Demitir com responsabilidade previne crise nas grandes corporações

Data 14/02/2012

O mercado de trabalho cada vez mais competitivo e a presença de gerações cada vez mais jovens nos cargos de liderança tem modificado, gradualmente, as relações entre colaboradores e funcionários. Mais exigentes, os funcionários mudaram sua percepção em relação ao que consideram "benefícios da empresa". Cada vez mais, um bom ambiente de trabalho e uma relação equilibrada com o gestor pesam nas escolhas profissionais.

Em paralelo a isso, as empresas precisam investir cada vez mais nas políticas de retenção de talentos e ações de comunicação interna, para motivar os colaboradores e mantê-los informados sobre os projetos da empresa, alinhando-os a sua missão, visão e valores. Com o aumento da expectativa do profissional, o ato de pedir "demissão" deixou de ser um tabu.

Paulo Teixeira, consultor da StautRH conta que comportamentos e atitudes incompatíveis com a cultura da empresa podem levar o funcionário a pedir demissão. Ele destaca que antes de pedir demissão, o colaborador começa a demonstrar sinais de insatisfação:

"Cada gesto tem suas particularidades. Com o tempo de relacionamento vamos aprendendo a decifrar gestos, olhares, tom de voz e demais atitudes que nos sinalizam a satisfação ou insatisfação de um gestor para conosco", explica.

O outro lado

Teixeira acredita, por diversas ocasiões, o gestor também pode "desistir" do funcionário, caso perceba sua insatisfação constante e crescente. Para ele, raramente o profissional demitido é pego totalmente de surpresa. "Quando seu chefe o convoca para uma reunião dizendo "fulano, precisamos conversar", muitas vezes o profissional já sabe que é para anunciar sua demissão, pois há semanas ou meses já vem pressentindo isto", destaca.

O consultor afirma que a demissão ocorre por que há uma (ou várias) insuficiências do colaborador para com as expectativas da empresa ou deste gestor. "Se estas expectativas são corretas ou justas, o momento da demissão não é mais o momento de discutir sobre isto. É momento de reiterá-las e apontar ao colaborador o fosso entre o desejado e realizado – tanto na esfera comportamental como técnica", afirma.

O tempo certo

Para o consultor, o tempo entre o anúncio e a saída do profissional depende muito do "nível de surpresa" desta decisão ou até mesmo do desgaste da relação profissional-empresa. Na maioria das vezes, o anúncio e a saída ocorrem no mesmo dia:

"A empresa prefere pagar ao profissional o aviso prévio a mantê-lo na empresa desmotivado, apenas para 'cumprir tabela'. Em alguns casos, isto é altamente recomendável, pois um funcionário demissionário revoltado pode se tornar até perigoso. Perigoso para si próprio e para as pessoas ao redor. Imagine um soldador, que trabalha com ferramentas altamente perigosas, revoltado com a empresa que acabou de demiti-lo e continua trabalhando", diz

Porém, há casos em que a demissão já era pressentida e foi amigavelmente compensada entre colaborador e gestor. "Dependendo do grau da relação entre estes profissionais, o funcionário demissionário pode permanecer na empresa por vários dias ou até semanas, preparando um outro colega para ocupar seu lugar, sem uma atmosfera hostil", ressalta.

Adeus, sem rancor

Para o Assessor da Secretaria Municipal do Trabalho e Emprego de Curitiba, Gehad Hajar, nos dias atuais, mais que rendimentos individuais de cada trabalhador, o que mais tem demitido são as políticas de reestruturação internas das empresas que buscam maior competitividade em suas searas de mercado:

"As mais bem qualificadas se mantém em seus postos ou são promovidas. Hoje observamos que há uma dinâmica entre as demissões e o crescimento da oferta de postos de trabalho. É o dinamismo do sistema que mais colabora para a incidência de demissões", argumenta.

Hajar afirma que a Secretaria de Trabalho e Emprego tem aconselhado que os anúncios demissionais sejam realizados pessoalmente, em caráter privado e em data longe de períodos festivos ou de férias, bem como sempre no inicio da semana. "A nossa Secretaria tem investido na proposta de encaminhamento imediato aos SINE's para recolocação no mercado de trabalho no mesmo compasso da demissão bem como no encaminhamento para qualificação profissional, caso necessite. Lembrando que estes serviços são públicos", afirma.

Para que o ex-funcionário não se torne um inimigo da empresa e possa denegrir a imagem da mesma, devido a sua frustração com a demissão, o ideal é que haja um diálogo franco e cordial por parte do gestor na hora de anunciar a demissão:

"Tudo começa com a forma que a empresa tratou seu empregado. Durante toda a sua vida funcional, o empregado que teve seus direitos assistidos, condições dignas de trabalho, amparo, torna-se parte da empresa e, mesmo após uma demissão, pode continuar a ser um bom representante dela", conclui.


Essa notícia foi publicada no Administradores, em 13/02/12.