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Como motivar equipes em tempos de crise?

Data 07/12/2015

*Por João Brandão 

Para encaminharmos algumas ideias, precisamos escolher uma definição para a palavra crise. Dentre as inúmeras possibilidades, uma seria entender como ato de separar, uma descontinuidade. Assim, uma crise deixa para trás uma situação, passa por uma transição e desemboca em um novo contexto, algo como fechar um ciclo e abrir outro.

Então, frente à crise, podemos imaginar três possibilidades: ganhar tempo, esperando a turbulência passar; ficar resmungando e tentando achar um culpado; e fazer alguma coisa. Ganhar tempo imaginando futuramente retomar as coisas do ponto anterior pode ser um tiro no pé. A concorrência poderá aprender alguma coisa com isso e quando as coisas melhorarem… Ficar resmungando é morte anunciada. Fazer alguma coisa pode ser saudável.

Como motivar equipes em tempos de crise

Normalmente, crise econômica significa ausência de recursos. Por outro lado, é reconhecido que a abundância não ensina ou não ensina tanto. Mas a escassez sim, e ensina muito. Podemos então considerar que a crise é uma travessia para algo melhor e pode representar uma oportunidade para atacarmos ineficiências.

Entretanto, nessa travessia, a motivação das equipes pode ficar muito abalada. Se descrevermos o que não deve ser feito, talvez possamos inferir algumas hipóteses do que fazer. Para motivar equipes em tempos de crise não devemos: fazer cortes lineares, algo como “vamos cortar 20% da mão de obra”; alardear que “vamos fazer mais com menos”; promover desligamentos a conta gotas; cortar programas que remetem ao futuro – como de trainees ou treinamentos. A lista pode ficar enorme.

Em contrapartida, caso haja necessidade, é preciso rever os processos e, a partir disso, definir os cortes de pessoal. Logo em seguida, iniciar o envolvimento das equipes buscando ganhar eficiência. Ao incentivar a melhoria de processos, é preciso propor simplesmente o fazer melhor – experiências anteriores com “fazer mais com menos” levaram a sobrecargas de atividades para quem ficou. Também é indispensável planejar os desligamentos, comunicar de forma respeitosa e “fazer tudo de uma vez” – garantir aos que ficaram que “acabou aí”. Se não puder assegurar isso, não prometa; seja o mais franco possível.

O processo de motivar equipes em tempos de crise se resume a: oferecer às pessoas uma mensagem prática de que a organização tem comando, de que as escolhas e decisões estão sendo compartilhadas, de que todos estão aprendendo com as dificuldades e, principalmente, de que os vínculos de confiança estão sendo construídos ou fortalecidos.

Confiança tem a ver com o caráter de alguém, mas remete também a ideia de previsibilidade – algo que se consegue prever. Em tempos de crise e, não só neles, imaginar a possibilidade futura é uma força poderosíssima para manter as pessoas envolvidas e otimistas.

Talvez seja isso o que mais motive em momentos de crise.

*João Baptista Brandão é professor, coordenador do MBA em Liderança e Gestão de Pessoas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do módulo de Liderança e Alto Desempenho do programa CEO-FGV e autor do livro Gestão Estratégica de Recursos Humanos (editora FGVOnline). Atua também como consultor, conferencista e coach.

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