Creche é comodidade para colaboradora e dedicação para empresa

Data 22/03/2011

 

Conciliar as obrigações do trabalho e ao mesmo tempo ser uma boa mãe é um dos principais dilemas das mulheres à medida que ganharam mais espaço e responsabilidades profissionalmente. Atentas a essa realidade, algumas empresas oferecem o benefício das creches para facilitar a rotina feminina.

No setor farmacêutico, o acordo coletivo determina alguns benefícios para as colaboradoras que são mães. Na Bristol-Myers Squibb, por exemplo, há o auxílio creche de R$ 450 até a criança completar 30 meses de idade. A empresa também oferece um serviço de lactário, para que a mãe possa extrair o leite durante o expediente e armazená-lo nas condições adequadas. “A mãe pode armazenar o leite e levar a casa no final do expediente para deixar para a criança para o dia seguinte ou solicitar que alguém venha buscá-lo na empresa”, explica Samanta Pastos, gerente da Área de Remuneração e Benefícios da empresa.

Segundo Samanta, o objetivo da empresa é garantir maior equilíbrio entre a vida profissional e pessoal para que elas estejam mais tranquilas durante sua atividade laboral. A gerente comenta, ainda, que esse tipo de benefício faz parte das prerrogativas do ramo farmacêutico em oferecer uma melhor qualidade de vida aos profissionais.

Na Procter&Gamble Brasil, o benefício é o mesmo: auxílio-creche e sala de lactantes para as funcionários. A gerente de Recursos Humanos, Ruth Camasmie, explica que o objetivo da empresa é, justamente, auxiliar as mães a conciliarem o trabalho e a vida pessoal. “A intenção é permitir que se sintam capazes de continuar a trabalhar mesmo que em alguns momentos desejem se dedicar somente à família”, ressalta.

Segundo a executiva, a expectativa da companhia ao fornecer esses benefícios é de que as colaboradoras continuem a trabalhar e cresçam na companhia. A empresa não realiza nenhum tipo de medição financeira formal ou de absenteísmo para calcular a contribuição dos benefícios, mas afirma que a empresa sabe que suas políticas garantem um ambiente saudável para as mulheres. “Com nossas políticas para a mulher e suas crianças, alcançamos nosso objetivo de reter essas profissionais, que atingiram conhecimento importante na empresa e contribuem para os resultados de negócios”, resume.

Planejamento e boa vontade

Além do benefício financeiro de apoio a creches, há empresas que optam por instalar uma estrutura interna. É nesse ramo que atua Danielle Cristina Wolff, sócia fundadora da Ceduc, empresa que presta serviços de instalação e gestão de creches empresariais. Segundo ela, o benefício traz resultados satisfatórios para companhias e para as colaboradoras. “As profissionais se sentem mais satisfeitas e orgulhosas e as empresas também ganham por ter uma pessoa mais dedicada ao trabalho e menos preocupada com questões domésticas”, analisa. Para ela, a mensagem de uma empresa que oferece esse tipo de serviço é de que a companhia assume uma posição de ajudar na tarefa de cuidar de seus filhos.

Danielle ressalta, entretanto, que é preciso haver planejamento e boa vontade por parte dos empregadores, pois a creche interna representa mudanças físicas para as quais as empresas precisam estar preparadas. “São estruturas que fogem totalmente à rotina corporativa, como salas para descanso, lactário, cozinha etc.”.

Para Sidney Shiroma, presidente da consultoria Fagus, a instalação de creches dentro das empresas depende de muitos fatores, inclusive, do financeiro. “Essa é uma situação em que o empregador avalia também como um conceito de negócio. Em muitos casos, o custo do auxílio creche é mais vantajoso do que uma instalação própria, já que às vezes a adesão interna não faz o investimento valer a pena”.

Shiroma aconselha às empresas pesquisarem o perfil da maioria dos seus colaboradores para, a partir daí, saber até que ponto é necessário ou não instalar uma creche. Ele atesta: “As companhias podem avaliar, por exemplo, o número de mulheres na empresa, a carga horária do trabalho e até a condição financeira das colaboradoras. Esses são alguns dados importantes para verificar a relevância de instalações desse tipo”.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 17/03/2011.