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Em busca de jovens talentos, líderes de empresas voltam à universidade

Data 08/02/2017

Na tentativa de atrair novos talentos recém-saídos da faculdade, diretores-presidentes estão passando mais tempo em campus universitários.

Como os formandos em MBAs e pós-graduação gravitam em torno das principais empresas de tecnologia, as empresas de outros setores estão mais ativas na busca de novos funcionários. Alguns, como o diretor-presidente da Cargill Inc., David MacLennan, fala pessoalmente com os principais candidatos na expectativa de que um contato diretamente com o líder da empresa atraia o candidato.

Policinski visita campus universitários uma ou duas vezes por mês, debatendo estudos de caso em aulas de estratégia e trocando ideias com pequenos grupos. Ele frequentemente conversa por telefone com estudantes que receberam várias ofertas de emprego.“Quando eu comecei, o mundo era muito hierarquizado. Eu via o diretor-presidente uma vez por ano quando ele fazia o discurso para e empresa”, diz. Agora, jovens talentos esperam interações pessoais com os líderes.

Um executivo importante da Cargill disse uma vez a MacLennan que a empresa não deveria fazer propaganda de si mesma para candidatos a emprego em potencial. “Se as pessoas não querem vir trabalhar aqui, isso é problema delas”, teria dito o executivo a MacLennan, que tem uma postura diferente. A Cargill é a maior empresa de capital fechado dos Estados Unidos, de acordo com a Forbes, e, mesmo assim, o diretor-presidente reconhece que ela não é exatamente um nome popular, especialmente em um momento em que as empresas de tecnologia são as principais recrutadoras.

Ele acredita que seu trabalho é “dar um rosto à empresa” e tem entrevistado candidatos de programas de MBA e almoçado com pessoas que se interessaram pelas ofertas de trabalho. Ele tem participado de eventos de recrutamento no escritório aos sábados “para atrair jovens candidatos”.

Estudantes de administração querem saber mais sobre os valores e ética de um potencial empregador, então MacLennan fala sobre encontros com agricultores na África e intencionalmente não se refere à Cargill como uma empresa de agronegócio. Há dez anos, os candidatos a emprego apenas queriam saber quando eles começariam e qual seria o salário, diz ele.

Liz Spence, de 30 anos, que trabalha na equipe de estratégia e desenvolvimento corporativo da Cargill, teve cinco ofertas de emprego antes de concluir um mestrado duplo em administração e gerenciamento ambiental na Universidade Duke. Ela já tinha lido sobre os programas de sustentabilidade da Cargill, mas um encontro pessoal com MacLennan a convenceu que a empresa compartilhava seus valores.

Damian Zikakis, diretor de serviços de carreira da Faculdade de Administração Ross da Universidade de Michigan, diz que os estudantes estão “ficam um tanto impressionados com o brilho” dos nomes de empregadores famosos, deixando algumas empresas com dificuldade para chamar atenção. Segundo ele, os empregadores atraem mais gente quando o diretor-presidente vai até o campus, ressaltando que mais líderes estão visitando a faculdade Ross, como Mark Fields, da Ford Motor Co., e Craig Menear, da Home Depot Inc.

Empresas como a Anheuser-Busch InBev NV têm criado agitação com pequenos eventos que exigem que estudantes se inscrevam para ter acesso direto ao diretor-presidente, segundo Zikakis.

Um porta-voz da Cargill estima que a maioria dos candidatos de MBA que MacLennan contatou nos últimos 12 meses aceitou a oferta da empresa. Policinski, da Land O’Lakes, também raramente fracassa em seus esforços de recrutamento, disse uma porta-voz da empresa.

Às vezes, porém, o tiro sai pela culatra. O líder da Cvent Inc., Rajeev “Reggie” Aggarwal, uma vez telefonou para um estudante para incentivá-lo a fazer uma entrevista com a empresa, mas encontrou resistência. “Ele disse: ‘Se vocês realmente são uma grande empresa, então por que o diretor-presidente está me ligando?”, diz Aggarwal.

Aggarwal, que costumava visitar dez universidades por ano para entrevistar candidatos e falar sobre empreendedorismo, reduziu suas idas aos campus nos últimos anos conforme a empresa foi crescendo. Ele recentemente descobriu que a presença em eventos da Cvent em campus universitários estava caindo “dramaticamente” sem sua participação, então ele está planejando voltar em breve. Seu objetivo: dedicar cerca de 50 horas este ano no recrutamento de jovens talentos. “Estamos em uma guerra de talentos”, diz ele. “O diretor-presidente deve ser o melhor vendedor.”

Essa notícia foi publicada no site The Wall Street Journal , em 02/02/2017

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