Comunicação direta entre base e cúpula é um fator para o sucesso empresarial

Data 30/01/2012

 

A comunicação entre gestores e colaboradores é motivo de atenção no mundo corporativo. A forma como os profissionais se relacionam com seus superiores diretos alcançou o status de peça-chave no processo de gestão de pessoas e obtenção de resultados. Mas o que dizer do contato entre funcionários de alto escalão e aqueles que se encontram na base do processo produtivo? Até que ponto presidentes, superintendentes e executivos de alto nível se mantêm em contato com a rotina de quem exerce atividades mais operacionais? Qual o reflexo de uma atitude pró-ativa no que diz respeito à busca por essas informações?

Segundo Jucila Gosling, consultora Sênior da Towers Watson na área de Talentos & Recompensas, esse processo de comunicação entre as esferas de poder mais altas e os demais colaboradores gera um espaço onde o profissional se sente ouvido e respeitado. Isso é essencial para incentivar e manter a conexão da equipe. E uma equipe engajada é um elemento fundamental na obtenção de resultados positivos. De acordo com pesquisas realizadas pela Towers Watson, acionistas de empresas com altos índices de engajamento têm retorno até três vezes maior do que a média. “A criação de meios que permitam a comunicação entre colaboradores e o presidente da empresa permite que eles tomem conhecimento de para onde a organização caminha e possam decidir se também querem ir nessa direção; é daí que vem o engajamento”, explica a consultora.

Há inúmeras maneiras de abrir espaço para a troca de ideias e opiniões: reuniões periódicas, e-mails, murais, campanhas para aumentar a participação na intranet, criações de canais diretos como "Fale com o presidente", caixas de sugestões etc. O ideal é levar em conta o perfil e a cultura da empresa e garantir a oferta do maior número possível de opções. “No dia a dia, nem sempre é possível organizar um encontro físico e direto, por isso é importante criar canais transparentes de comunicação por meio dos quais a empresa possa agir de forma efetiva”, diz Jucila.

Café com o superintendente

É o caso do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, que mantém fóruns periódicos e permanentes para troca de ideias. “Todas as sugestões vindas dos colaboradores são encaminhadas para os departamentos pertinentes onde são analisadas e postas em prática assim que possível”, explica a superintendente de Desenvolvimento Humano e Institucional do hospital, Cleusa Ench. Foi o que aconteceu quando um profissional da área de atendimento sugeriu mudanças na comunicação visual da sala de espera dos pacientes. Ele observou que com mais informações disponíveis na sala, a orientação dos pacientes seria facilitada e, consequentemente, facilitaria o trabalho da equipe em serviço no local. Uma vez recebida a ideia, fez-se contato com os gestores para avaliar o processo de pô-la em prática e foram tomadas ações para sua implementação.

A importância que questões levantadas pelos colaboradores têm junto à superintendência não é a toa. A unidade passou por uma reformulação interna de modo a se adequar aos padrões internacionais da Joint Commission International (JCI), uma agência norte-americana de acreditação de padrões assistenciais de qualidade dos serviços de saúde que atua em mais de 40 países. Um dos princípios da JCI é garantir mais atenção e espaço para o fluxo de ideias e sugestões entre os níveis hierárquicos das organizações.

Pensando nisso, a unidade de saúde elaborou uma série de oportunidades de encontro e troca de ideias. É o caso do café que o superintendente Executivo toma com colaboradores de todas as áreas do hospital a cada 15 dias. Durante os encontros os participantes têm a oportunidade de fazer suas críticas e sugestões diretamente à autoridade máxima da instituição. O hospital conta também com reuniões quadrimestrais de apresentação de resultados entre os membros da superintendência e todos os profissionais do hospital. “Além dos encontros presenciais, o hospital possui outras formas de saber qual a opinião dos colaboradores, como os jornais mural e os e-mails existem outras forma, todos pensados para criar um ambiente onde todos se sintam a vontade para se manifestar”, completa Cleusa.

Independente da forma, presidentes, superintendentes e mandatários em geral precisam ter em mente que a comunicação clara, transparente e objetiva tem que ser um dos valores da companhia. É deles a responsabilidade de criar meios para que as pessoas falem abertamente o que pensam e que essas ideias cheguem aos altos escalões da forma mais precisa possível. Mais do que uma forma de agradar os colaboradores, a preocupação em se manter informado sobre o que acontece em todas as áreas de uma organização é uma das formas mais eficazes de garantir uma gestão de sucesso. “Quanto mais próximo você está da realidade da empresa, melhor você consegue atender as demandas e expectativas que surgem e alcançar melhores resultados”, finaliza a consultora Jucila.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 21/07/10.