Diretores financeiros de empresas brasileiras temem perder talentos

Data 24/08/2015

Apesar da desaceleração da economia e da elevação da taxa de desemprego, diretores financeiros de companhias no Brasil ainda temem perder funcionários da área de finanças com mais intensidade do que no resto do mundo.

Um levantamento da empresa de recrutamento Robert Half com dois mil CFOs de 16 países aponta que 93% dos gestores locais estão preocupados em perder seus funcionários de alto desempenho para outras empresas ao longo dos próximos 12 meses, enquanto na média geral esse volume é de 85%. O Brasil também tem o maior número dos que se dizem “muito preocupados” (44%) a frente dos outros países que mais temem perder talentos, como China e Cingapura.

Para Caio Arnaes, gerente de divisão da Robert Half, o desaquecimento do mercado de trabalho não é alívio para os CFOs porque o número de profissionais qualificados que apresentam alto desempenho ainda é reduzido — e o momento de crise os torna ainda mais necessários para a empresa. “Também há a preocupação de reter profissionais quando a empresa tem recursos limitados. Como oferecer uma boa remuneração se a companhia está com uma linha de aperto nas contas?”, diz.

No Brasil, quase 60% dos CFOs disseram que é muito difícil encontrar profissionais de finanças qualificados no mercado, enquanto na média global 30% acham o mesmo. Os outros quase 40% dos diretores brasileiros consideram a tarefa “ao menos um pouco” difícil.

Em algumas áreas, isso é ainda mais complicado, segundo os gestores. Profissionais de auditoria qualificados são considerados raros por 33% dos diretores brasileiros, seguidos dos de análise financeira (25%), finanças corporativas (24%) e contabilidade (24%). No caso de auditores, internos e externos, a procura reflete a necessidade de multinacionais analisarem a operação brasileira para garantir que os processos estão dentro da regularidade, diz Arnaes.

Contadores continuam em alta demanda da mesma maneira que nos últimos anos — é especialmente difícil, segundo o recrutador, encontrar profissionais da área com conhecimento em inglês, uma exigência de multinacionais. Já aqueles especializados em análise financeira — que vasculham as contas das empresas em busca de rentabilidade — se tornaram mais importantes em tempos de ajustes. “Os de finanças corporativas são buscados para reportar os resultados das multinacionais para a matriz”, completa Arnaes.

Essa notícia foi publicada no site do Valor Econômico, em 21/08/2015 

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