Dicas para quem vai contratar um colaborador temporário

Data 24/11/2010

 

*Por Marina Gaspar

O ano está no fim. E se o mercado de trabalho convencional costuma desacelerar nesta época, quem procura um emprego temporário tem, agora, a chance de encontrar aquela vaga que pode render uma efetivação futura, experiência profissional ou simplesmente uma renda extra para começar 2011 no azul. Para quem tem a função de recrutar esses profissionais, no entanto, a tarefa é árdua: o processo tem de ser rápido e tende a ser complexo, já que a escolha pelo candidato ideal – aquele que não renderá dor de cabeça em meio à agitação da temporada – não é das mais fáceis.

 

“A contratação de temporários nesta época é uma oportunidade muito importante para a empresa e os empresários devem aproveitar este momento para reciclar o quadro de funcionários e descobrir novos talentos”, explica Paulo Roberto de Souza, sênior coach e diretor da consultoria You Can Be e autor do livro A Nova Visão do Coaching na Gestão de Competências.

 

Segundo Souza, esse movimento pode ajudar no crescimento da empresa. Nas 1,6 mil empresas de trabalho temporário registradas no Ministério do Trabalho, 37% dos empregados contratados sob esse regime acabam sendo efetivados após o período, e muitas vezes ocupam espaço de pessoas que já atuavam na companhia, segundo o especialista. Para a contratação dar certo, porém, é preciso recrutar com eficiência. O consultor dá as dicas para quem precisa desempenhar esse papel.

 

Função definida

 

Assim que a empresa detectar que precisa da ajuda de um profissional extra, ela tem de parar para fazer a lição de casa e definir, com muita precisão, todas as funções que aquele novo contratado vai desempenhar. “Definindo bem a função, chegam-se às competências que o candidato deve ter para ocupar a vaga”, explica. Tais habilidades, ele ensina, não devem se ater apenas a qualificações e experiências profissionais, mas devem também abarcar aspectos comportamentais, sobretudo se a vaga exigir contato com o público externo.

 

Atenção na entrevista

 

Na hora da entrevista, atenção às perguntas. “O recrutador não deve elaborar questões teóricas ou orientadas para o futuro”, ensina Souza. O motivo? As respostas a esses tipos de questionamentos não indicam que o candidato vai desempenhar bem as funções. “A resposta teórica não mostra o que ele pode fazer e a voltada para o futuro leva a respostas sobre ‘não-acontecimentos’, pontos que, dada a pressa de uma seleção dessas, perdem importância”. A solução é perguntar sempre sobre experiências vividas e trabalhos realizados. “O candidato vai poder contar o que já realizou, objetivos alcançados e, então, o recrutador vai poder julgar se foram boas atitudes”.

 

Flexibilidade: qualidade determinante

 

Se há uma qualidade que é essencial ao candidato para uma vaga temporária é a flexibilidade. Pois ele terá de se ajustar, em curto espaço de tempo, a um trabalho ao qual não está acostumado, mas sem ter um período de adaptação. “O temporário precisa ter muita capacidade de adaptação, pois não dispõe de muito tempo para se familiarizar com o trabalho e com a empresa”, diz o coach.

 

Experiência certa

 

Embora alguns tipos trabalhos não exijam um background muito extenso, é sempre bom escolher alguém com certa experiência profissional, em especial que esteja de acordo com as funções que serão executadas. Aqui, o tempo também é o problema, pois não há um período grande disponível para treinamento.

 

Lista completa

 

Ao contratar um funcionário temporário, o empresário ou recrutador corre um risco do qual não dá para fugir: o profissional pode conseguir um outro emprego e sair da empresa de um dia para o outro. “Há sempre esse risco. O ideal é, claro, escolher a pessoa mais adequada e preparada, mas ter outros nomes em stand-by”. Assim, caso o problema aconteça, já se pode contratar outra pessoa sem ter de realizar todo o processo novamente, já que, pela natureza do trabalho, a empresa não estará em condições de esperar pela realização de todo um processo seletivo novamente.

Esse artigo foi publicado no Canal RH, em 18/11/2010 e foi escrito por Marina Gaspar.