Como o déficit do sono pode impactar a produtividade

Data 31/10/2016

deficit de sono

Há tempos se fala dos prejuízos da falta de sono para a saúde do ser humano. Agora a consultoria de gestão McKinsey alerta sobre esse mal também para o mundo dos negócios. “A deficiência do sono afeta o desempenho dos executivos, por minar comportamentos importantes para a liderança, e pode, assim, prejudicar a atuação financeira da empresa”, escrevem Nick van Dam e Els van der Helm no relatório O Custo Operacional do Sono Insuficiente, de fevereiro de 2016.

Num mundo hiperconectado, no qual as companhias esperam que seus empregados estejam disponíveis quase 24 horas por dia, e no qual as pessoas optam por se manter acordadas para dar conta de cada vez mais atividades, a questão do sono merece atenção urgente.

Epidemia mundial

Existem mais de 80 tipos de distúrbio do sono, sendo a insônia e a apneia os mais frequentes. Mas, além das patologias, um segundo problema tem prejudicado a nossa saúde: o da restrição — quando alguém opta por dormir menos do que deveria. “Isso virou uma epidemia”, afirma Luciana Palombini, médica especializada no assunto e integrante da equipe do Instituto do Sono de São Paulo. 

Em 15 anos, o período de letargia caiu, puxando para seis horas a média de sono nas grandes capitais do país. Criou-se na sociedade a ideologia de que dormir é ruim, que se perde tempo e que é um hábito para preguiçosos. Começaram a surgir também pessoas que, na tentativa de se manterem saudáveis, acordam às cinco horas da manhã para se exercitar.

Uma pesquisa da International Stress Management Association no Brasil (Isma-Br) indica que quase metade das pessoas sofria de algum tipo de distúrbio do sono em 2015 (seis pontos percentuais acima do resultado de 2014). Dessas, 27% relatavam dormir menos do que o necessário, sendo que 18% o faziam por opção própria. Além da menor quantidade, a qualidade do descanso está pior. Ana Maria Rossi, presidente da Isma-Br, afirma que a maior parte dos indivíduos não passa da fase mais superficial do ciclo do sono (a segunda, de quatro), por isso nunca chega a atingir a recuperação plena. “De repente, o profissional se habitua a estar sempre mal-humorado e impaciente. Ele nem nota que atravessa na frente dos outros ou que não espera a porta automática abrir sozinha, sem a sua interferência”, diz a especialista.

Recentemente, a MentalClean, uma consultoria de gestão de saúde, perguntou a 8 000 funcionários de seus clientes como eles se sentiam em relação à qualidade do descanso. Dos que reportavam privação do sono, 32% sentiam cansaço constante, 31% notavam problemas de memória e 30% experimentavam irritabilidade excessiva.

Habilidades comprometidas

No estudo da McKinsey, quatro em dez líderes de negócios afirmaram não dormir o suficiente pelo menos quatro noites na semana.

Pesquisadores da Universidade de Tel-Aviv, de Israel, concluíram que apenas uma noite maldormida é suficiente para desregular a função das amídalas, grupo de neurônios responsável por processar as emoções no cérebro. Sem a pausa, o ser humano não consegue distinguir se algo é emocionante ou indiferente. Assim, perde a habilidade de decidir o que é mais ou menos importante — o que pode levar a um processamento cognitivo tendencioso e a um julgamento pobre. 

Questão urgente

Para Luciana Palombini, do Instituto do Sono, os profissionais de RH precisam “cuidar disso urgentemente”. As corporações deveriam promover a “semana de conscientização sobre o sono”, para explicar a importância de dormir pelo menos sete horas. E poderiam ensinar sobre a “higiene do sono”: dormir e acordar em horários regulares; só ir para a cama com sono, sem levar o trabalho ou as redes sociais junto; fazer atividade relaxante de 30 a 40 minutos antes de fechar os olhos; evitar café e cigarro; ter um quarto escuro, limpo e silencioso. “A empresa poderia ainda usar um aparelho portátil para mapear os empregados com apneia. Isso ajudaria bastante, uma vez que 30% da população geral sofre desse mal”, diz.

Essa notícia foi publicada no site Você RH, em 25/10/2016

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