Construindo modelos mentais positivos para uma liderança positiva

Data 16/09/2013

*Por César Ayer

Caro leitor, diariamente vivenciamos, presenciamos, assistimos ou ouvimos situações iguais mas, cada um de nós percebe, reflete e chega a conclusões diferentes a respeito destas situações. A partir da nossa própria maneria de ver o mundo, somado aquilo que acreditamos, mais a nossa educação, experiências de vida, ambiente que fomos criados e que vivemos é que construímos aquilo que se chama de modelo mentais.

Um modelo mental é uma forma de enxergar o mundo (situação ou comportamento de uma outra pessoa). E aqui vou propor o seguinte: não há um modelo mental certo ou errado. As pessoas têm seus próprios motivos para construir e aplicar no dia a dia os seus próprios modelos mentais. Essa aplicação se dá através dos comportamentos utilizados nos ambientes que estas pessoas estão inseridas. E, estes comportamentos geram um determinado resultado.

Você já parou para pensar sobre a importância dos modelos mentais na sua vida e nos impactos que estes modelos podem gerar? Agora, imagine esses modelos mentais sendo colocados em prática pelos líderes no mundo corporativo. Peter Senge, autor do livro -"A Quinta Disciplina", conceitua que “modelos mentais são pressupostos profundamente arraigados, generalizações, ilustrações, imagens ou histórias que influem as nossas maneira de compreender o mundo e nele agir”. Em outras palavras, são os modelos mentais de cada indivíduo que definem como o mesmo irá perceber o que está acontecendo à sua volta, como irá se sentir com isso, como ele pensa e, finalmente, como irá agir.

Portanto, como citei anteriormente, cada indivíduo tem o seu próprio modelo mental, ou seja modelos mentais construídos a partir das sua crenças e experiências vividas. Exatamente por isso, por serem crenças construídas através de uma experiência vivida, a maioria das pessoas podem não estar dispostas a abrir mão dos seus modelos mentais com muita facilidade e, grande parte delas, também acreditam que a sua forma de ver as coisas é a melhor. Por esse motivo, muitas podem não querer sequer ouvir as explicações com relação aos pontos de vista discordantes dos seus. E, por uma incrivel coincidência, não é isso que acontece muitas vezes no mundo corporativo? As pessoas se “apegam”aos seus modelos mentais como se fossem “verdades absolutas” que para elas o são. Daí, o surgimento de possíveis conflitos entre líderes e liderados ou em qualquer outro nível das relações corporativas.

No mundo organizacional, por exemplo, os modelos mentais podem constituir-se de elementos facilitadores ou de “amarras” para a realização da visão, missão e valores da organização, e, principamente, para um exercício da liderança eficaz. Justamente porque são constituídos por um conjunto de percepções difíceis de serem mapeadas. Uma analogia que faço é, imagine um iceberg, a parte de cima (menor parte) são os comportamentos, estes representam os modelos mentais em ação, na parte de baixo (maior parte)  do iceberg estão as experiências, histórias de vida, os valores e as crenças do indivíduo, elementos que constituem a estrutura dos modelos mentais, mas que são mais difíceis de serem identificados, a não ser que os líderes estejam verdadeiramente dispostos a conhecer cada um dos liderados da sua equipe.

Portanto, os modelos mentais vivem invisíveis na grande maioria das organizações, como consequência não são explicitados e nem examinados pelas lideranças de uma forma geral. Quando bem construídos por líderes e liderados, permitem que os mesmos trabalhem de forma mais transparente e muito mais eficaz. Neste cenário ideal,  qual é o primeiro passo para a construção de modelos mentais eficazes na liderança?

O primeiro passo é o líder avaliar os seus próprios modelos mentais, questionando-se sobre o quanto estes modelos atuais estão facilitando ou dificultando a sua liderança. Algumas perguntas podem ajudar bastante, por exemplo:
 

  • Como surgiram estes modelos mentais? (Educação, Experiências profissionais anteriores, etc.)
  • Estes modelos mentais são “verdades absolutas”?
  • Quais os impactos (Positivos e Negativos) que estes modelos mentais podem provocar ou já estão provocando nos seus comportamentos como líder e nas pessoas que compõe a sua equipe? 
  • Quais são os ganhos e as perdas ao manter estes modelos mentais?
  • Quais são os ganhos e as perdas mudando estes modelos mentais?

O segundo passo é se perguntar que tipo de líder você quer ser? Para isso reflita quais valores e crenças serão necessários para a substituição dos modelos mentais atuais que não estão gerando os melhores resultados que você pode alcançar. Que capacidades precisarão ser desenvolvidas para que os comportamentos sejam os melhores, impactando o ambiente da sua liderança positivamente, reforçando a sua nova identidade como líder?

O terceiro e último passo é avaliar constantemente os seus modelos mentais para uma liderança de alta performance e, conjuntamente, analisar os modelos mentais da sua equipe, inspirando-os a construir novos e melhores modelos mentais para resultados extraordinários. Pense nisso…


*César Ayer é trainer da Cresimentum, formado em Administração de Empresas e Pós-Graduado em Marketing. Especialista em Desenvolvimento de Lideranças. Certificado Internacional em Coaching pela Lambent do Brasil. Possui mais de 23 anos de mercado em empresas de produtos e serviços.

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