E quando o pragmatismo alcança a insensibilidade?

Data 04/07/2012

* Por Pablo Aversa

Antes dela,  eles se enxergavam como profissionais francos e diretos, orientados para  resultados, práticos, focados nos negócios, quase sempre certos, durões com os  relaxados e ciumentos com o seu tempo. Em suma, gestores exigentes e  pragmáticos.

Seja qual for a percepção que trazem, o fato é que os demais profissionais ao  seu redor se sentem rebaixados e ignorados. Os outros acham que não é nada  agradável trabalhar com ou para eles. Nesse cenário, eles só poderão escapar se  seus resultados forem espetaculares. Mas será que é viável gerar resultados  desse tipo indefinidamente? E o pior é que, um simples escorregão, e os tubarões  vão nadar com satisfação ao redor deles…

Posso enumerar algumas dicas que têm funcionado com considerável eficácia  entre nossos clientes. Quem sabe não são úteis para você também, caso esteja  vivenciando uma situação semelhante?

1. Mantenha a compostura. Sempre. Talvez você acabe  explodindo e consequentemente provoque e pressione os outros, quando está  estressado. Procure evitar reações ríspidas e instantâneas. Isso é o que  possivelmente lhe está causando problemas. Afinal, tirar conclusões apressadas,  rejeitar categoricamente o que os outros dizem e, por fim, utilizar um discurso  inflamado não é uma boa estratégia motivacional. Os outros o acharão uma pessoa  fechada ou combativa, quando o que você realmente quer é ser visto como alguém  razoável. Se o cenário for mais negativo, podem até pensar que você considera os  outros estúpidos e desinformados. Dê uma segunda chance aos outros. Isso mesmo,  uma segunda chance. Se for visto como uma pessoa intolerante ou fechada, os  demais vão geralmente se embaralhar nas próprias palavras enquanto se apressam  para falar com você. Ou ainda tentarão encurtar o próprio argumento, pois  acreditam que você não está nem aí para o que estão tentando comunicar. Respire  fundo, faça uma pergunta, veja se alguém discorda, repita o argumento deles  gentilmente e não deixe que ninguém se sinta humilhado a qualquer custo. Você  consegue.

2. Seja mais sensível com o seu público. Sempre. Em  qualquer situação, existem sempre diversas maneiras de entregar uma mensagem e  concretizar algo. Você pode utilizar um ataque direto – sincero e instantâneo.  Pode enviar alguém no seu lugar para entregar a mensagem. Ou poderia ainda  esperar até a próxima reunião para reagir. Umas táticas são mais eficazes e  aceitáveis do que outras. Algumas pessoas entram em apuros quando agem da mesma  maneira em todas as situações. Elas não param para pensar em formas mais  eficazes de fazer alguma coisa em cenários diferentes. As pessoas que são vistas  como sensíveis agem de fora (público, pessoa, grupo, organização) para dentro.  Elas selecionam o ritmo, o estilo, o tom, o tempo e a tática após avaliar o que  funcionaria melhor em cada situação. São as pessoas inflexíveis que têm  problemas de sensibilidade, pois não sabem ajustar o que dizem de acordo com o  público.

3. Abra a sua mente para o diferente.  Sempre. Talvez você seja teimoso ou esteja dando sinais de teimosia,  ficando inflexível e fechando-se diante de pontos de vista novos ou diferentes.  Precisa desligar seu filtro automático de avaliação e rejeição e ouvir. A  primeira coisa a fazer é compreender; a segunda é mostrar para a outra pessoa  que compreendeu, ao repetir ou reformular o que ela disse; e a terceira pode ser  rejeitar com explicações mais completas do que as que você dá atualmente. Para  isso, faça mais perguntas: “Como você chegou aí?” ou “Você prefere isto ou  aquilo em vez do que estamos fazendo agora?” Se discordar, dê os seus motivos  primeiro. Direcione a divergência para a natureza do problema ou para a  estratégia em questão: “O que estamos tentando resolver? Qual é a causa? Quais  perguntas deveriam ser respondidas? Quais padrões objetivos poderíamos utilizar  como indicador de sucesso?”

4. Seja mais pessoal na relação com os  colaboradores. Sempre. Em grande parte, a insensibilidade está  relacionada ao fato de você não se empenhar em deixar os demais à vontade na sua  frente. Muitas pessoas insensíveis são muito orientadas para a ação, para os  resultados ou para a pauta que definiram. Elas não têm uma boa relação com os  subordinados. Das pessoas que trabalham ao seu redor, apenas um terço prefere  trabalhar com alguém como você: “As coisas são assim. Vamos arregaçar as mangas  e trabalhar.” Os outros dois terços precisam de um pouco de tempo para se  ajustar à situação antes de começar a trabalhar. Geralmente três minutos são  suficientes. Você precisa começar abrindo a discussão com um tema que não está  relacionado aos negócios. “O que você fez esta semana? Como estão seus filhos?  Qual universidade sua filha escolheu? Você assistiu ao jogo ontem? Está gostando  do carro novo?” Então deixe que eles falem um pouco, para que se sintam  confortáveis. Simples assim.

5. Evite conclusões apressadas.  Sempre. Você pode ser considerado uma pessoa que tira conclusões  apressadas e encontra soluções antes que os outros tenham uma chance de  apresentar seus argumentos sobre o problema. Não se apresse para definir o  problema. Não acelere nessa reta. Deixe que os outros terminem de falar. Tente  não interromper. Não complete a frase dos outros. Faça perguntas para esclarecer  dúvidas. Repita o problema levantado com suas próprias palavras, para satisfazer  todos os envolvidos. Aí, sim, decida.

Para essas e outras habilidades gerenciais,  conte comigo. Melhor do que você apenas assistir ao Brasil dar o seu melhor, é  você também se tornar o melhor que pode ser.

 

* Pablo Aversa é formado em Administração de Empresas pela UERJ, com MBA Executivo pela BSP (Business School São Paulo). Acumula mais de 20 anos de experiência como responsável direto pela construção e liderança de operações estratégicas em multinacionais dos segmentos de alimentos e varejo – Empresas da Fortune 100. É também autor do blog "There's Always Room 4 Development!" (http://room4d.wordpress.com/)