Comunicação de líder: conectando pessoas e propósitos

Data 05/01/2015

*Por Eduardo Zugaib

Entre as tarefas de um líder está a de inspirar, motivar e conectar pessoas e propósitos, estabelecendo bases seguras para que seus liderados realizem suas tarefas conscientes e de forma plena. Para tanto, é essencial o desenvolvimento pleno daquela que, seguramente, é a mais importante ferramenta do líder: a comunicação.

Em programas de desenvolvimento de lideranças e integração de equipes, já se tornou padrão a ocorrência de constatações de gerentes sobre colaboradores dentro do seguinte tom: “Durante o período de experiência, ele trabalhou muito bem e superou as expectativas. Mas, bastou efetivar, que relaxou”. Na outra ponta dessa “corda” na qual está o colaborador, a leitura é outra: “Durante minha experiência, tive feedback contínuo. Meu trabalho era monitorado e eu sabia onde precisava melhorar. Depois que efetivei, meu gerente simplesmente se esqueceu de mim e me tornei um ‘mobiliário’ da empresa. Desde então, estou em um voo cego e não sei o que está bom ou não”.     

Em um estudo realizado no início da década pelo Project Management Institute com CEOs e dirigentes de diversos setores, apontou-se como causa principal dos fracassos de seus projetos problemas de comunicação. 76% dos projetos que deram errado tiveram, no seu desenvolvimento, problemas graves de comunicação como causa raiz.

Constatações assim, empíricas e científicas, apenas confirmam aquilo que tem emergido como primeira necessidade entre organizações dos mais variados portes ou setores: o desenvolvimento de uma comunicação efetiva pelos seus líderes é urgente. E essa comunicação precisa respeitar o cenário de diversidade que hoje compõe as organizações. Desde a diversidade de gerações, passando pela de estilos comportamentais, de inteligências que compõem o time, e a situacional, que apura o nível de complexidade e de urgência dos desafios enfrentados.

Nesse cenário, destacam-se os líderes que possuem uma capacidade legítima de conectar-se na ‘essência’ com sua equipe, realizando uma leitura lúcida, justa e assertiva dos diversos perfis que a compõem. Essa conexão se constrói a partir de ferramentas como o feedback, que aponta situações de ajuste a partir de fatos já ocorridos e o feedfoward, que possibilita que o líder, em um exercício de cocriação com seu liderado, ajude-o a visualizar o futuro desejado tornando-o ‘tangível’.

Comunicação é uma via de mão dupla e, na caixa de ferramentas do líder, também é preciso ter a ‘Escuta Ativa’, que se traduz pela capacidade de ouvir muito mais do que as palavras: ouvir também com os olhos e com o coração.

Por último, o líder pode incluir na sua comunicação a prática da ‘Validação’, que é o reconhecimento legítimo, verdadeiro e essencial dos pontos positivos do colaborador. Em um cenário em que muitos gestores ainda utilizam apenas a ‘métrica do erro’ para orientar sua equipe, compreender que, para criar um ambiente de confiança que permita feedbacks seguros, é fundamental apontar também aquilo que dá certo. A razão é simples: sempre que recebemos um elogio verdadeiro, passada a sensação de massagem no ego, o que permanece é a percepção de que, a partir daquele momento, não vai se esperar menos da gente do que aquele bom resultado. Conectando-se com sua equipe, o líder a desenvolve para conectar-se com o mundo lá fora, ampliando as possibilidades de sucesso quanto aos objetivos da empresa.

 

*Eduardo Zugaib é escritor, profissional de comunicação e marketing, professor de pós-graduação, palestrante motivacional e comportamental.

 

Compartilhe:

Comentários