Contratações levam em conta afinidades culturais

Data 11/12/2012

O processo de contratação é mais do que uma busca por habilidades e competências. Ele também é guiado pela afinidade cultural que o candidato compartilha com o recrutador – que, em alguns casos, chega a falar mais alto do que a preocupação com produtividade. A conclusão é de um estudo publicado na American Sociological Review, baseado na análise de 120 entrevistas de empregos em companhias de serviços financeiros, advocacia e consultoria nos Estados Unidos.

Procurar profissionais que se encaixem na cultura da empresa é um dos grandes desafios de departamentos de recursos humanos atualmente. De acordo com o estudo, uma das formas de chegar a esse resultado é buscar profissionais que sejam parecidos com os funcionários que a companhia já tem. A pesquisa, realizada por uma pesquisadora da Universidade de Northwestern, nos EUA, mostra que os recrutadores se baseiam na própria imagem para fazer esse julgamento. Ou seja, em busca de alguém que combine com a cultura organizacional da companhia, o profissional realizando a entrevista de emprego acaba dando preferência a pessoas com interesses, gostos e estilo de vida similares aos seus.

Ao justificar o porquê das decisões, os recrutadores entrevistados explicaram que o trabalho intenso e desgastante faz com que eles precisem passar muito tempo com os novos contratados – dessa forma, ter a companhia de pessoas com interesses similares seria mais agradável, ainda que eles mesmo admitam que isso não levaria necessariamente a mais produtividade. Com frequência, a autora aponta que os recrutadores compararam a busca por novos profissionais a escolha de amigos ou namorados.

Ao analisar estudantes da mesma instituição de ensino competindo por empregos, o estudo observa que os profissionais que compartilham comportamentos culturais, experiências extra-profissionais e hobbies com os recrutadroes conseguiram empregos com salários até quatro vezes maiores que os outros. O principal problema apontado pela autora do estudo, Lauren Rivera, é que os interesses valorizados pelas empresas tendem a ser atividades extra-curriculares adquiridas por meio de investimentos financeiros contínuos, não só por parte dos candidatos, como por parte dos seus pais. Dessa forma, o processo acaba privilegiando candidatos de classes média e alta, criando desigualdade no acesso a cargos importantes.

*Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 7/12/2012