissional Autônomo.

7. Como está a minha empregabilidade? Como estão as minhas competências técnicas e comportamentais?

8. Meu currículo está atualizado e adequado aos meus objetivos?

9. Estou bem preparado para participar de uma entrevista de trabalho ou preciso de um tempo para me recompor antes de participar de um processo seletivo?

10. Tenho uma rede de contatos ativa à qual posso recorrer?

Não há receitas prontas, mas depois de responder às perguntas acima, o executivo conseguirá ver com um pouco mais de clareza os próximos passos a serem dados. “Analisar a situação que se está é o ponto de partida para decidir o que virá”, diz Ordália, da De Bernt Entschev.
 


*Essa notícia foi publicada no site Canal RH, em 24/10/2013

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