Diálogo e motivação garantem um bom clima nas equipes

Data 19/01/2011

 

Profissionais desmotivados, outros com rusgas que ultrapassam as barreiras entre as esferas pessoal e profissional e outro que ameaça se demitir. Tudo ao mesmo tempo em que os superiores cobram mais e mais resultados positivos. Situações-limite ocorrem todos os dias, até nas melhores empresas, e é papel do gestor ter o jogo de cintura necessário para pôr tudo de volta nos trilhos. A saída, segundo indicam os consultores, é investir em ações que promovam a comunicação e a motivação dos funcionários para que a equipe atue às mil maravilhas.

“Manter a equipe motivada e coesa é umas das principais tarefas de um bom gestor. Se temos um gestor atento ao que acontece na área, dificilmente uma situação se agrava e, com conversa, pode-se reverter o início de uma situação complicada”, explica Andréa Marcelino, consultora em Recursos Humanos e sócia da Ramagui Consultoria.

Uma das maneiras mais eficazes de manter a equipe motivada, segundo a especialista, é uma boa conversa. Ricardo Fera, psicanalista e professor concorda com a estratégia. “A única forma de resolver e evitar problemas é incentivando uma comunicação aberta”, diz.

Quando as coisas não correm bem no ambiente do trabalho, a situação desagradável pode ser um reflexo da postura do gestor. É importante, então ficar atento às próprias atitudes. “Falta de envolvimento com a equipe, postura rude e desrespeitosa com os funcionários, não delegar tarefas e não desenvolver o profissional para conquistar novos conhecimentos são alguns erros na gestão que levam a situações-limite”, diz Andréa.

Participação de todos

A saída, segundo a consultora, é procurar sempre agir de maneira mais participativa e fazer com que todos se desenvolvam e participem dos resultados da área. E, mais uma vez, apostar na comunicação. “É importante manter-se informado das questões que possam trazer desmotivação para os funcionários e tentar solucioná-las o quanto antes”, ensina ela.

Fera explica que um bom gestor deve sempre explicar a seus subordinados aonde a empresa quer ir e o papel de cada um para atingir o objetivo, já que uma das fontes de conflito é o fato de essa comunicação nem sempre ser clara. Também, as atribuições devem estar sempre muito bem definidas. “Às vezes, o funcionário é contratado para A ou B e depois começa a realizar outras tarefas, sem que haja um direcionamento quanto às novas funções e seu papel. Então, começa a haver uma mistura de relacionamentos, ele acha que está fazendo demais pela empresa e começa a vê-la como uma extensão da família, quando a relação tem de ser apenas profissional”, diz o especialista. Quando isso ocorre, a receita é ter uma boa conversa.

A motivação é palavra de ordem para evitar conflitos no escritório e, também, quando já é hora de apagar o incêndio provocado por uma crise. Para dar conta do ambiente problemático e, ainda assim, garantir que a área continue funcionando bem para alcançar bons resultados, a dica de Andréa é reunir a equipe e mostrar o quanto o envolvimento de todos é necessário para entregar determinado trabalho. “Neste momento, tentar motivar ainda mais a equipe para conseguir o objetivo é essencial. Porém, mais necessário ainda é, após tê-lo alcançado, agradecer a todos e mostrar o quanto o esforço deles foi importante”, diz ela.

O psicanalista pontua que um problema a ser resolvido pelas empresas é que muitas vezes os chefes não têm a real percepção dos conflitos ou a formação necessária para resolver situações-limite – uma falha comum em dias nos quais o senso de urgência por entregas é cada vez maior. “A empresa precisa garantir que seus gestores estejam sempre expostos à informação para que tenham ferramentas para resolver situações desse tipo”, conclui.

Tempos de crise

“É fundamental que o gestor investigue os motivos de desmotivação ou rusgas que estejam acarretando um baixo rendimento”, explica Andréa. Depois, é hora de agir para solucioná-los. A consultora dá algumas dicas:

É um caso generalizado e toda a equipe está apresentando problemas? Fazer uma boa reunião com todos os membros para apresentar o problema e tentar solucioná-lo em conjunto é a sugestão. Se não der resultado, é hora de tomar uma decisão sozinho quanto ao que deve ser feito.

Se for um fato isolado, conversar em particular com os envolvidos é a recomendação. “É importante ressaltar que a maneira como o gestor vai apresentar os problemas e soluções é de extrema importância para o sucesso. Hoje em dia, é pouco tolerado um chefe que fale ríspido ou falte com respeito aos funcionários”, ensina Andréa.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 13/01/11.