Cortar gastos não significa, necessariamente, cortar pessoal

Data 11/01/2012

Contenção de gastos sempre gera alarde entre os funcionários, afinal o corte de pessoal costuma figurar entre as medidas mais usadas pelas empresas na hora de reduzir despesas. Muitas companhias, no entanto, já perceberam que é preciso buscar outros caminhos, principalmente em momentos de escassez de mão de obra qualificada. Todavia, se a redução da folha de pagamento for mesmo imprescindível, as corporações devem realizar um mapeamento de talentos para não perder seus melhores profissionais. “O ideal é que, antes de demitir, a empresa faça uma avaliação dos talentos humanos, a fim de manter os melhores. Aqueles que agregam pouco valor devem ser os primeiros a serem demitidos”, orienta Gutemberg de Macedo, presidente do Instituto Gutemberg, focado em desenvolvimento humano.

O cuidado precisa ser redobrado em empresas com atividades muito específicas, cujos profissionais passam por treinamentos especializados. Na BgmRodotec, que oferece softwares para gestão de empresas de transportes, demitir colaboradores costuma ser a última opção. “Pela elevada especificidade da nossa atividade, a formação dos profissionais é lenta e custosa. Por isso, buscamos reduzir os custos sem alterar o quadro de colaboradores”, explica Edson Caldeira, diretor Financeiro da companhia.

Se o objetivo é manter os funcionários, a principal saída é conscientizá-los de que os desperdícios precisam ser evitados e incentivar que os colaboradores tragam ideias de como reduzir os gastos da empresa. “A melhor maneira de fazer com que os funcionários se sensibilizem e ajudem a economizar é abrindo os livros contábeis e mostrando a real situação da empresa para pedir a solidariedade de todos, a fim de que não haja necessidade de medidas drásticas”, sugere Macedo. “Quando a comunicação é verdadeiramente transparente as pessoas ouvem e colaboram”.

Uso racional dos recursos

Na BgmRodotec, a equipe é conscientizada sobre a importância econômica e ambiental de utilizar racionalmente os recursos e materiais. “Por meio de indicadores, como de desempenho, de diminuição de erros e de retrabalho, motivamos a equipe a buscar melhores resultados que influenciam diretamente os custos”, conta Caldeira. Segundo o diretor, a conscientização e mudança de comportamento para contenção de gastos precisam envolver todos os níveis hierárquicos. “O exemplo da liderança é fundamental”, diz.

Trata-se de um trabalho de formiguinha e de longo prazo. “Acho que conseguimos essa confiança da equipe por meio do relacionamento diário. Existe uma transparência muito grande com relação à saúde financeira da empresa. E o resultado disso é que nossa rotatividade é muito baixa”, comemora Caldeira. Para Macedo, a prática constante de contenção de gastos é sinônimo de boa administração. “Cortar o que é verdadeiramente supérfluo, como viagens desnecessárias, uso excessivo de telefone, festas e convenções milionárias, deve ser atitude constante, parte do dia a dia dos profissionais”, acredita.

Em 30 anos de existência, a BgmRodotec precisou uma única vez fazer um corte de pessoal por conta da situação do mercado na época. “Tivemos que cortar cerca de 10% do quadro. Foi muito difícil, pois não tínhamos ninguém que estivesse ocioso, mas não tínhamos outra opção”, conta Caldeira. Fora essa situação, a busca pela utilização racional dos recursos – inclusive os humanos – faz parte do dia a dia da companhia. “Toda empresa bem administrada tem a sua atenção voltada para a eliminação dos custos e dos desperdícios”, afirma Macedo. “De uma forma positiva, conter gastos deve ser uma diretriz de qualquer empresa”, finaliza Caldeira.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 03/01/12.