Comportamento organizacional

Data 14/12/2011

LG: O que é comportamento organizacional? O que essa área estuda?

Antonio: Costumo dizer que Comportamento Organizacional é um neologismo, o que existe é o comportamento humano que, a depender do clima, da cultura da organização e das relações estabelecidas, pode produzir comportamentos saudáveis ou tóxicos em uma empresa.

LG: Como o RH pode gerenciar o comportamento organizacional, de forma a avaliar o impacto dos indivíduos no desempenho de uma organização?

Antonio: O papel do RH é consultivo, facilitador, mas quem vai produzir o impacto são as lideranças das respectivas áreas, a partir de comportamentos e exemplos.

A questão é complexa e, provocativamente, pergunto ao RH: “As pessoas estão no lugar certo?” “Elas gostam do que fazem?” “Elas podem dizer o que pensam e o que sentem dentro da organização?” “Elas participam ativamente das decisões em que se importam e podem contribuir?”

LG: Como o comportamento organizacional pode contribuir para a redução do absenteísmo e da rotatividade em uma empresa?

Antonio: Se as respostas às questões acima forem positivas, seguramente irão colaborar com a redução do absenteísmo, já que contribuirão para a saúde psíquica e emocional das pessoas.

LG: Quais são as principais vantagens que uma empresa ganha ao adotar esse modelo em sua administração?

Antonio: Produtividade. Em um local onde você se sente importante e competente, você dá o seu melhor, você quer produzir, retribuir o sentimento que tem ao estar naquele grupo.

LG: Em sua opinião, quais são os principais desafios no uso do Comportamento Organizacional?

Antonio: Como demonstra o Psicólogo Will Schutz em sua obra “The Human Element”, o desafio é atender às necessidades humanas, comuns a qualquer um de nós, de Inclusão (fazer parte, ser incluído), Controle (relação adequada de autoridade) e Abertura (poder falar o que pensa e o que sente, se importar com o outro).

LG: Atualmente, você acredita que as empresas estão utilizando o gerenciamento de comportamento organizacional para explicar, prever e controlar os fenômenos relacionados ao comportamento humano?

Antonio: Não gosto de generalizar e afirmar que sim ou não. Diria que isso vai depender da visão da liderança, do clima de abertura e confiança construído e vivido pelas pessoas na empresa. Podemos afirmar que comportamentos adequados de Inclusão, Controle e Abertura geram sentimentos correlatos de Importância, Competência e Bem-Querer. Se essas dimensões estão bem resolvidas, os medos de ser ignorado, humilhado ou rejeitado estarão ausentes e, nesse caso, há um clima favorável para que as pessoas se sintam estimadas.

LG: O estudo do comportamento organizacional deve ser realizado por um departamento da empresa ou por uma consultoria especializada?

Antonio: A visão de um “forasteiro”, no caso um consultor, que não vive a “conserva cultural” reinante e a depender da sua vivência profissional, poderá facilitar o processo de construção de uma comunicação mais fluída, aberta e produtiva. Mas isso vai depender, fundamentalmente, do comprometimento das lideranças e das pessoas.

LG: Você conhece algum case de sucesso de uma empresa que utilizou o comportamento organizacional e conseguiu êxito na sua administração de recursos humanos? Se sim, você poderia compartilhar conosco?

Antonio: Participei de um dos processos mais interessantes no quesito Comunicação e Feedback, que gerou uma mudança cultural grandiosa no comportamento das pessoas. Uma multinacional, sediada no interior de São Paulo, colocou em uma mesma sala para trocar feedback, com um trabalho de preparação e acompanhamento, todos os profissionais da sua fábrica, indistintamente. Isso mudou profundamente as relações do dia a dia. Um novo clima de abertura e confiança foi instalado. Mais confiança significa menos tempo perdido com as negociações. O resultado compensou a coragem.

Comportamento organizacionalAntonio Amorim é economista e pós-graduado em Administração Financeira e Psicologia Organizacional. Possui experiência há mais de 20 anos nas áreas Financeira, Administrativa e de Recursos Humanos com liderança de equipes em grandes empresas. Atua há mais de 10 como Palestrante e Consultor em temas ligados ao campo do Desenvolvimento Humano e Organizacional em vários estados do Brasil. Professor de Pós-Graduação e MBA e Coordenador de Projetos da Fundação ADM (UFBA). Possui nove livros publicados, entre artigos, poesias e contos.

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