Comprometimento nas empresas

Data 09/09/2009

LG: Em seu artigo Comprometimento: um passo a mais…, você define o comprometimento com sendo “tudo que as pessoas fazem a mais, sem que alguém tenha solicitado”. Você pode discorrer um pouco mais sobre essa idéia?

Oshiro: Na realidade, o comprometimento está muito ligado à eficácia e ao amor com que as pessoas executam uma tarefa. O eficaz faz mais, em menor tempo e com menos custos. E, adicionado um pouco de paixão no que se realiza, se completa os ingredientes para o comprometimento. Quando fazemos por paixão, não temos trabalho, apenas estamos nos divertindo.

LG: Podemos dizer que o comprometimento é uma qualidade que o ser humano pode ou não ter, ou seja, as pessoas são ou não são comprometidas, ou tudo depende da circunstância e do contexto em que estão vivendo?

Oshiro: Tudo depende do contexto. O comprometimento vem de uma série de fatores. Entre eles, o ambiente de trabalho, a motivação atual, e estar encaixado no lugar certo na função. Pessoas felizes com a organização naturalmente dão mais o sangue. O comportamento nato também ajuda, tem pessoas que por natureza já são comprometidas, mas não é somente ele que traz o compromisso maior.

LG: Você diria que, no geral, as pessoas são menos comprometidas em seus relacionamentos (sociais, profissionais, afetivos e familiares), hoje, que no passado? Por quê?

Oshiro: Hoje o mundo é mais rápido. As mudanças acontecem com mais velocidade, e por isso as pessoas são mais ágeis nas tomadas de decisão e menos afetivas. Isso colabora para que a eternidade de um relacionamento não seja mais tão frequente.

LG: Percebemos, em muitas situações, que as expectativas da empresa se chocam com as do empregado. Você acredita que há grandes diferenças entre o que a empresa espera do comprometimento de um funcionário e como este se vê comprometido à organização em que atua?

Oshiro: A base de tudo é a cultura da empresa, que nada mais é como seus donos pensam. A organização é quem deve dar o primeiro passo. Se ela for comprometida com o colaborador, a reciprocidade será a mesma. Dizem que grandes empresas atraem grandes colaboradores, enquanto empresas medíocres têm colaboradores a sua altura também. É a lei da atração.

LG: À frente da Targo Consultoria, você já auxiliou muitas empresas a descobrir e formar talentos. A partir de sua experiência, você diria que o comprometimento é uma competência que pode ser treinada?

Oshiro: Na realidade a missão da Targo é: “Descobrir e formar talentos para o sucesso profissional”. Tudo que fazemos é baseado nessa frase, desde que iniciamos há 10 anos. Tudo pode ser treinado, desde que as pessoas queiram, e que os gestores da empresa queiram. Não adianta treinar atendimento excelente ao publico, se os gestores não atendem bem ao seu colaborador. Isso é um paradoxo. Gestão de pessoas é efeito cascata.

LG: No mundo de hoje, é comum encontrar profissionais que se dedicam muito ao trabalho e acabam negligenciando sua saúde e seus relacionamentos pessoais. Como é possível equilibrar o comprometimento à empresa, sem prejudicar a vida pessoal?

O profissional completo é composto de 4 cernes: fisico, social/emocional, mental e espiritual. Quando preenchemos todos esses 4 itens, alcançamos o equilíbrio. Esse é o desafio. Nós temos vários papéis dentro da sociedade, somente para citar alguns: papel de pai, filho, marido, empresário ou colaborador, amigo etc. E o desafio é termos tempo para todos esses papéis que mais impactam a nossa vida e das outras pessoas.

Comprometimento nas empresasCarlos Eduardo Oshiro é administrador formado pela UFMS, pós-graduado em Marketing e especialista em comportamento humano. É proprietário da Targo Consultoria, Hamburguella Sanduicheria e Coliseu Pizzaria, além de articulista do Jornal A Critica, de Manaus. Contato pelo e-mail oshiro@targo.com.br, twitter: @carlososhiro. Acesse o site: www.targo.com.br.