Diversidade cultural e os desafios do RH

Data 05/05/2014

Durante sua trajetória, Edna Bedani teve a oportunidade de trabalhar em empresas de áreas e níveis de maturidade diferentes, tendo passado por organizações como Accenture e Ticket. Nesse período, ela adquiriu conhecimento em praticamente todos os setores dentro do departamento de Recursos Humanos, como recrutamento e seleção, responsabilidade social, desenvolvimento humano, entre outros.

Com base em sua bagagem profissional, conquistada durante mais de duas décadas, Edna conversou com a Huma sobre o desafio de lidar com as diferentes culturas e gerações dentro do ambiente de trabalho. Além disso, ela comenta sobre o papel da gestão de pessoas na empresa, que precisa ser cada vez mais consultivo e voltado aos negócios.

LG lugar de gente: Conte um pouco sobre sua história com a área de gestão de pessoas

Edna Bedani: Eu estou na área de Recursos Humanos há mais de 25 anos, sendo que destes, 15 foram em função de liderança. Nesse período, tive a oportunidade de desenhar e implementar processos e projetos para favorecer o desenvolvimento da área de gestão de pessoas de vários segmentos como varejo, serviços e tecnologia. Passei por organizações de vários portes, desde pequenas empresas a grandes organizações como Accenture e Ticket.

Durante esse período também pude consolidar meu conhecimento em todos os subsistemas de recursos humanos e, pela experiência, aprendi que o RH precisa estar de fato muito focado nas necessidades do negócio. Toda empresa precisa de resultados sustentáveis e para isso ela deve engajar as pessoas.

Então, é muito importante que o RH entenda qual o modelo de gestão, a identidade e o nível de maturidade de processos da empresa em que ele atua. Quando se fala em recursos humanos, hoje, em pleno século XXI, a gente vivencia empresas que focam apenas em folha de pagamento e departamento pessoal e também grandes empresas que possuem modelos engessados.

LG lugar de gente: Quais são os desafios enfrentados pela gestão de pessoas atualmente?

Edna Bedani: O trabalho do RH precisa ser de fato consultivo, ou seja, é preciso primeiramente entender do negócio da empresa e do que está acontecendo no mercado em que essa organização atua.  Eu acho que a gente tem que primeiro, entender de fato o negócio da empresa e tudo que está acontecendo no mercado. Também precisamos aprender a lidar com o choque de gerações que é algo presente no nosso dia a dia e ainda estamos muito atrasados em como lidar com isso. Hoje, a cada geração que passa temos mudanças muito rápidas, assim como no campo da tecnologia também.

Então, esses são alguns contextos que o RH precisa estar atento e se preparando para isso. É preciso ter simplicidade e saber fazer uma leitura do que está acontecendo. Mudaram os tempos. Eu não posso continuar atuando com recursos humanos como eu atuava quando a responsabilidade se limitava a folha de pagamento. A tecnologia tem ajudado a sofisticar essa área operacional do RH, mas a outra parte de gestão de pessoas, que é estratégica, precisa acordar e ir atrás disso.

LG lugar de gente: Como as organizações devem se preparar para extrair o melhor que a diversidade cultural pode proporcionar?

Edna Bedani: As empresas precisam de fato estudar o que está acontecendo e não só na sua linha de negócio. Atualmente, os profissionais são multiculturais, multilinguais e multitarefas, e as empresas precisam estar atentas a essa diversidade. As organizações modernas também devem olhar para fora de si mesmas, que significa mostrar sua preocupação com a sociedade.

Hoje, é responsabilidade da empresa suprir a frágil educação do País, por isso as organizações precisam de fato compreenderem o seu papel no mundo e isso só é possível quando existe uma área de recursos humanos estruturada, com pessoas que tenham esse olhar multi (cultural, social e pessoal).

LG lugar de gente: Para se alcançar os resultados que você citou acima é preciso haver grandes investimentos?

Edna Bedani: O primeiro passo na verdade é ter pessoas dentro da empresa que provoquem essa reflexão. Afinal, é preciso resgatar os valores que muitas vezes vão se perdendo ao longo do tempo. Só assim as organizações passarão a ter um papel forte na sociedade.

O RH, geralmente, não tem orçamento para fazer um monte de coisas. Então, eu proponho que façamos o básico. Vamos ensinar as pessoas a serem mais humanas, a valorizarem o trabalho delas e dos outros e a entenderem o seu papel na organização. Vamos ensinar as pessoas a desenvolverem o autoconhecimento. Vamos dar condições para que os funcionários estejam ali de corpo e alma, o que, consequentemente, os farão serem felizes no trabalho. Não precisa ter muito dinheiro para isso.

 

Edna Bedani é Diretora de Conhecimento e Aprendizado da ABRH-SP, Psicóloga, Mestre em Administração com especialização em Gestão Estratégica de RH e Formação em Coaching.Foi indicada ao Prêmio Top Of Mind em 2010, esteve entre os cinco profissionais de Gestão de Pessoas mais lembrados do Brasil, também foi indicada entre os profissionais de RH mais admirados do Brasil nos últimos três anos e eleita  uma dos 15 profissionais de RH mais respeitados no Brasil, em 2013.


 

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