Contratação de pessoal qualificado para driblar a crise

Data 22/02/2012

A Europa enfrenta hoje uma crise de proporções e alcance ainda desconhecidos, desencadeada pelo endividamento excessivo de alguns países, como Grécia e Portugal. Os reflexos da recessão na Zona do Euro sobre a economia brasileira ainda são tênues, mas já preocupam a maioria dos executivos brasileiros. É o que revela a 15ª Pesquisa Global Anual de CEOs realizada pela consultoria PriceWaterhouseCoopers (PWC), divulgada em janeiro. Cerca de 1.300 empresas em 60 países participaram do estudo.

Segundo a pesquisa, 58% dos entrevistados brasileiros acreditam que a expansão dos seus negócios pode ser afetada pela recessão mundial. Para o economista e professor do MBA em Gestão Empresarial da IBE-FGV, de Campinas, Paulo Grandi, a crise causa impacto no fluxo de comércio de países que estão passando por momentos delicados em sua economia, exemplos das nações européias. “Como consequência disso, as demandas alteradas provocam uma readequação tanto nas compras como nos estoques e passam a dificultar os negócios de quem exporta para aquele mercado.”

João Ricardo Toledo Saretta, diretor Administrativo-Financeiro do M. Cassab, grupo empresarial de atividades diversificadas (indústria, distribuição, trading, varejo e serviços), acredita que, em médio e longo prazos, não há razão para pessimismo. “É claro que ninguém passa totalmente imune por uma crise mundial, mas as empresas mais bem preparadas conseguirão enfrentar esse período com certa tranquilidade”. Desde que, emenda, busquem novos negócios e invistam em capital humano. “O desenvolvimento de novos produtos e a contratação de colaboradores de alto nível precisam estar no centro do plano de negócios se a empresa pretende sair mais forte da crise”, diz.

Desoneração e competitividade

Embora considerem a crise européia uma ameaça aos negócios no Brasil, 51% dos executivos ouvidos pela PwC dizem que as empresas nas quais trabalham deverão crescer em 2012. É o caso da fabricante de balanças de precisão Marte Científica, cuja meta de crescimento para este ano é de 20%. Por essa razão, afirma a diretora de Recursos Humanos, Anneliese Malschitzky Rocha, a empresa pretende aumentar o quadro de colaboradores em 10%.

O momento requer muita atenção, segundo os entrevistados pela PwC, porque a economia brasileira apresenta fragilidades significativas que podem comprometer seriamente seu desempenho. A alta carga tributária brasileira é uma delas, porque inibe investimentos no País. “A desoneração de alguns impostos tornaria a indústria mais competitiva. O incentivo para instalação de novas fábricas também ajudaria”, diz Paulo Grandi, da IBE-FGV.

Nesse sentido, diz Claudio Silva, gestor de Recursos Humanos da Sideway, do setor têxtil, a Medida Provisória 540/2011 foi uma boa medida, porque reduziu a contribuição da Guia de Previdência Social (GPS) de 20% para 1,5% do faturamento líquido da indústria. A nova regra vale para os setores têxtil, calçadista, mobiliário e TI. “A verba que antes seria gasta com a GPS, agora poderá ser usada para contratar novos colaboradores.”

Outro ponto preocupante apontado pelos CEOs é a variação cambial. Mais da metade dos entrevistados (56%) considera esse fator como possível ameaça à expansão dos negócios. “A desvalorização da moeda [real] torna os produtos importados mais caros, e, de alguma forma, isso acaba sendo repassado para o consumidor final”, diz Saretta, da M.Cassab, alertando para possíveis impactos sobre o consumo.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 15/02/12.