Como o Inbound Recruiting pode aproximar e engajar talentos

Data 18/07/2016

Por Augusto Pinto*

"Sou o diretor de RH de minha empresa há muito tempo. Hoje, o que mais me preocupa e toma tempo é recrutamento. No passado, quando alguém me solicitava o preenchimento de uma nova posição, eu simplesmente produzia o texto de um pequeno anúncio, para ser publicado no jornal de domingo. Agora ninguém mais lê anúncios em jornal. Começamos a publicar as vagas em nosso site, mas ele é pouco visitado. Mais recentemente, comecei a comprar recrutamento no LinkedIn Recruiting, mas só me respondem e-mails aqueles que estão ativamente buscando novas oportunidades. Resta o meu relacionamento e dos executivos da empresa, mas isso é como procurar agulha no palheiro. O que fazer? Alguém me ajuda?"

Esse papo fictício está ocorrendo em muitas reuniões entre executivos de RH, que se sentem num beco sem saída. Onde achar, como selecionar e atrair os talentos que nossa empresa precisa? E depois, como retê-los?

Bem-vindo à Terra no ano 2016. Cada vez mais nosso desafio de recrutamento envolve a chamada geração Millenium (pessoas nascidas entre 1980 e 1995). Essas pessoas, particularmente os mais velhos (35 anos), já chegaram ao c-level e os mais jovens (20 anos) são nossos estagiários e trainees. Cada vez menos nosso foco será na geração X e baby boomers.

O problema para nós é entender o comportamento dos jovens Milleniums e sua jornada no desenvolvimento de carreira. Fazendo um paralelo, para vendermos para alguém da geração Millenium teremos antes que entender sua "jornada do consumidor", ou seja, como busca informação antes de se decidir por comprar algo de alguém.

Ambas as jornadas, do consumidor ou do profissional, seguem a mesma trilha: internet, redes sociais e relacionamentos pessoais. Para atrair profissionais, da mesma forma que consumidores, é preciso antes engajá-los com a marca de nossa empresa. Portanto, o dilema do gestor de RH é entender o conceito de engajamento, algo vital para a sobrevivência de qualquer executivo nos dias de hoje.

Engajamento é um tema aparentemente simples. A definição se você for a um dicionário é algo como: "Envolvimento ao serviço de uma ideia ou de uma causa". Um marketeiro já definiria de forma um pouco mais específica: "Engajamento é o envolvimento, interação, relacionamento do público com a marca, que vai além do número de seguidores em uma rede social ou likes em uma postagem". O que significa ir além do número de seguidores, ou likes em uma rede social? Significa envolvimento.

Em um mercado competitivo, é imprescindível que a contratação de novos funcionários seja efetiva. Com o Gen.te Integra – Recrutamento e Seleção da LG lugar de gente, você encontra o candidato certo sem deixar de atender as exigências legais, as regras e os controles da organização. 

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E o que tudo isso tem a ver com RH? Tudo, pois o caminho do profissional na busca de sua trilha é igualzinho ao do consumidor. Portanto, para atrair os melhores antes de tudo sua marca deverá engajar público, se envolvendo com ele. O envolvimento depende de entender melhor o perfil do público, suas necessidades, seus interesses e seu comportamento, seja como profissional ou consumidor. O termo usado em marketing para isso é persona. O público é uma entidade genérica, amorfa, mas uma persona representa alguém que existe, tem emoções que influenciam seu comportamento na busca do atendimento às suas necessidades. Só após transformarmos o público em personas é que poderemos desenhar uma estratégia de atração e engajamento. Vamos a um exemplo prático e bem simples.

Suponha que eu tenha duas vagas para trabalhar em redes sociais, um executivo sênior e um trainee. No primeiro caso provavelmente busca e ativações numa rede como o LinkedIn seria efetivo. Mas, no segundo caso (o trainee), faria mais sentido trabalharmos no Instagram ou no Snapchat. Ôpa! Mas, dá para uma marca atuar num sistema de mensageria onde os conteúdos duram 10 segundos? Dá, por exemplo promovendo concursos e outros eventos que renderão prêmios aos usuários. 

Mas, sendo para engajar o público, antes eu tenho que entender os interesses e comportamento das personas que o representam. Como fazer isso? São cinco os passos:

Desenhe a persona com detalhes: idade, classe social, formação, hábitos de consumo de informação, como se informa, necessidades, dores, etc.

Produza um plano editorial (posts, vídeos, infográficos, white papers, pesquisas, etc) que se relacione às necessidades e dores da persona.

Escolha onde publicar, com base nos hábitos de consumo de informação da persona. Monitore os conteúdos que mais atraem.

Engaje o público, se relacionando com ele de forma específica (campanhas de nutrição, baseadas no interesse).

Detalhe: tudo isso só vai funcionar se ao bolar o plano editorial você esquecer por um momento as suas necessidades (de sua marca) e pensar realmente nas necessidades do público, isso porque marketing de conteúdo (que é o que estamos sugerindo aqui) só funciona se o conteúdo for utilitário. Genericamente, que descrevemos acima é denominado pelos marketeiros como Inbound Marketing, excelente estratégia para atrair público, engajar e gerar novos negócios. E como tudo isso pode ser transplantado para o mundo do RH?

Existe uma nova tendência que é o Inbound Recruiting, que nada mais é do que uma adaptação do Inbound Marketing para o recrutamento de profissionais. O objetivo do Inbound Recruiting é atrair talentos de alto nível, que compartilhem da mesma paixão pelo propósito que sua empresa tem, da mesma visão e metas de carreira. 

Num "resumo da ópera", o Inbound Recruiting sugere que sua empresa desenvolva uma estratégia de marketing de conteúdo e analytics, para se aproximar e engajar talentos que eventualmente um dia você possa contratar. Esse tipo de ação manterá continuamente atualizado um banco de talentos. E mesmo que sua empresa nunca utilize esse banco para recrutar novos talentos, ainda assim esses profissionais atuariam continuamente como promotores da marca. Ou seja, o esforço valerá muito a pena!

*Augusto Pinto é Sócio fundador do Grupo RMA, focado em comunicação corporativa. Esse artigo foi publicado no site Administradores, em 15/07/2016

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