Empresas dão pouca importância ao RH, mas há executivos do setor com cabeça de CEO

Data 31/01/2012

 

Ainda são minoria os executivos de recursos humanos que têm uma participação ativa nas decisões importantes das empresas. Segundo pesquisa da consultoria Right Management, apenas 28% dos executivos de recursos humanos participam ativamente das resoluções estratégicas das empresas. Outros 35% às vezes conquistam essa participação e 37% influenciam a corporação, mas não participam das decisões efetivamente. A pesquisa realizada online recolheu a opinião de 104 profissionais e corrobora uma percepção generalizada no setor: a capacidade estratégica da área de RH ainda não está satisfatoriamente disseminada no meio corporativo.

O vice-presidente da Right Management para as Américas, George Herrmann, afirma que “para conquistar essa posição, um líder de RH deve desenvolver o raciocínio de executivo sênior.” Traduzindo: o executivo de RH tem de ter cabeça de CEO para vencer como profissional e para fazer com que a área cumpra suas funções.

A diretora de RH da Parmalat, Silvana Dino, concorda. Segundo ela, uma cabeça de CEO permitiria ao profissional atentar para fatores que afetam a sustentabilidade dos negócios, ampliando, assim, sua capacidade de influenciar as decisões estratégicas. A presença discreta do RH nas resoluções do alto escalão empresarial, explica Silvana, deve-se ao fato de que nem sempre essa área está preocupada com a visão de produtividade da companhia. “O RH acaba se descolando um pouco da realidade da empresa, até porque a função dele nunca foi gerar valores monetários, isso precisa mudar.”

Situações que exemplificam essa a discrepância entre as avaliações do RH e de outras diretorias são os momentos de crise da empresa e da economia como um todo. “Na maioria das companhias, quando há crise, o RH sofre porque ocorrem os cortes, por exemplo; quando a crise passa, o setor volta a ter seu espaço”, comenta a executiva.

O levantamento da consultoria corrobora as palavras de Silvana. O texto da pesquisa defende maior união entre o RH e as demais áreas da empresa e afirma: "Esse profissional deve contribuir para o desempenho da companhia como um todo e não somente para sua área”.

Entretanto, nem todo o êxito do desempenho do RH cabe apenas aos profissionais da área, pois sua atividade também depende de uma conexão direta com os altos escalões da empresa, para que suas sugestões tenham papel relevante. Segundo levantamentos recentes, na maioria das grandes empresas, o executivo de RH se reporta diretamente ao CEO e isso faz com que essas organizações mantenham uma comunicação forte e produtiva a respeito das relações entre estratégias de negócios, recursos humanos e as ações necessárias para evitar possíveis inadequações e para gerar valor.

Segundo a diretora-geral da Right Management para o Brasil, Elaine Saad, a gestão de pessoas é hoje peça fundamental para a corporação e deve influenciar as decisões estratégicas, uma vez que estas serão implementadas também pelas pessoas. “O que nós, profissionais de RH, precisamos é ocupar esse espaço com firmeza e determinação.”

Cabeça de RH

A visão da gerente-geral de Desenvolvimento Humano e Organizacional da Votorantim Industrial, Leni Hidalgo Nunes, difere das demais. Ela acredita que o executivo de RH precisa entender a estratégia e pensá-la do ponto de vista de pessoas, mas não acredita que o profissional de RH tenha a necessidade de pensar como o CEO. “Ele precisa construir a estratégia com o CEO, mas com o olhar e a cabeça de RH.”

A executiva observa que o importante é que os recursos humanos saibam lidar com pessoas entendendo que uma empresa é um "ser" político. Leni ressalta, ainda, que esse debate sobre a presença do RH nas decisões empresariais é recorrente há mais de 30 anos, desde o início da carreira. "Não é possível continuar com esse discurso, é ultrapassado."

Essa mesma visão sobre o papel do RH na empresa é compartilhada pelo CEO da Votorantim Cimentos, Walter Schalka. Para ele, o alinhamento do RH com o comando da corporação é um processo de amadurecimento, que permite distanciá-lo cada vez mais do antigo papel de Departamento Pessoal e aproximá-lo da visão estratégica necessária ao crescimento da empresa. “O RH é importante para a construção de uma estratégia muito clara para pessoas e processos com diferencial competitivo.” Segundo ele, não contemplar essa realidade cria uma divergência cognitiva desgastante e improdutiva.

Carreira nos trilhos

A partir da visão de que o RH deve ter cabeça de CEO, George Herrmann, da Right Management, dá quatro dicas para o profissional de RH redefinir sua carreira.

Você sabe qual é a sua contribuição? 

Mantenha uma visibilidade positiva para que os principais players da sua organização saibam quem você é e como contribui para a empresa. Criar resultados é a estratégia de carreira mais importante. Mantenha padrões de alto desempenho e contribua positivamente de forma consistente.

Você seria um candidato ideal se você se candidatasse à sua vaga hoje? 

Avalie se você conseguiria conquistar a sua vaga se ela estivesse em aberto. Quantifique e qualifique todas as suas realizações, tanto no trabalho quanto fora dele. Familiarize-se com as tendências do setor, os valores de salário, o seu valor de mercado e estabeleça relacionamentos fortes com gerentes seniores e contatos em geral.

Se o seu cargo desaparecesse amanhã, você teria um plano de carreira? 

Mantenha-se ativo com a sua rede de conhecidos e mantenha um currículo atualizado. Saiba quais são as suas chances e o valor que você traz para uma empresa, incluindo a sua empresa atual. Desenvolva um plano de carreira para que você sempre tenha um horizonte visível de para onde está indo e por qual motivo.

Você está aprendendo?

Mantenha um compromisso constante com o desenvolvimento. Antecipe-se às necessidades futuras da sua organização e desenvolva-se para atender essas necessidades. Beneficie-se de oportunidades de aprendizado, incluindo cursos de treinamento, conferências do setor e grupos profissionais. Seja proativo em buscar novos projetos que o ajudarão a aprender, crescer e expandir as suas competências.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 28/04/10.


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