Cursos de inglês ganham viés profissional

Data 23/10/2012

Havia dez anos que Irany Dias não falava inglês e, recentemente, em viagem ao exterior, teve dificuldades para se fazer entender. De volta ao Brasil decidiu procurar um curso que aliasse a prática do idioma à sua área de atuação profissional. “Buscava um aprendizado mais dinâmico que auxiliasse no meu cotidiano, por isso escolhi um curso de inglês voltado para o segmento de vendas”, afirma a executiva, que atua no setor de moda. “Como o curso é livre, sempre que consigo um tempo, estudo. Agora, depois de um ano e meio, já percebi avanços no idioma e planejo me mudar para a Europa e seguir a minha carreira lá”, completa.

Irany é um exemplo concreto de que o brasileiro está, de fato, buscando o aprimoramento do idioma. Essa procura, todavia, tem apresentado certa especificidade. Na tentativa de acelerar o desenvolvimento da carreira, os profissionais têm escolhido cursos que foquem em áreas específicas de conhecimento. “De um ano e meio pra cá a procura por cursos técnicos de idiomas tem crescido tanto que criamos um departamento de customização para atender todos os países nos quais atuamos, incluindo o Brasil”, conta Silvia Freitas, diretora de Relações Internacionais da Berlitz Brasil, escola de idiomas presente em 70 países, com 20 unidades no Brasil.

Uma pesquisa realizada pelo EF English Proficiency Index, primeiro índice que compara a habilidade em inglês de adultos de diversos países, mostra que o brasileiro tem razões para se preocupar. De acordo com o levantamento, o Brasil está na 31ª posição, entre 44 países participantes, atrás de concorrentes diretos no cenário econômico mundial, como China, que ocupa o 29º lugar, e Índia, no posto de número 30. Apesar do índice insatisfatório, o País foi o mais bem colocado entre os da América Latina. Os testes foram realizados por 2 milhões de pessoas, de 16 a 30 anos, no período de 2007 a 2009.

Copa e Olimpíada: catalisadores

O aumento da procura pelo ensino técnico do idioma pode ser explicado pela maior presença de estrangeiros no País, gerada também pela proximidade dos grandes eventos esportivos que serão realizados por aqui nos próximos anos. Para ajudar profissionais de setores específicos, que exigem expressões técnicas no seu a dia a dia, as escolas oferecem programas dirigidos, como o curso para policiais militares – no qual os profissionais aprendem a explicar a um estrangeiro quais são os seus direitos ou como preencher boletins de ocorrência -; ou ainda o curso para enfermeiros, que ensina como dizer ao paciente qual o seu diagnóstico e explicar o procedimento que será realizado. “Oferecemos soluções também para os segmentos médico, farmacêutico, de petróleo e gás, além de programas específicos para algumas áreas e setores como aeroportos e biofarmacêutica”, explica Silvia.

Para participar de um dos cursos técnicos da Berlitz é necessário ter conhecimento básico do idioma e, para isso, é realizada uma avaliação individual para medir o nível de cada um. “No caso de o aluno não possuir o nível exigido e ter pressa para aprender, ele pode frequentar paralelamente as aulas regulares e técnicas. Além disso, todos os cursos regulares, a partir do nível 5, oferecem essa possibilidade de ensino técnico”, destaca a diretora. Com cursos presenciais e online, a escola ainda conta com programas customizados para empresas.

Na Englishtown, escola on-line presente em mais de 50 países e na qual Irany estuda, são oferecidos cursos de Business English que ajudam os alunos a criar apresentações e redação comercial, a conduzir reuniões e a fazer negociações em inglês. Já o ensino técnico abrange as áreas militar, de imigração, setor automotivo, bancário e de finanças, seguradoras, farmácia, logística, viagens, telefonia, vendas, telecomunicações e indústria de óleo e gás. “O conteúdo dos cursos é completamente voltado ao vocabulário da área escolhida e abrange expressões pertinentes a cada setor”, explica Analigia Martins, responsável pela área de marketing da escola.

Ali, os cursos técnicos são chamados de SPIN (Special Interest) e são voltados para os alunos matriculados nos cursos regulares da própria escola. “Essa é uma alternativa interessante para quem precisa aprender inglês para sua área de trabalho da forma mais rápida e flexível. Como os SPIN são abertos a todos os nossos alunos, recomendamos que cada um acesse aquele que interessa para sua formação, paralelamente a seus estudos de inglês geral”, explica Analigia.

Irany, que era proprietária de uma loja de moda feminina, encerrou o empreendimento e, agora, estuda a abertura de um negócio virtual no exterior, no mesmo ramo. Pretende fazer isso a partir da Europa. “O curso tem me oferecido essa base mais técnica do idioma e vem me dando segurança para enfrentar o desafio de seguir a nova empreitada”, conta.


*Essa notícia foi publicada no site Canal RH, em 16/10/2012