Companhias investem para aumentar produtividade

Data 28/10/2013

A maioria das companhias eleitas "As Melhores na Gestão de Pessoas", da revista "Valor Carreira", espera manter o orçamento de gestão de pessoas em 2014 para investir em treinamento e desenvolvimento de seus colaboradores. De acordo com líderes de recursos humanos ouvidos pelo Valor, na cerimônia de entrega dos prêmios, em São Paulo, o objetivo é aumentar a produtividade e garantir um clima organizacional que mantenha o engajamento das equipes em um ano atípico, em que a Copa do Mundo vai dominar a atenção dos brasileiros.

Para as empresas de serviços, por exemplo, os feriados causados pelo evento exigiram mudanças no cronograma. É o caso do da rede baiana de laboratórios Leme. Segundo a diretora Marla Cruz, o programa de treinamento foi antecipado para o primeiro trimestre e a empresa vai oferecer uma capacitação em inglês para que os funcionários possam atender turistas durante a Copa. O orçamento da área ainda está sendo fechado, mas Marla espera que a verba seja mantida. "Os gestores têm papel fundamental na manutenção do clima, fazendo com que as pessoas se sintam motivadas", diz.

A administradora de consórcio Embracon também está organizando o cronograma de acordo com a Copa, e pretende investir no clima organizacional por meio de um programa com foco na saúde e bem-estar. Isso envolve a criação de um 'call center' onde os funcionários poderão obter conselhos sobre saúde física, psicológica e até financeira. "No ano que vem, o foco do investimento será cuidar do desenvolvimento e da qualidade de vida do colaborador", diz Lucimara Mendes Lins, supervisora de treinamento e desenvolvimento. Além do novo programa, o orçamento 5% maior do que 2013.

A Embraer, que também vai manter o orçamento deste ano em 2014, tem uma estratégia clara de recursos humanos: "Investir na formação de pessoas foi o foco nos últimos dez anos e também será nos próximos dez", enfatiza Jackson Schneider, vice-presidente de pessoas, relações institucionais e sustentabilidade.

Na rede de laboratórios Sabin, após um processo de dois anos de expansão para outros Estados e desenvolvimento de lideranças, a presidente do conselho, Janete Vaz, espera colher resultados, aumentar a produtividade e manter o olho aberto com as despesas. Recentemente, a rede inaugurou uma plataforma de treinamentos a distância que já garantiu uma economia de R$ 300 mil. "Devemos superar os desafios trabalhando de maneiras diferentes e inovando", diz. A empresa, que planeja crescer cerca de 30% em 2014 e aumentar o quadro de funcionários em 15%, pretende manter o orçamento de RH, formado por 18% do faturamento.

Colher os frutos do investimento de 2013 também é a expectativa do grupo paranaense Gazin, de fabricação e comercialização de móveis e eletrodomésticos. De acordo com a gerente de gestão de pessoas, Viviane Thomaz, as perspectivas para o ano da Copa são positivas em razão do provável aumento na demanda na área de vendas. "Estamos trazendo todos os colaboradores de vendas de outros Estados para um treinamento de integração na matriz", conta. Embora não tenha fechado o orçamento para o ano que vem, Viviane espera que o valor seja mantido.

Treinar para garantir mais produtividade também é a estratégia da UTC Engenharia, onde o orçamento do RH para 2014 vai praticamente dobrar, segundo o diretor de suporte corporativo, Fernando Monteiro. O objetivo é atualizar o plano de desenvolvimento dos funcionários e investir em treinamento para todos os níveis. Monteiro diz que para a empresa, que atua em áreas como siderurgia, petróleo e commodities, a expectativa é de definição no cenário econômico, o que torna a busca por mais produtividade uma preocupação constante.

A cooperativa agropecuária Copercampos é outra que deve aumentar o investimento na área de RH, com o objetivo de recompensar os profissionais que mais se destacam. Segundo o diretor vice-presidente, Cláudio Hartmann, no ano que vem continuará sendo implementado o programa de gestão de desempenho, que avalia os funcionários individualmente para o pagamento de participação nos resultados. A busca, segundo Hartmann, é por uma cultura de meritocracia mais acentuada. "Se o profissional garante o crescimento constante e o lucro progressivo, é justo que ele seja valorizado", diz.

O presidente da AON, Marcelo Munerato, ressalta que muitas organizações frearam investimentos este ano por conta do cenário de incertezas. Para ele, os desafios do RH evoluem de acordo com o momento econômico, político ou social do país. "Isso torna 2014 um ano de difícil previsibilidade, com eleições e Copa. O desafio é manter o foco na produtividade e usar esses eventos para conseguir engajamento."
 

 

*Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 22/10/2013

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