Cuidado com a depressão no ambiente de trabalho

Data 30/09/2014

Nos últimos tempos temos acompanhado episódios alarmantes sobre as consequências de uma doença seríssima, mas ainda pouco discutida dentro das organizações: a depressão.

A palavra depressão provém do termo latim depressus, que significa “abatido” ou “aterrado”. Trata-se de um distúrbio emocional que acarreta o estado de abatimento e infelicidade – que pode ser transitório ou permanente. Quantos de vocês estão abatidos ou infelizes com o trabalho? Quais as tarefas que te causam infelicidade? Se a sua resposta foi um “veja bem, eu tenho contas a pagar…”, cuidado! Você um é um excelente candidato a ser um depressivo no trabalho.

Quando buscamos uma profissão, pensamos sempre em algo que nos dê dinheiro para termos uma boa vida e que possivelmente nos identifiquemos. Mas isso é um falso positivo, pois a regra deve ser o inverso: busque algo que ame. Mais do que gostar, se você amar o que faz apresentará um trabalho de muita qualidade e o dinheiro será uma consequência, uma forma de recompensa – pois sim, você encontrará muitas outras formas de se sentir recompensado quando ama seu trabalho. Pode ter certeza.

Agora, se você já está em um estágio onde se sente, dia após dia, depressivo em seu trabalho, faça uma análise para encontrar a causa dessa depressão. Pode ser uma tarefa que te desagrade, sua liderança, o próprio ambiente ou até mesmo uma junção de todas elas. Detectadas as razões, vamos analisar cada uma delas.

Se a depressão provém de um fato isolado como o ambiente, lembre-se que o mesmo é construído por pessoas e só elas podem modificá-lo, independente de regras ou padrões das empresas. Essas pessoas são lideradas por uma outra que deve enxergar esse agravante. Caso não enxergue, cabe a você que tem essa percepção alertá-lo, pois o líder é um ser em evolução como todos nós, com seus acertos e erros.

Essa mesma máxima vale para as tarefas que nos desagradam. Muitas vezes os líderes não percebem nossos reais talentos e aptidões e cabe a nós mostrar a ele, como por exemplo dando foco nas tarefas mais prazerosas para nós. Ao executar as tarefas que gostamos ou que temos facilidade, conquistamos resultados melhores. Descobrir talentos, buscar e delegar para cada membro da equipe a tarefa que será melhor executada cabe ao líder. Mas ajudá-lo, ainda mais quando isso lhe fará bem, não custa nada. Executando aquilo que agrada cada colaborador, a equipe encontra o prazer e a alegria no trabalho, e a consequência disso é um ambiente agradável e super produtivo.

Já se o que te deprime é a junção de todos os fatores acima, sinto lhe dizer que pode ser você o “estranho no ninho”, e que é hora de buscar novos horizontes.

Independentemente da questão pela qual você se sinta infeliz corporativamente, veja que em todos os casos a depressão no trabalho está muita mais em nossas mãos do que de qualquer outro. Todos os dias recebemos sinais subliminares que nos indicam isso, mas passamos despercebidos ou mudamos o foco para não pensar. Todo e qualquer momento que nos exija mudanças emocionais valem a reflexão. Entendendo nossa percepção do trabalho faz com que aceitemos algumas coisas ou tomemos coragem de mudar. Isso faz com que o sentimento de depressão não retorne.

As vezes não adianta que troquemos de empresa, de equipe, de profissão. As respostas estão diretamente ligadas a como reagimos às situações, em quanto permitimos que elas nos afete ou acumule, sem desopilação, gerando uma bomba relógio pronta a explodir.

Busque prazer no que faz. Muitas vezes passamos mais tempo nas empresas com nossos colegas de trabalho do que com nossas famílias e isso decididamente não pode ser um martírio. A empolgação do fim de tarde de sexta-feira deve ser o mesmo do fim do domingo a espera da segunda. Portanto, na próxima segunda-feira que seu despertador tocar, seu primeiro pensamento deve ser: “Mais uma semana de conquistas, mais uma oportunidade de mostrar o que posso fazer e até onde posso chegar!”.

Não se deixe ser parte das estatísticas. O mundo já está perdendo profissionais demais, seja na TV, no cinema ou na música. O próximo não deve e não será você.

*Renato Lopes é Gestor da área de TI e acredita que a humanização dessa área é a chave para conquistar equipes de alta performance e auto gerenciáveis. Palestrante e Professor Universitário, Renato busca compartilhar técnicas e soluções para formar times vencedores e entusiastas, buscando a qualidade de vida junto à satisfação do trabalho.

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