Competências essenciais para o mercado que não são ensinadas na sala de aula

Data 23/12/2013

Muito mais do que ter uma boa formação técnica, para ser um profissional de primeira linha o mercado de trabalho cada vez mais exige competências e habilidades que não são ensinadas em sala de aula. Há um descolamento entre os dois mundos. “O ensino acadêmico não explora a realidade do mercado de trabalho e das corporações”, afirma Juliana Justi, gerente de Talentos América do Sul da Basf. Boa parte dessas exigências das empresas está relacionada a competências comportamentais, como resiliência e flexibilidade. Essas competências não são ensinadas na universidade, cujo foco é o conteúdo teórico.

Por isso, profissionais da área de RH ouvidos pelo Canal Rh consideram fundamental estreitar as relações entre empresa e universidade para ajudar a preencher essa lacuna.

O fato de as universidades focarem a formação na base teórica e em preparar o aluno de forma generalista – capaz de lidar com vários tipos de empresa, de grandes a pequenas -, é, para Masaaki Itakura, diretor de Estratégia Corporativa da Tokio Marine Seguradora, uma das razões desse distanciamento entre universidade e empresa. Segundo ele, como cada companhia tem uma cultura diferente e atua em um mercado distinto, as universidades se atêm às matérias básicas de cada área em detrimento de habilidades mais específicas, que interessariam a apenas uma ou outra companhia.

Muitas das características apontadas pelas empresas podem ser desenvolvidas com o tempo. “A vivência trará esse aprendizado”, diz Patrícia Lima, gerente de RH da Dow Corning. As empresas podem ajudar nesse processo. Os profissionais de RH apontam que isso é possível por meio de treinamentos práticos, coaching e feedback.

Confira abaixo as habilidades e competências que o mercado demanda, mas que passam longe das salas de aula.

Adaptabilidade/flexibilidade:
O mundo do trabalho está em constante mudança. As empresas se transformam, os gestores são substituídos e as demandas sofrem alterações ao longo do tempo. “O profissional tem que saber lidar com a mudança”, afirma Marinildes Amorim de Queiroz, especialista de RH da Vale Fertilizantes.

Foco no resultado:
As empresas não se interessam pelos colaboradores que são acomodados. Elas têm preferência por aqueles que estão atentos ao que está ocorrendo ao redor e procuram agir diante das demandas. “Não basta ter competência técnica, tem que mostrar resultados”, diz Marinildes, da Vale Fertilizantes, acrescentando que a entrega tem de ter qualidade. “Não basta fazer de qualquer jeito.”

Perfil empreendedor: A capacidade de transformar conhecimento em prática e de forma integrada é bem vista pelo mundo corporativo. Isso só é possível com profissionais empreendedores. “Poucas universidades possuem projetos que visam desenvolver esse tipo de profissional”, diz Miriam Kimura, gerente de Aquisição de Talentos da Dell Brasil.

Saber ouvir: “A liderança é construída em cima da troca, é preciso falar, mas também escutar”, diz Miriam, da Dell. Segundo ela, os profissionais de hoje não sabem ouvir, estão mais interessados em falar, o que prejudica o desenvolvimento de projetos e a resolução de problemas. A habilidade de saber ouvir está relacionada à capacidade de se relacionar bem e estabelecer networking.

Paixão: O profissional que faz diferença é aquele que tem paixão por aquilo que faz. “Ele vai demonstrar isso em todos os aspectos de seu trabalho: tem vontade de aprender, de mostrar resultados, faz não porque é obrigação, mas porque gosta”, afirma Patrícia Lima, gerente de RH da Dow Corning.

Humildade: As faculdades têm formado pessoas que acreditam que é preciso sair do mundo acadêmico sabendo tudo. “Mas isso é impossível e tem criado um problema para as empresas”, conta Patrícia, da Dow Corning. Os profissionais recém-formados passam na entrevista a ideia de que sabem realizar determinadas tarefas, mas na prática não entregam resultados, diz. “É preciso ter humildade para reconhecer o que não sabe e também para se relacionar com os outros”, recomenda.

Resiliência:
Essa é uma competência que separa o profissional sadio do doente, diz Patrícia, da Dow Corning. O mercado de trabalho exige demais das pessoas e, se o profissional não tiver resiliência, vai adoecer, diz ela. Ser resiliente é a capacidade de vir, doar, se entregar, mas tirar o pé do acelerador quando necessário.

Liderança: Liderar não é a mesma coisa que ser chefe e é uma característica essencial para todos os colaboradores. “Liderança é um aspecto fundamental, não no sentido hierárquico ou de cargo, mas na habilidade de influenciar de maneira construtiva um grupo de pessoas para atingir objetivos”, afirma Juliana Justi, gerente de Talentos América do Sul da Basf.

Trabalho em equipe: Em uma empresa, ninguém é uma ilha. Um trabalho de um colaborador – quando não é feito em conjunto de outros – dependerá inevitavelmente, em algum momento, do trabalho de outro. “É fundamental que o colaborador saiba trabalhar em equipe e que tenha um bom relacionamento interpessoal, garantindo a satisfação de seus clientes internos e externos”, afirma Masaaki Itakura, diretor de Estratégia Corporativa da Tokio Marine Seguradora.

*Essa notícia foi publicada no site Canal RH, em 19/12/2013

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