Construindo pontes: uma lição para a vida

Data 15/02/2016

“Tudo que eu conquistei foi através de pontes. Sempre construí laços com as pessoas. Não conseguiria chegar à minha posição se não fosse por elas”, comenta Alcione Albanesi. Em entrevista à Huma, a empreendedora, que começou o próprio negócio aos 17 anos, fala sobre o início de sua carreira e ressalta o papel das pessoas que a apoiaram nessa caminhada. Alcione foi do ramo da moda ao mercado de lâmpadas e, paralelamente, desenvolveu o projeto social Amigos do Bem, iniciativa que leva assistência médica e odontológica, educação e ações de autodesenvolvimento ao sertão nordestino.

Alcione Albanesi, fundadora da FLC, líder nacional na venda de lâmpadas, e da ONG Amigos do Bem.

Huma: Fale sobre sua carreira e como iniciou seu próprio negócio.

Alcione Albanesi: Aos 14 anos, fiz intercâmbio nos Estados Unidos, após conseguir o dinheiro rifando os presentes que eu ganhava de aniversário. Quando voltei, estava com um problema de postura e para corrigi-lo minha mãe me colocou em uma escola que ensinava como se portar. Lá, eu tive contato com várias modelos e vi que poderia ganhar meu próprio dinheiro fazendo alguns desfiles, pois tinha perfil para isso. Após um ano e meio desfilando, percebi que não queria seguir nessa carreira. Meu desejo era ser dona da confecção que produzia as roupas para os desfiles. Com os recursos que juntei nesse período, comprei um salão pequeno e comecei minha própria confecção aos 17 anos. Logo, estava à frente de 80 funcionários e negociando com grandes redes de vestuário.

Huma: Quais os principais desafios enfrentados durante sua carreira?

Alcione Albanesi: O primeiro desafio foi convencer as lojas que eu, uma garota de 17 anos, poderia pegar grandes pedidos e entregá-los. Também enfrentei dificuldades ao buscar crédito para compra de grandes volumes de tecidos. Ao sair do ramo da moda e mudar para o de materiais elétricos, encontrei um mercado 100% machista. Na época, não havia proprietárias desse tipo de loja, mas com jeito e muito trabalho consegui superar mais essa etapa. Em 1992, fui sozinha para a China procurar por lâmpadas. Até então, esse país era bem desconhecido pelos brasileiros.

A partir dessa experiência, em 1993, eu trouxe um produto que não existia no Brasil. Enquanto as pessoas falavam sobre lâmpadas incandescentes, eu vendia as econômicas. Com o apagão, meus produtos substituíram as incandescentes e a FLC tornou-se líder com mais de 36% de participação de mercado.

Huma: Para você, quais são as tendências em gestão de pessoas para os próximos anos?

Alcione Albanesi: Eu acredito que a principal tendência é desenvolver o olhar humano. Enxergar os colaboradores como pessoas, não apenas como números. Quanto mais o funcionário sentir essa proximidade, melhores serão os resultados. Também acredito que administrar uma organização requer menos reunião e mais ação. Hoje, fazemos muitas reuniões, saímos com várias definições no papel, mas não temos tempo de colocar em prática. Ficamos cheios de planejamentos e levantamentos, mas executamos pouco. Na minha visão, um presidente também não consegue de dentro de um escritório saber exatamente o que está acontecendo no mercado. É por isso que essa proximidade com os colaboradores é tão relevante.

Huma: Por que é importante que as empresas invistam em seus líderes?

Alcione Albanesi: Os líderes são multiplicadores e quanto mais investirmos neles, mais preparados estarão para alcançar resultados. O gestor tem a missão de apresentar os planos e metas da empresa de forma muito clara aos colaboradores, envolvê-los e mantê-los motivados. Por isso, é preciso confiar ainda mais no trabalho do líder. Muitas vezes ele sabe fazer, mas não se sente seguro para desenvolver sua equipe.

Huma: Fale sobre o projeto Amigos do Bem e da sua preocupação com o tema responsabilidade social.

Alcione Albanesi: No meio de tudo isso, trabalhando 15 horas por dia, eu ainda desenvolvo o projeto social Amigos do Bem desde 1993. No ano passado, tomei uma das decisões mais difíceis da minha vida ao optar por vender 80% da FLC. Hoje, continuo atuando no conselho como sócia, mas decidi me dedicar ainda mais ao Amigos do Bem. Contamos com cinco mil voluntários para atender mais de 60 mil pessoas no sertão nordestino que vivem em extrema miséria. Mesmo com essa pesada carga de trabalho, há cinco anos, eu dedico dez dias por mês ao voluntariado no Nordeste. Precisamos cuidar de pessoas que não tiveram a mesma sorte que a gente. Além disso, esse projeto me tornou uma pessoa melhor e me ajudou a desenvolver meu olhar humano. Já geramos 700 empregos e nosso próximo desafio é tornar o projeto autossustentável.

 

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