Cruzando histórias e compartilhando os mundos emocionais

Data 12/04/2017
reunião de pessoas de uma equipe

reunião de pessoas de uma equipe

Por Rodrigo De Los Reyes*

Você alguma vez já mudou de opinião sobre uma pessoa depois de conhecer um pouco mais a sua história? Já parou para pensar que de perto elas podem ser bem melhores? Foi pensando nessas questões que resolvi escrever sobre essa poderosa ferramenta de aproximação das pessoas chamada cruzar mundos.

Cruzar mundos é compartilhar quem somos e nos permitir conhecer o outro a partir de sua história pessoal. Essa prática permite maior aproximação do outro, nos possibilita enxergar a pessoa por meio de suas experiências e reflexões individuais e, principalmente, evita os rótulos, diminuindo a distância e mostrando que de perto todos são valiosos!

Para mostrar o poder dessa ferramenta, quero compartilhar uma história com vocês.

Caio era um adolescente de 12 anos que tinha vergonha de seu pai por causa de sua aparência. O homem tinha o rosto queimado e era cadeirante. O jovem sempre invejava seus amigos pois eles podiam sair com seus pais e ele não, já que todos ficavam olhando. Certo dia, Caio leva seus amigos para casa para fazerem um trabalho de história e em meio a discussão e dificuldades sobre o tema, seu pai apareceu oferecendo ajuda, uma vez que era muito bom nessa matéria.

Surpreendentemente a conversa foi excelente e mais que resolver as questões sobre o trabalho, os amigos de Caio e seu pai conversaram durante um bom tempo e entre risadas e histórias surgiu a pergunta: “Tio, como o senhor ficou assim”? E então o pai do garoto resolve compartilhar o que até então era um segredo para o filho. Contou que quando o Caio era bebê, ele e sua mãe estavam passeando em um hotel fazenda, quando perceberam fumaça e correram para ver o que acontecia. Encontraram a babá que cuidava de Caio e a mesma estava desesperada pois conseguiu escapar do incêndio, mas não conseguiu pegar o bebê. O pai do menino então correu até o quarto, pegou seu filho, o salvou e ao entregá-lo para um bombeiro uma viga de madeira caiu em suas costas, causando uma lesão definitiva na coluna e seu rosto ficou por vários minutos sobre as brasas, causando as queimaduras que até então eram motivo de vergonha para o filho.  Caio então abraça seu pai com toda força e diz: “Eu te amo e tenho muito orgulho do senhor”.

Somos mais valiosos que nossa aparência e maiores que nossos erros. Uma atitude ou um fato específico não é suficiente para nos definir. Aprender a ler a história que cada um traz consigo, nos ajuda a conhecermos as dificuldades do outro (essas que muitas vezes ninguém está disposto a mostrar), nos adaptarmos e criarmos conexões verdadeiras. Falar sobre nossas histórias e vulnerabilidades nos ajuda a julgarmos menos e compreendermos mais. Quando julgamos o outro nos afastamos e ao mesmo tempo sofremos, pois inconscientemente nos culpamos por isso. Como disse Confúcio “é como beber veneno e esperar que o outro morra”.

Como líder, uma de suas tarefas é criar relacionamentos e para isso, a aproximação é fundamental, pois ajuda a criar um vínculo de confiança. Cruzar os mundos emocionais é uma excelente oportunidade para começar. Um bom exercício para você conhecer de perto a sua equipe e cruzar esses mundos emocionais é apresentar sua história, tanto pessoal como profissional, compartilhando esses momentos e pedindo que cada membro faça o mesmo.

Permita que seu colaborador conheça a história por detrás da trajetória que vocês estão construindo!

E você, já compartilhou sua história com alguém hoje? Pediu para que alguém compartilhasse sua história com você?

*Rodrigo De Los Reyes é trainer na Crescimentum. Formado em Direito e pós-graduado em Gestão de Negócios e Gestão de Pessoas. Atua há 12 anos como palestrante e consultor de desenvolvimento. É autor dos livros “Liderança: uma escada, uma flor e um regador”, “Prospecção: o colecionador de nomes”, “Era uma Vez um método…”, e coautor no livro: “Consultoria: coleção Cases de Sucesso Volume 1”. 

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