Competir ou cooperar?

Data 19/08/2014

“É preciso sair do modelo mental isso ou aquilo e caminhar para o modelo mental isso e aquilo”. Assim Lívia Sant’Ana, Vice-Presidente de Recursos Humanos da Mendes Júnior, empresa do ramo da construção pesada com mais de 60 anos de mercado, descreve como deve ser a gestão de pessoas das empresas que adotam a coopetição como estratégia de negócio.

O termo vindo da teoria dos jogos passou a fazer parte do contexto empresarial a partir da década de 90. Sua principal premissa é a possibilidade de que duas ou mais empresas concorrentes trabalhem cooperando entre si, sem deixarem de competir no mesmo mercado. A coopetição pode causar certa estranheza em um primeiro momento, mas é uma prática largamente utilizada pelo setor automobilístico, tecnológico e da construção, como é o caso da Mendes Júnior.

Lívia explica que a coopetição é uma realidade no ramo da construção pesada, porque as empresas precisam se reunir em consórcios para mitigar riscos, já que os empreendimentos são geralmente do governo e por isso exigem investimentos intensivos de capital. “Hoje, as empresas que atuam no setor de construção se associam para um determinado empreendimento, mas continuam competindo em outros negócios”.

Gestão de Pessoas e coopetição

Se a coopetição já é um desafio para a estratégia de mercado da organização, imagine como é a gestão de pessoas nesse cenário. Segundo a vice-presidente de RH da Mendes Júnior, o grande risco desse processo é a retenção de talentos, pois ao compartilhar sua equipe com seus parceiros, a empresa está expondo seus talentos.

Ela destaca que esse tipo de cooperação só é bem sucedido quando a gestão de pessoas é o centro da estratégia da empresa. “Não é possível evitar a exposição do seu empregado, uma vez que o empreendimento está sendo feito junto com parceiros que são ao mesmo tempo concorrentes. Então, a retenção desses talentos se dá pela proposta de valor que cada organização proporciona ao seu funcionário”.

Lívia ressalta que o RH precisa estar alinhado ao negócio de sua empresa, na Mendes Júnior, por exemplo, a coopetição modela a gestão. “É importante que a gestão de pessoas entenda como é que sua empresa está inserida no mercado, quais são suas vantagens competitivas e onde está o seu diferencial. Para isso, o modelo de gestão precisa refletir a realidade de negócio”.
 

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