Decisões de CEOs respondem por 25% do lucro obtido pelas empresas

Data 13/07/2015

Por mais que se fale do “sobrenome corporativo” que grandes empresas fornecem à identidade dos profissionais que nela trabalham, é cada vez mais comum ver CEOs com nomes que não só se sustentam sozinhos como protagonizam manchetes. De casos dramáticos como a queda do império X de Eike Batista ou a expectativa de consumidores da Apple pelas novas estratégias de Tim Cook, são vários os presidentes de empresas que têm seu trabalho acompanhado de perto pelo público.

Ao menos parte dessa atenção à figura do executivo número um da empresa não é em vão, segundo um novo estudo de um professor americano. A pesquisa aponta que 25% dos resultados de uma empresa podem ser atribuído à gestão do CEO. Essa porcentagem, inclusive, cresceu consideravelmente ao longo das últimas décadas.

Tim Quigley, professor da Terry College of Business, da Universidade de Georgia, nos EUA, calculou o “efeito CEO” no desempenho de companhias usando dados dos últimos 60 anos. Após isolar aspectos como as condições econômicas do período, diferença entre setores e o histórico de cada empresa, ele chegou à conclusão que 25% dos lucros de uma companhia hoje resultam de decisões tomadas pelo principal nome na cadeia de comando. “Nos anos 50 e 60, esse número ficava entre 6% e 8%. Hoje, CEOs têm um efeito maior nos resultados das empresas”, diz.

Professor de administração, Quigley começou suas pesquisas tentando entender a diferença entre líderes bons e ruins – seu objetivo era compreender por que algumas empresas conseguem ter bons resultados mesmo sem presidentes muito eficientes. “Isso me levou a quantificar a importância do CEO na comparação com outros fatores como tendências econômicas, forças internas dos setores e a história da companhia”, diz.

Para ele, o efeito cascata ainda garante muito poder ao presidente dentro de uma empresa, mesmo em um ambiente de negócios onde o conselho ou outros altos executivos têm influência. Isso porque o CEO dá o tom da organização e tem o poder de contratar ou reter profissionais-chave. “Steve Jobs e Tim Cook podem não ser os únicos responsáveis pelo sucesso da Apple, mas merecem o crédito de contratar as pessoas certas e dar a elas os recursos e a cultura necessária para que a empresa chegasse ao sucesso de hoje.”

Além disso, alguns aspectos relacionados ao momento atual da economia global tornaram a importância do CEO maior. Em primeiro lugar, os executivos-chefe têm um leque maior de opções de como operar o negócio. “Ele pode promover uma mudança, como transferir a operações para outro país, em poucas semanas. Há 50 anos, eles não poderiam imaginar um mundo que se movesse com tamanha velocidade”, diz. Aliado a isso, a tendência hoje é a diminuição de níveis hierárquicos, o que aumenta a rapidez da decisão na organização e contribui para que as definições do CEO sejam colocadas em prática de forma mais ágil.

A segunda razão é a estrutura de remuneração para altos executivos, que incentiva o risco. “A estrutura de compensação encoraja CEOs a tomarem muitas decisões na esperança de serem recompensados por meio da remuneração variável”, diz.

A remuneração executiva é um ponto de reflexão para Quigley, e algo que ele vai incluir em suas próximas pesquisas. Seu estudo pode indicar que ao menos uma parte do aumento na remuneração dos dirigentes é justificado, considerando o impacto crescente que o trabalho deles tem nos resultados da companhia. Mas o professor reforça que o “efeito CEO” de 25% na performance da empresa pode ser tanto positivo quanto negativo.

“Ter um impacto maior não significa que os CEOs hoje são melhores”, diz. Para cada presidente que consegue garantir um desempenho 5% acima da expectativa, há outro que apresenta desempenho pior na mesma medida, diz o professor. “A questão é que não vemos a mesma diferença na remuneração. Mesmo um CEO com desempenho fraco recebe salários que o tornam obscenamente rico mesmo sem mostrar resultado.”

Esta notícia foi publicada no site do Valor Econômico, em 13/07/2015

Compartilhe:

Comentários